Para competir no nicho de veículos especiais para serviços em mineração e construção civil pesada, Mercedes-Benz traz para o Brasil seu modelo Arocs, desenvolvido exclusivamente para operações deste tipo.

O mercado nacional, especialmente mineração, já esperava e estava tudo certo para a Mercedes-Benz finalmente trazer o caminhão Arocs para o Brasil neste ano. Promessa é dívida: a montadora alemã anunciou a produção do modelo no País, por ora, em versão única e, naturalmente, a mais procurada por quem trabalha com mina e construção: 8×4. O Arocs assume lacuna deixada pelo Actros 4844 8×4 que deixou de ser fabricado no País.

Os Arocs, já bem conhecidos na Europa, fazem parte da família de caminhões off-road para serviços pesados da Mercedes-Benz. No famoso Rali Dakar, do ano passado, em uma ação campeã de marketing global, a marca colocou um modelo com tração 8×8, não na competição, mas para trabalhar resgatando veículos atolados nas traiçoeiras areias fofas dos desertos da Arábia Saudita. O caminhão ganhou notoriedade ao resgatar mais de 100 veículos dos quais dezenas de caminhões (muitos de outras marcas).

Há apenas dois competidores diretos aqui no Brasil para disputar esse nicho para serviços severos em áreas fechadas: Volvo FMX 8×4, 540 cv e o Scania G 500 8×4 Heavy Tipper, de 500 cv. No preço, os três estão na faixa de um milhão de reais. Valor que serve apenas como referência neste setor em que a negociação é muito técnica e, não raras vezes, os volumes são grandes. No anúncio do Arocs nacional, Roberto Leoncini, vice-presidente comercial da Mercedes-Benz, disse que 200 unidades do modelo já foram encomendadas.

Para não dar dicas para suas concorrentes suecas (Scania e Volvo), deixou claro que ainda não vai revelar os clientes. Até porque, obviamente, encomenda não é exatamente negócio fechado.

A Mercedes-Benz mira no mercado perdido com a saída do Actros 4844 e projeta potencial de mil unidades por ano do Arocs 8×4. “O Arocs 8×4 é a evolução da marca no segmento off-road, que atendíamos, até pouco tempo, com o Actros 4844 8×4”, comenta Leoncini reforçando que a montadora fez uma grande engenharia adaptativa no modelo para atender as necessidades do mercado nacional.

“Diferente dos erros que comentemos com o Actros 4844, ao trazê-lo da Alemanha sem engenharia local, com o Arocs promovemos diversas adaptações para torná-lo tecnicamente preparado para atuar nas minas e na construção civil pesada”, diz Leoncini.

“Ou seja, esse off-road nasceu em operações reais brasileiras a partir da necessidade de nossos clientes”.

O Arocs tem capacidade técnica para até 58 toneladas de PBT – peso bruto total e 150 toneladas de CMT – capacidade máxima de tração, conforme as condições de operação. E é um veículo preparado para receber básculas de 20 a 24 metros cúbicos de capacidade volumétrica de carga.

Trem de força conhecido

Equipado com o motor OM 460 LA de 13 litros, o mesmo utilizado no Novo Actros, oferece potência de 510 cv a 1.800 rpm, com torque de 2.400 Nm a 1.100 rpm. O câmbio automatizado é o PowerShift G340 de 12 marchas, foi desenvolvido para o mercado brasileiro fora de estrada. Com inteligência embarcada, e reforçado com engrenagens mais largas para aumentar a robustez, ainda assim, segundo a Mercedes, oferece troca de marchas suaves e rápidas.

Este câmbio se caracteriza pela alavanca multifuncional na coluna de direção, funções Hill Holder e Hold, o que resulta em mais praticidade e segurança nas partidas de rampa. A caixa da Mercedes oferece três modos de operação: Economy – Condições de uso leve, com piso bom e trecho plano. Exemplo: caminhão vazio. Neste caso, as trocas de marcha buscam melhor consumo de combustível. Standard – Condições de uso intermediário, com pavimento bom e rampas suaves com caminhão carregado. As trocas de marcha também buscam melhor consumo de combustível e Power Off-road – Condições e uso severo, pavimento com baixa aderência, rampas íngremes e caminhão carregado. Permite maior controle do veículo por meio do pedal do acelerador.

A tomada de força com rotações mais baixas do motor assegura menor tempo de basculamento da caçamba. Como decorrência, otimiza o descarregamento do caminhão. O conjunto de eixos traseiros Mercedes-Benz HL7 + HD7, com redução nos cubos, garante a força já amplamente reconhecida no mercado. A robustez está refletida na capacidade técnica de até 20 toneladas por eixo. O bloqueio de diferencial transversal e longitudinal é item de série. O freio a tambor e as cuícas verticais estão mais protegidas dos impactos do solo.
A robustez do Arocs 8×4 também está presente em elementos como a embreagem bidisco de 440 mm, com torque máximo de até 3.300 Nm, solução consagrada na mineração. A espessura de cada disco é de 3 mm. Essa embreagem oferece longa vida útil e mais disponibilidade do veículo, ou seja, mais rentabilidade para o cliente.

A suspensão dianteira do Arocs é formada por molas parabólicas de 4 lâminas assimétricas, com capacidade de carga de 9 toneladas para cada um dos dois eixos dianteiros direcionais. Isso assegura maior capacidade de carga e melhor distribuição de carga no veículo, além de maior conforto de suspensão e estabilidade de direção. As molas foram projetadas e testadas especificamente para condições extremas off-road, com barras estabilizadoras no primeiro e no segundo eixos. Buchas de metal-borracha livres de manutenção foram introduzidas nas molas, amortecedores e estabilizadores.

Já a suspensão traseira do Arocs foi melhorada para garantir a máxima durabilidade e confiabilidade. Ela conta com molas parabólicas reforçadas com 100 mm de largura. Oferece melhor estabilidade, maior rigidez e, portanto, vida útil mais longa. Também dispõe de barras estabilizadoras reforçadas e amortecedores de dupla ação. As suspensões independentes têm fixação com “jumelo”.

Ainda com foco em robustez, o Arocs vem equipado com pneus OTR vocacionados para operações fora de estrada e com rodas reforçadas exclusivas. O para-choque e os faróis foram desenvolvidos para evitar danos e reduzir os custos de reparação. O sistema elétrico foi preparado para ambientes agressivos, estando protegido dos impactos naturais de pisos irregulares.

O Arocs vem equipado com freio a tambor nos eixos dianteiro e traseiro. Essa solução se destaca pela alta segurança de direção graças a ótimos valores de desaceleração em todas as condições operacionais. A frenagem é precisa, com progressividade controlável devido à integração com o freio eletrônico.

Esse basculante extrapesado oferece proteção contra comprometimento funcional ou danos aos componentes do freio devido à sujeira, produtos a granel e outros, uma vez que o design fechado evita a entrada de detritos ou sujidades.

O sistema de freio eletrônico do Arocs conta com ABS e ASR. Isso traz maior segurança de direção graças à distância de frenagem otimizada em comparação com os sistemas de freios convencionais. A função Hill Holder integrada facilita a movimentação em aclives. O off road também vem com com freio de estacionamento eletrônico e função Hold cuja função é ativada quando o veículo está parado e pressionando o pedal de freio com mais força. Pode ser desativada pelo motorista por meio de tecla. A função é liberada assim que o pedal do acelerador é operado novamente. O Hold é ativado automaticamente quando o motor é desligado e também pode ser ligado e desligado por meio de alavanca na cabina. Um diferencial do freio de estacionamento eletrônico é o seu acionamento automático ao abrir a porta do caminhão com o veículo parado. Esse sistema garante maior segurança à operação.

Para atender os pedidos dos clientes que ajudaram a engenharia da Mercedes a fazer as adaptações para o mercado nacional, o Arocs conta com retarder a óleo. Em combinação com os demais sistemas de freio, o retarder Voith R115 HV oferece cerca de 900 cv de potência de frenagem a 2.300 rpm.

Os tanques de combustível de 400 litros e de ARLA de 25 litros do Arocs são fabricados em material plástico de alta resistência. Suportam pequenos impactos sem sofrer ruptura e sem deformações residuais.

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