Em entrevista exclusiva a TranspoData, Luis Gambim, diretor comercial da DAF, revela os planos da empresa para crescer de maneira sustentável no Brasil

Mauro Cassane

DAF, Divulgação

  • Na sua opinião, a que se deve a DAF ter crescido mais do que o mercado no ano passado?

As estratégias da companhia de antecipar, em 2020, a adaptação dos seus caminhões Euro 5 à tecnologia do Proconve P8/Euro 6, permitiram estar um passo à frente da concorrência e apresentar, já no final de 2022, um caminhão Euro 6 pronto para comercialização. Por isso, em 2023, enquanto o mercado de caminhões caiu 16,3% no ano passado, a DAF avançou 22,8%. Além do planejamento assertivo da DAF para a linha Euro 6, o planejamento de gestão de estoque da DAF que adequou eficientemente o volume de produção à demanda e tamanho de consumo da rede, melhorou a performance da companhia mesmo em um contexto de retração do mercado.

O alto volume de investimentos da DAF para as novas tecnologias do Euro 6 gerou um resultado muito além desse excelente desempenho comercial. A atualização dos caminhões brasileiros elevou suas características mecânicas, operacionais sistêmicas e tecnológicas ao padrão global da DAF, marca líder mundial na aplicação de tecnologia de ponta em soluções de alto valor agregado para o transporte de cargas. Para os clientes, no entanto, os ganhos são ainda maiores. Os novos caminhões premium DAF Euro 6 dispõem de um conjunto de inovações que aperfeiçoaram sua capacidade produtiva em relação ao Euro 5 com a entrega do melhor custo-benefício, desempenho operacional superior, tecnologias de motorização que reduzem em até 8% o consumo de combustível e com um dos índices mais baixos de consumo de Arla32 do mercado (5%).

  • Quais foram os principais segmentos responsáveis por este crescimento?

A atuação segmentada dentro do seu portfólio de produtos é um fator importante que impulsionou o crescimento dos negócios e que se refletiu nos números conquistados nestes 10 anos de operação no Brasil. Com a marca de 32.590 mil unidades fabricadas em 10 anos de operação e presença em 100% do território nacional com sua ampla Rede de Concessionárias, seu perfil de atuação manteve a linha ascendente de crescimento que, somado ao desempenho da Nova Linha DAF XF e CF dos últimos três anos, levou à companhia estar entre as três marcas que mais emplacaram caminhão Euro 6 no primeiro trimestre de 2023 e conquistar a vice-liderança dos pesados por 24 meses consecutivos.

Dos caminhões pesados, foram 7.512 unidades comercializados em 2023, cujo principal modelo é o reconhecido e vice-líder de vendas, o DAF XF; dos semipesados, foram 832 veículos emplacados – número que representa a ascensão das vendas do DAF CF Semipesado Rígido. Com isso, a marca ampliou seu market share no segmento acima de quinze toneladas para 3% e, acima de 40 toneladas, para 13,9% – o melhor desempenho da companhia nesta primeira década de Brasil.

Além das aplicações para o agronegócio, como o transporte de insumos agrícolas e principais commodities brasileiras, o DAF XF atua com ótimo desempenho nos setores de produtos frigoríficos e transporte de líquidos e químicos em aplicações severas e operações rodoviárias de médias e longas distâncias. Já para o escoamento das safras de cana-de-açúcar, transporte de madeira, e cargas indivisíveis, acima de 91 toneladas, o DAF XF Off-Road, que chegou ao mercado no segundo semestre deste ano, conta com diferenciais que já o tornam protagonista do agronegócio brasileiro. Por outro lado, a versatilidade da linha DAF CF conta com caminhões pesados, incluindo o CF Off-Road, e semipesados, atuando nas aplicações de pequenos e médios volumes a partir de 15 toneladas, como a distribuição regional de alimentos, materiais de construção, produtos agrícolas e químicos, além de câmaras de frigoríficos, e para o escoamento da safra com médias e longas distâncias e cargas, a partir de 40 toneladas. A carteira de clientes da DAF no Brasil é bastante pulverizada, inclui pequenos, médios e grandes frotistas atuantes em diversos setores da economia. Temos também uma forte participação da indústria, com crescimento na demanda por caminhões sider, refrigerado e baú. Como os modelos DAF são robustos e de fácil manutenção, e reconhecidos pelo conforto na cabine, ganhamos uma posição privilegiada para atender às mais variadas aplicações.

  • O senhor acredita que, neste ano de 2024, as vendas da DAF seguirão no mesmo ritmo? Dá para crescer mais do que o mercado novamente?

O planejamento robusto e de longo prazo com o País fortaleceu a estruturação da DAF para superar as adversidades do mercado e continuar em seu plano de crescimento tanto em participação de mercado quanto em volume. Encerramos 2022 com 6.793 veículos emplacados e, no ano passado, 8.344 unidades – um crescimento de 22,8% nos emplacamentos da marca. Nessa jornada, iniciamos uma nova rota de investimentos para a próxima década que já conduz a marca como protagonista de um futuro muito promissor com novos produtos que aumentarão a competitividade do mercado. Para isso, todo o time DAF Brasil está altamente preparado e comprometido nesse projeto consistente, robusto e de longa duração, e é isso que traz a verdadeira inspiração para avançar ainda mais e atender uma frota circulante cada vez maior e mais diversificada.

  • O fato de termos uma transição de Euro 5 para Euro 6, que acabou por afetar negativamente o mercado, não acabou ajudando a DAF?

Para alçar voos mais altos entre os principais players do setor, a DAF antecipou, em 2020, a adaptação dos seus caminhões Euro 5 à tecnologia do Proconve P8/Euro 6. Modelos da linha XF foram totalmente preparados para receber as adaptações necessárias. Algumas unidades circularam por um período de dois anos de rigorosos testes para garantir o alto padrão de qualidade e desempenho, antes de ser autorizada a entrada em produção. A estratégia da DAF de antecipar a nova tecnologia do Euro 6 foi a mais assertiva do mercado e nos garantiu, hoje, o páreo nas vendas do segmento. Foram dois anos de muitos estudos, rígidos testes em laboratórios, de durabilidade acelerada em pistas específicas e em ambientes controlados onde foram reproduzidas as condições mais severas das estradas. Mesmo durante o período da pandemia, a fabricante seguiu seu rígido processo dentro dos padrões de qualidade DAF Euro 6, que mobilizou grande parte da operação brasileira. No final de 2022, estávamos um passo à frente da concorrência, oferecendo ao mercado, as linhas XF e CF com todas as adaptações do Proconve P8/Euro 6 prontas para comercialização. Ao mesmo tempo, a empresa reduziu seu estoque de Euro 5 para chegar, em 2023, como a primeira marca a vender modelos Euro 6 no Brasil.

  • Quantos caminhões a DAF vendeu no ano passado? Deste total, quantos foram Euro 6?

Em 2023, a DAF emplacou 8.344 caminhões, todos com as novas tecnologias do Euro 6, resultado que posicionou a fabricante entre as primeiras posições do ranking de vendas do mercado. Dos caminhões pesados, foram 7.512 unidades, cujo principal modelo é o reconhecido e vice-líder de vendas, o DAF XF; dos semipesados, foram 832 veículos emplacados – número que representa a ascensão das vendas do DAF CF Semipesado Rígido.

  • Quando a DAF vai oferecer caminhões off-road para setores altamente compradores como mineração e canavieiro?

 O lançamento do DAF XF Off-Road no ano passado, com motor de 530 cavalos e capacidade de até 91T (PBTC), desembarcou nas concessionárias como protagonista do setor sucroalcooleiro. A versão fora de estrada do caminhão mais vendido da DAF, o XF, já está disponível para os clientes desde o segundo semestre de 2023. Com Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de até 91 toneladas, o caminhão suporta as aplicações mais severas, sendo capaz de tracionar uma composição de 11 eixos, mais utilizada para o transporte de cana-de açúcar, madeira e cargas indivisíveis. Além do motor mais potente e maior capacidade combinada, o XF Off-Road oferece excelente desempenho para o escoamento de cargas agrícolas, baixo custo operacional e uma experiência premium em conforto e ergonomia.

  • Quando vocês esperam chegar a 10% de market share no Brasil?

 Desde o início, a meta do Grupo PACCAR é replicar na DAF Brasil o modelo de negócio bem-sucedido da DAF na Europa e também do know-how mundial grupo, que ganhou o respeito do mercado como uma marca realmente séria, robusta e com alta capacidade financeira e excelência em serviços premium. O respaldo da PACCAR em todos os seus negócios garante, há 86 anos, o pagamento ininterrupto dos dividendos aos acionistas. Com essa segurança, o Grupo assumiu a missão de construir uma nova história para o transporte de cargas no Brasil, e, para isso, priorizou em seus planos de negócios as melhores vantagens econômicas e operacionais para os transportadores e condutores. Por isso, em 2022, a DAF atingiu a meta estipulada no início da operação brasileira com 10 mil caminhões fabricados, e 10% de market share no segmento de pesados. Porém, o objetivo é evoluir ainda mais no Brasil, com a produção de caminhões de alta qualidade e serviço de excelência para ultrapassar os 10% de participação no mercado, aumentar a base de clientes e fortalecer a marca e a rede de concessionárias.

  • Para crescer mais será preciso entrar em novos nichos e segmentos. Quais os planos para 2024?

Para 2024, a companhia continua com seu plano de investimentos de longo prazo no Brasil, com foco no futuro, estando altamente preparada no presente. Temos metas ambiciosas de crescimento e participação de mercado com o objetivo de levar o melhor caminhão DAF para todo o mercado nacional e estar cada vez mais próxima dos clientes. A empresa expandirá seus investimentos em tecnologias de segurança e qualidade nos produtos e serviços, empreendendo esforços tanto em capacidade fabril e produtiva, quanto na qualificação de profissionais e rede de concessionárias. Com a missão de construir uma nova história para o transporte de cargas no Brasil, expandirá seu portfólio para atender às demandas do mercado com a produção de caminhões de alta qualidade e serviços premium para o melhor atendimento de suporte ao cliente. O projeto da marca para o País é consistente e robusto, o que traz a verdadeira inspiração para seguir evoluindo ainda mais. Agora, iniciamos uma nova rota de investimentos para a próxima década que já conduz a marca como protagonista de um futuro muito promissor com novos produtos que aumentarão a competitividade do mercado. O Brasil e a América Latina apresentam grande potencial de crescimento e o Grupo PACCAR está atento a este mercado e fazendo os investimentos necessários para ampliar a participação com consistência e planejamento.

  • A DAF vai oferecer veículos movidos a combustíveis verdes? Quais opções estão no radar atualmente?

A sustentabilidade continuará pauta e guia para a atuação da DAF no Brasil que, como subsidiária do grupo americano PACCAR, já tem expertise em combustíveis alternativos em todo o mundo. Lidera a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias híbridas, elétricas, de célula de hidrogênio, motor a gás e automação completa, disponibilizando modelos com essas tecnologias nos mercados dos Estados Unidos e Europa, com um número grande em operação, principalmente no Reino Unido. Para os motores a diesel, a DAF oferece uma gama completa de versões ultra limpas e com eficiência em combustível, e foi uma das primeiras fabricantes de caminhões da Europa a estar em conformidade com o padrão ISO 14001 de cuidado com o meio ambiente. Na operação brasileira, a empresa reafirma seu compromisso com os combustíveis verdes e produzirá caminhões com estas tecnologias, a partir do momento em que a infraestrutura local estiver preparada.

  •  Qual a projeção para este ano para o mercado de caminhões?

Para o setor, de uma forma geral, o Euro 6 está no início de um processo de amadurecimento no País que deve durar de três a cinco anos para que os investimentos feitos nas novas tecnologias gerem retorno financeiro. Essa equação é projetada com base no avanço do volume de vendas na casa dos dois dígitos previsto para 2024 (13,9%) – ano que se considera um cenário macroeconômico mais favorável, com ampliação do crédito e redução dos juros, além de programas federais de incentivo à renovação da frota, como o Programa Mover, por exemplo. Portanto, se o cenário à frente se confirmar com câmbio acomodado, inflação tranquila e crescimento do PIB acima de 2%, deverá acontecer uma retomada mais forte das vendas, especialmente os segmentos agrícola, cana, florestal, minério e de construção que utilizam os modelos pesados e extrapesados. No geral, agronegócio e os estímulos das obras de infraestrutura do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que, juntamente com a indústria de transformação, construção civil que sofreram mais em 2023, devem impulsionar o mercado de caminhões em 2024.


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