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Setcemg propõe agenda para modernizar transporte de cargas

Documento reúne medidas para recuperação das rodovias, integração entre modais, segurança viária e melhoria das condições de escoamento da produção mineira

Redação TranspoData

Foto ANTT, Divulgação

O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) apresentou aos candidatos ao governo do estado uma agenda estratégica com propostas para o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas e o fortalecimento da infraestrutura logística mineira. O documento parte de desafios que afetam diretamente a atividade, como as condições da malha rodoviária, os gargalos urbanos, os custos de transporte, a segurança nas estradas e a necessidade de maior integração entre diferentes modais.

Para o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior, a agenda representa uma contribuição do setor para o planejamento de políticas públicas capazes de melhorar a circulação de mercadorias e criar condições para o crescimento da economia mineira. “Minas Gerais tem uma posição estratégica na logística nacional e precisa transformar essa vantagem geográfica em eficiência. Para isso, é necessário tratar a infraestrutura de transporte como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, metas objetivas e acompanhamento dos resultados. O setor de transporte de cargas conhece os gargalos que impactam a operação e quer contribuir de forma técnica para a construção dessas soluções”, destaca.

A recuperação e a manutenção da malha rodoviária aparecem entre os principais pontos da agenda. O Setcemg propõe um programa contínuo de manutenção preventiva e corretiva, com prioridade para ações permanentes no lugar de intervenções emergenciais, além de contratos de desempenho vinculados à qualidade e segurança das estradas. O documento também defende o uso de sensores, drones e dados em tempo real para monitoramento da infraestrutura e a continuidade de parcerias público-privadas e concessões com metas claras de investimento, qualidade e segurança.

A segurança viária também ocupa posição central. Entre as medidas estão a duplicação de trechos críticos, implantação de áreas de escape, defensas e faixas adicionais, melhoria da sinalização e iluminação, programas de redução de acidentes baseados em análise de dados e fortalecimento das ações de prevenção e combate ao roubo de cargas. Dados da Confederação Nacional do Transporte mostram que 46,7% das rodovias mineiras apresentam nível médio de segurança e 30,9% possuem nível baixo.

Outra frente é a criação de corredores logísticos para agilizar o transporte de cargas e reduzir gargalos urbanos, inclusive com a construção de contornos rodoviários. O Setcemg também propõe maior integração entre ferrovias e centros logísticos, estímulo a plataformas intermodais e parcerias com a iniciativa privada para implantação de hubs logísticos.

Transição energética e ambiente regulatório

A agenda também dedica atenção à logística do agronegócio e às demandas do interior. O Setcemg propõe pavimentação de acessos a polos produtivos, manutenção estruturada de estradas vicinais e programas regionais de apoio à construção de silos e unidades de armazenagem. O documento aponta um déficit de capacidade de armazenagem de 2,3 milhões de toneladas em Minas Gerais, enquanto o agronegócio alcançou PIB de R$ 279 bilhões e representa 24,1% da economia estadual.

O conjunto de propostas ainda inclui medidas relacionadas à transição energética, com incentivo ao biogás e ao biometano e à eletrificação, além de questões regulatórias, como o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros e a inclusão do setor de transportes na representação do Conselho Estadual de Política Ambiental. “Precisamos criar condições para que as empresas consigam acompanhar as transformações tecnológicas e ambientais do transporte. Incentivos a novas fontes de energia, participação do setor nas discussões ambientais e um ambiente regulatório adequado são medidas que ajudam a preparar Minas Gerais para os próximos anos sem perder de vista a realidade operacional das transportadoras”, acrescenta o vice-presidente Adalcir Lopes.

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