Fabricante apresentará nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module e soluções em eixos para caminhões e ônibus, incluindo aplicações elétricas e de transporte pesado
Redação TranspoData
Cummins, Divulgação
A TranspoData esteve presente no evento da Cummins realizado nesta sexta-feira (23), que apresentou novidades em tecnologias para o transporte durante a preparação para a Fenatran 2026. Entre os destaques estão o novo sistema de pós-tratamento de emissões Single Module, desenvolvido para motores de quatro cilindros, e uma linha de eixos voltada a diferentes aplicações, incluindo caminhões pesados, veículos elétricos e ônibus.
O Single Module atualizado é cerca de 30% mais leve que a geração anterior, tem dimensões 5% menores e apresenta ganho de 2% em eficiência, segundo a fabricante. O conjunto foi desenvolvido para os motores Cummins F3.8 e F4.5 e atende aos requisitos do Proconve P8, equivalente ao padrão Euro VI.
A apresentação ocorre em um momento de ampliação das tecnologias destinadas ao transporte comercial, que inclui tanto o aprimoramento de sistemas para motores a combustão quanto o desenvolvimento de componentes para veículos eletrificados.
Sistema de pós-tratamento fica mais leve e compacto
A nova geração do Single Module reúne em uma única estrutura os principais componentes responsáveis pelo tratamento dos gases de escape: o catalisador de oxidação de diesel (DOC), o filtro de partículas (DPF), o misturador de gases e o sistema de redução catalítica seletiva (SCR).
O conjunto ficou aproximadamente 15 kg mais leve. A arquitetura também permite desmontar e substituir componentes individualmente, sem a necessidade de trocar todo o sistema em caso de intervenção específica, o que pode simplificar a manutenção e reduzir custos ao longo da vida útil do veículo.
Entre as mudanças técnicas está a revisão da geometria interna do misturador, responsável por favorecer a distribuição do Arla 32 nos gases de escape. A alteração melhora o aproveitamento da ureia no processo de redução dos óxidos de nitrogênio (NOx) e está associada ao ganho de eficiência informado pela empresa.
O sistema também incorpora a tecnologia própria de dosagem de ureia UL2.2, já utilizada pela Cummins em motores de seis cilindros e outras aplicações comerciais. Com a novidade, o injetor passa a utilizar a própria circulação da ureia para auxiliar no controle térmico, dispensando a linha específica de refrigeração empregada na arquitetura anterior para motores de quatro cilindros.
A mudança reduz a quantidade de componentes periféricos, cabos, chicotes e conexões necessários à instalação, simplificando a integração do sistema aos veículos desenvolvidos pelas montadoras.
Antes da apresentação na feira, a nova geração passou por mais de 7 mil horas de testes em dinamômetro e mais de 600 mil quilômetros de validação em veículos, segundo a Cummins. O desenvolvimento considerou o desempenho do conjunto formado pelo motor e pelo pós-tratamento, além das características dos combustíveis utilizados no mercado brasileiro. A configuração nacional foi projetada para operar com misturas de biodiesel de até B20.
Eixos atendem a diferentes configurações do transporte

A divisão de eixos da Cummins também levará à Fenatran soluções voltadas a caminhões pesados e veículos elétricos. Entre os destaques estão o MT-17XHE, desenvolvido para aplicações 6×4, e o MS-18X HD, destinado a caminhões 6×2.
O MT-17XHE inaugura a plataforma High Efficiency da empresa. O projeto incorpora alterações no sistema de lubrificação, rolamentos de menor atrito e um novo conceito de offset, com o objetivo de reduzir perdas energéticas no trem de força. O eixo foi desenvolvido para aplicações pesadas, com combinações de veículos que podem alcançar 91 toneladas de Peso Bruto Total Combinado (PBTC).
A engenharia brasileira participa da adaptação do produto às condições locais, incluindo as características das estradas, a topografia, as longas distâncias percorridas e as exigências de carga. O modelo está em fase final de homologação, com produção prevista para julho de 2027.
Já o MS-18X HD foi desenvolvido no Brasil para aplicações 6×2 e suporta até 58,5 toneladas de PBTC. Derivado do MS-18X, o modelo ampliou em 11% a capacidade em relação ao antecessor, de acordo com a Cummins, para atender às exigências do mercado nacional. O eixo já é produzido na fábrica da empresa em Osasco (SP).
O portfólio inclui ainda projetos destinados à eletrificação. O MS-14X foi desenvolvido para caminhões elétricos urbanos de até 17 toneladas, enquanto o MC-17X atende a ônibus elétricos urbanos 4×2 com até 22 toneladas de Peso Bruto Total (PBT).
Esses veículos apresentam características distintas das aplicações convencionais, como o torque instantâneo dos motores elétricos e a distribuição de peso associada às baterias. Por isso, os projetos incluem reforços nos componentes internos e adaptações estruturais.
O MS-14X tem início de produção previsto para janeiro de 2027, com montagem do diferencial em Osasco. Para o MC-17X, a previsão é julho de 2027. Este último utiliza uma carcaça fundida específica, diferencial reforçado, rolamentos de maior capacidade e solda a laser.
Engenharia brasileira e novas aplicações
O desenvolvimento dos produtos também evidencia a participação da engenharia brasileira na adaptação e na criação de soluções para o transporte comercial. A unidade de Osasco concentra a produção de eixos, cardans e componentes para veículos comerciais e aplicações fora de estrada.
A empresa vem ampliando a fabricação local de componentes e preparando novas plataformas para atender às demandas de diferentes segmentos, do transporte rodoviário pesado às operações urbanas eletrificadas.
Na Fenatran 2026, a combinação entre a nova geração do Single Module e os projetos de eixos mostra duas frentes de desenvolvimento da Cummins: aprimorar a eficiência e o controle de emissões dos veículos a combustão e preparar componentes para as características operacionais dos veículos elétricos.
A Fenatran será realizada de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, em São Paulo, reunindo fabricantes de veículos, fornecedores de componentes e empresas de soluções para o transporte rodoviário de cargas.


