Atributos de robustez e luxo em perfeito equilíbrio fazem da Fiat Toro Volcano a picape perfeita para quem precisa dela para a labuta e, também, para passear com a família nos dias de folga.
Mauro Cassane
TranspoData, Divulgação
Definitivamente esse é o ano da picape Toro no Brasil. Melhor ainda, quando se pensa em picapes, a preferência dos brasileiros recai sobre a marca Fiat. A valente picapinha Strada, certamente, segue firme e forte (imbatível no volume de vendas com mais de 120 mil unidades no acumulado deste ano, considerando até agosto de acordo com dados da Fenabrave). Mas a Toro, que passou a VW Saveiro em vendas, emplacou mais de 45 mil unidades no mesmo período.
A Fiat Toro tem todos atributos para ser mesmo a picape preferida dos brasileiros por sua extraordinária flexibilidade operacional: serve muito bem tanto para lazer quanto para trabalho, inclusive a lida mais dura no campo em operações mais robustas em terra batida.
Avaliamos desta vez a Toro Volcano 2.2 turbo diesel com transmissão automática. Versão intermediária que fica apenas abaixo das duas outras versões mais luxuosas: Ranch e Ultra. Ou seja, a versão preferida de quem busca alinhar, em um mesmo veículo, trabalho e lazer.
O preço sugerido também se posiciona neste patamar de pouco mais de 200 mil reais. O legal é que, visualmente, ela parece a versão mais luxuosa cujos detalhes e mimos são mais aparentes no interior do que pelo lado de fora. Por isso que essa versão, de fato, é mesmo a preferida.
A motorização turbodiesel de 200 cv, 4 cilindros e 45,9 kgfm de torque parece feita sob medida para a transmissão automática de nove velocidades da ZF. O conjunto funciona de maneira impecável na cidade, na estrada e nos trechos sem pavimento algum com muita lama, buraco e pedras. As trocas são silenciosas, bem escalonadas e rápidas de modo que, de verdade, é quase imperceptível saber em qual marcha você está.

No dia a dia na cidade, usamos a tração 4×2, na terra mais úmida e com lâminas de lama encaramos no modo 4×4 e, ainda, nas subidas com buracos e alguns atoleiros leves, optamos pela reduzida. Mesmo com lastro de 400 kg a Toro Volcano se comportou a contento sem deixar qualquer observação de má conduta técnica (engasgar em subidas de lama é algo até aceitável, mas a Toro passou com louvor nesse quesito).
Outro ponto favorável é a média de consumo. Aferimos em cada trecho fazendo reabastecimentos. Percorremos 85 km com a tocada 100% em estrada limpa sem trânsito e sem serra e fizemos uma média bem interessante de 14,3 km/l. Na cidade de São Paulo, com trânsito intenso, rodamos 32 km e a média foi aceitável, 10,2 km/l considerando que, em ambas situações, o lastro foi de 400 kg.
Já na terra, com a mesma carga, percorremos trecho de 57 km, com subidas, estradas boas e ruins (usando a tração 4×4 o tempo todo e, em alguns trechos, a reduzida), conseguimos média de 12,4 km/l. No geral, a performance foi bastante satisfatória para um motor diesel com 200 cv.
Para uma picape média-compacta esses 200 cv está de muito bom tamanho. Na estrada as retomadas são céleres e confiáveis realizando ultrapassagens com a segurança que você está usando apenas 50% do potencial de aceleração. Tranquilamente se mantém a 120 km/h com o ponteiro do conta-giros na rotação de 1.600 permitindo condução suave, confortável e econômica.
Precisou de força é só meter o pé e a transmissão prontamente processa seu desejo, reduz em uma ou duas vezes, com resposta quase instantânea, sem engasgo ou atraso. O motor infla, o giro sobe rápido e a cavalaria se oferece plena. É isso que se espera de um conjunto mecânico bem ajustado: respostas rápidas e eficientes quando necessário.


Picapeiro raiz não tem muito interesse em fricotes. É bacana sim entrar no carro e se sentir seguro e confortável quando a ergonomia foi pensada no piloto sem esquecer os passageiros. Isso a Toro entrega mas sem exageros desnecessários. Desta vez nosso foco foi em performance com toda atenção no trem-de-força e no conjunto de suspensão.
Um diferencial que chama a atenção na Fiat Toro Volcano é exatamente o sistema de suspensão 100% independente nas quatro rodas que oferece conforto extra, especialmente nas estradas de terra. É incomparavelmente mais suave que os tradicionais feixe de molas.
A suspensão dianteira é a bem conhecida tipo McPherson. É montada com braços oscilantes inferiores transversais e conta com barra estabilizadora para conter a inclinação da carroceria em curvas, oferecendo mais estabilidade. Já na traseira, do tipo Multilink (Multi-braço). Utiliza múltiplos braços tensores (transversais e longitudinais) e também conta com uma barra estabilizadora própria. Esse sistema permite que cada roda traseira responda aos buracos e imperfeições de forma totalmente isolada, sem transmitir o balanço (e o desconforto) para o outro lado do carro.
A suspensão precisa de apoio extra e a Toro conta com amortecedores pressurizados a gás estruturais (tipo Turbogás), que oferecem respostas mais rápidas e evitam a formação de bolhas de ar no óleo interno particularmente em uso severo (off road mesmo). Eles contam com batentes hidráulicos para suavizar o impacto quando a suspensão atinge o final do curso.
Já as molas helicoidais estão tanto na dianteira quanto na traseira. Na traseira, as molas possuem carga progressiva, projetadas para manter o conforto quando a caçamba está vazia e garantir a estabilidade e segurança quando carregada com até 1 tonelada (na versão Diesel). Com a carga que testamos, 400 kg, ela sequer sentiu seu peso.
Isso sim importa muito mais do que painel com display colorido e carregador de celular. Picapeiro raiz tem interesse em saber se o carro serve ou não para lida mais bruta. E a Toro Volcano, até pelas crescentes vendas, passa com louvor nesses quesitos!








