Solução sustentável para logística já impediu o uso de 12 mil toneladas
Redação TranspoData
Foto Divulgação
Filho de uma família de trabalhadores CLT, Leandro da Silva aprendeu mecânica com o pai e passou 14 anos na indústria de usinagem. Inventor nato, desenvolveu soluções para as empresas em que passou, mas há 11 anos criou a ideia que mudaria sua vida: as cintas reutilizáveis para logística.
À frente da AgilFix, marca pioneira na fabricação de cintas reutilizáveis de amarração de carga, o empreendedor domina um mercado em plena expansão e fabrica em escala cerca de 17 mil unidades do produto por mês. Para 2026, impulsionado por um novo modelo de locação, pela alta nos preços do plástico e exigências ambientais mais rígidas, planeja faturar R$ 6 milhões.
Natural de Joinville, Santa Catarina, o CEO estima que 98,5% do setor logístico ainda utiliza material descartável e faz uma projeção: se, com apenas 1,5% de participação de mercado, foi possível evitar mais de 12 mil toneladas de plástico, imagine com 5%? “Seria possível mais que triplicar”, destaca.
Aos 29 anos, Leandro Silva uniu as duas coisas: conhecimento técnico e vendas. Ao entrar em uma empresa que vendia ferramentas, decidiu que não venderia apenas por preço, mas pelo conhecimento técnico, mostrando ao cliente o ganho real de produtividade e eficiência. Deu certo e, em três meses, era o melhor vendedor entre 12 profissionais.
Após um ano e meio, surgiu o insight que mudaria sua trajetória: um amigo que havia retornado dos Estados Unidos comentou sobre cintas de velcro utilizadas para amarração de cargas paletizadas. O engenheiro achou a ideia interessante porque no Brasil usa-se um filme plástico descartável, o stretch, que é caro e nada sustentável. Ainda assim, o velcro da solução norte-americana também tinha um alto custo e não durava muito, como o catarinense conhecia bem por causa das bermudas de surf que utilizava.
Ele se desafiou a criar algo melhor e, em 45 dias, desenvolveu o primeiro protótipo funcional. Convencido do potencial, pediu demissão e estruturou um plano de negócios para tirar a ideia do papel. Em 2014, buscou investimento e conseguiu o aporte inicial de R$ 200 mil com um empresário que já havia sido seu chefe e acreditou no projeto.
Com a empresa formalizada, o empreendedor conta que logo na primeira venda conseguiu implementar a solução em uma grande fabricante multinacional que utilizava algo semelhante nos Estados Unidos. Inicialmente, o crescimento esteve longe de ser linear e, após dois anos, ele comprou a parte do sócio e seguiu sozinho.
Os primeiros quatro anos foram difíceis, mas a dor que a AgilFix resolve está no coração da operação logística: o uso intensivo de filme stretch, um plástico descartável aplicado em praticamente todos os pallets transportados pela indústria. Além do volume massivo de resíduos, o material representa um custo recorrente.
Assim, reduzir o desperdício deixou de ser apenas uma questão ESG, para se tornar uma decisão estratégica. Com a troca, é possível obter o retorno sobre investimento em meses. Para facilitar este tipo de análise, a empresa desenvolveu uma calculadora própria, que estima a economia e a redução de emissões de CO2 com base no volume de pallets movimentados.
Para comprovar com resultados mensuráveis que sustentabilidade é um bom negócio, a marca lançou um modelo de locação das cintas reutilizáveis. A ideia surgiu porque, diante da resistência de parte dos clientes em acreditar na durabilidade do produto, a empresa passou a oferecer planos nos quais o contratante utiliza a solução e a marca assume a responsabilidade por eventuais reposições. Em muitos casos, já nos primeiros meses, os clientes percebem que a cinta não se desgasta e passam a demonstrar interesse em adquirir o produto, transformando a locação em uma porta de entrada para contratos mais longos.
Hoje, Leandro Silva emprega sua veia de inventor a serviço da própria empresa e dos clientes. Boa parte dos processos da fábrica em Joinville foi desenvolvida para garantir eficiência e padronização, incluindo um sistema próprio de testes que avalia cada cinta produzida. Antes de sair da fábrica, cada unidade passa por uma máquina que tensiona o material e verifica a qualidade das costuras, eliminando falhas antes da entrega. O empreendedor comemora que, desde a criação da empresa, nunca houve registro de devolução por defeito de fabricação, resultado direto desse controle automatizado.








