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Quem busca alto desempenho, em todos os sentidos, tanto na cidade como na estrada ou fora dela, como em um rali de verdade, essa é, sem dúvida, uma excelente escolha
Mauro Cassane
TranspoData, Divulgação
A Ranger Raptor é uma picape surpreendente até mesmo para os tradicionalistas apaixonados por motores do Ciclo Diesel que demonstram certo preconceito com combustão a gasolina. Das picapes de sua categoria, ela saiu da caixa e traz um motor robusto e potente movido do Ciclo Otto. Já existiu outras Ranger a gasolina mas sempre eram vistas como “patinho feio”. A Raptor reconfigurou isso e a Ford acertou em cheio.
Transpodata avaliou a Ford Ranger Raptor 2026, a versão de alta performance da picape média que desafia os limites da engenharia automotiva. Desenvolvida pela divisão Ford Performance e inspirada nos veículos de competição no deserto, nosso veredito inicial é categórico: esta é uma picape voltada para quem já tem boa experiência na tocada de picape mais esportivas e não é indicada para “emocionados”.
Pense bem, os quase 400 cv de potência combinados com 59,45 kgfm de torque podem, literalmente, fazer o veículo decolar se as reações não forem precisas. Não é uma picape para amador, que fique claro. Muito menos para novatos com baixa experiência em dirigir. Nem se atreva.
Para compreender a real brutalidade da Ford Ranger Raptor 2026, é preciso recorrer à física e à comparação direta com um caminhão pesado convencional. Estamos falando de um utilitário com peso em ordem de marcha de 2.415 kg empurrado por um motor 3.0 V6 biturbo a gasolina de surreais 397 cv.
Na ponta do lápis, a picape entrega uma relação de 164,3 cavalos por tonelada. Para o frotista que conhece bem o segmento de pesados, a métrica assusta: um tradicional cavalo mecânico Scania de 440 cv, pesando cerca de 9 toneladas vazio, entrega uma proporção de 48,8 cavalos por tonelada. Ou seja, a Raptor possui uma densidade de potência quase três vezes e meia maior do que um caminhão pesado rodando sem semireboque. É uma força tão desproporcional que cada cavalo do motor V6 carrega míseros 6 kg de metal. Portanto, tá para imaginar o desempenho ao acelerar.

Diferente das demais picapes médias do mercado nacional, a Ranger Raptor adota a combustão por gasolina em vez do tradicional diesel. Quem tem o óleo diesel na veia estranha o comportamento nas primeiras acelerações mais agressivas, mas logo se adapta à elasticidade do conjunto.
No perímetro urbano, a tocada recomendada é estritamente no modo “Eco”, uma vez que qualquer triscada mais distraída no acelerador faz o veículo dar um salto à frente. Mas é na rodovia que a esportividade se revela por completo, entregando respostas imediatas ao acelerador. Se pedir velocidade, ela entrega imediatamente. É preciso ser prudente.
A engenharia da Ford diz que faz de 0 a 100 km/h em impressionantes 5,8 segundos. Não avaliamos, mas acreditamos ao acelerar. Com a gente, em condução sem afundar o pé no acelerador, fez de 0 a 100 em 9 segundos. Reforçando: tocada absolutamente normal respeitando as rotações. E, ainda assim, foi surpreendente.
A transmissão automática de 10 velocidades com trocas no volante (paddle shifters) atua em perfeita sintonia, apresentando mudanças de marcha quase imperceptíveis e necessárias para domar tamanha cavalagem.
Já o apelo visual externo complementa o caráter de exclusividade desta picape reforçando sua esportividade. A carroceria exibe bitolas alargadas, ganchos de reboque, protetores inferiores de alta resistência e rodas de liga leve de 17 polegadas com pneus All-Terrain Continental Grabber de perfil alto e 33 polegadas de diâmetro.
Por dentro salta aos olhos o luxuoso acabamento interno e ergonomia amigável, trazendo um painel digital configurável de 12,4 polegadas e a central multimídia SYNC 4 com tela vertical também de 12,4 polegadas, além de um sistema de som premium assinado pela Bang & Olufsen.


Uma tecnologia curiosa que chamou a atenção é o controle eletrônico do ronco do escapamento por meio de quatro modos ajustáveis: Silencioso, Normal, Esportivo e Baja. Preferimos o “normal”. Enquanto os modos Esportivo e Baja entregam um ronco nervoso que evidencia a esportividade sem incomodar o trânsito urbano, o modo Normal garante a discrição necessária para as viagens longas.
Agora é na terra que a Ranger Raptor parece que se sente em seu habitat natural. Na tocada confortável e, sobretudo, estável, fica evidente que seu chassi e suspensão foram superdimensionados para o rali. Equipada com amortecedores de competição FOX Racing de 2,5 polegadas dotados de tecnologia Live Valve, a picape realiza os ajustes de rigidez em tempo real e parece literalmente flutuar sobre pedras, costelas de vaca e buracos.
A sensação de conforto e total controle no fora de estrada severo é notória, e curiosamente se eleva à medida que o condutor incrementa a velocidade. O arsenal off-road inclui ainda sete modos de condução selecionáveis, bloqueio de diferencial dianteiro e traseiro, e a maior capacidade de imersão da categoria, atingindo 850 mm.
Toda essa performance mecânica exige um aparato de segurança e frenagem de última geração para manter as duas toneladas sob controle. A picape vem equipada de série com faróis LED Matrix direcionais, controle de cruzeiro adaptativo com função Stop & Go, frenagem autônoma com detecção de pedestres e ciclistas, monitoramento de ponto cego e assistentes de permanência e centralização em faixa.
Tamanha performance, contudo, cobra seu preço na hora de abastecer: o combustível evapora se a condução for agressiva o tempo todo. Conduzindo de forma normal e alternando trechos de terra, estradas vicinais e tráfego urbano, registramos uma média combinada de 7,1 km/l, número ligeiramente melhor do que os dados oficiais de consumo divulgados pela marca, que citam 6,5 km/l na cidade e 7,4 km/l na rodovia.
Com preço partindo de R$ 490.000,00 no mercado brasileiro, a Ranger Raptor posiciona-se em um patamar financeiro elevado e salgado para a maioria dos consumidores. Contudo, quando analisamos friamente o pacote de engenharia exclusivo de competição, o desempenho dinâmico superlativo, a dirigibilidade e, mais ainda, o desempenho na estrada e fora dela, o valor revela uma relação custo-benefício bastante justa e honesta. Para o frotista que busca um verdadeiro veículo esportivo de lazer para a garagem sem abrir mão de performance e robustez extrema, a Raptor entrega um produto com poucos paralelos nesta categoria.



