Projeto reúne infraestrutura, tecnologia e combustível renovável para avançar na descarbonização do transporte
Redação TranspoData
Foto TransJordano, Divulgação
A TransJordano iniciou na semana passada a operação do Corredor Verde, projeto criado para ampliar a utilização do biometano no transporte rodoviário de cargas e estruturar um novo eixo de abastecimento entre o interior paulista e a região do Porto de Santos. O percurso de aproximadamente 450 quilômetros conecta Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão com pontos de abastecimento distribuídos ao longo do trajeto.
A inauguração marca o chamado Marco Zero do Corredor Verde e dá início à implantação operacional de um projeto que prevê 100 caminhões movidos a biometano até dezembro próximo. O primeiro ponto começa a funcionar em Sumaré neste mês, seguido por Ribeirão Preto, em novembro, e Cubatão, em dezembro. Os veículos terão autonomia de até 700 quilômetros, ampliando o alcance das operações a partir de cada uma das bases.
Na solenidade oficial de apresentação do projeto, João Bessa, fundador e presidente da TransJordano, destacou que a decisão de investir no biometano acompanha uma mudança que já ocorre entre os próprios contratantes do transporte e reforçou que a infraestrutura foi pensada para atender também outras empresas. “Os clientes mudaram e hoje têm metas de redução de emissões, e o transporte entra diretamente nessa conta. Até dezembro, teremos 100 caminhões movidos a biometano, mas entendemos que não bastava ter os veículos: era preciso garantir onde abastecer. É por isso que o Corredor Verde nasce aberto aos clientes, parceiros e a outras transportadoras. Ninguém descarboniza a logística sozinho”, afirmou Bessa.
Um dos principais diferenciais da iniciativa é justamente que os pontos de abastecimento serão abertos a outras transportadoras. A infraestrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano que atua com garagem compartilhada, abastecimento e estruturas de apoio aos motoristas. Na unidade de Cubatão, por exemplo, são recebidos mais de 300 veículos diariamente e movimentados mais de 360 mil litros de combustível por mês.
Disponibilidade do combustível

A proposta é que o Corredor Verde contribua para enfrentar um dos principais desafios para a expansão do biometano no transporte de cargas: a disponibilidade de infraestrutura ao longo das rotas. Com os três polos, o projeto amplia a possibilidade de atendimento a regiões como Campinas, Grande São Paulo, Baixada Santista, norte paulista, Sul de Minas e região de Uberlândia.
Para Jordano Bessa, diretor de novos negócios da TransJordano, o projeto nasceu justamente da percepção de que a falta de infraestrutura ainda limitava a adoção do combustível no transporte rodoviário. “Quando começamos a estudar o biometano, percebemos que um dos maiores obstáculos era não ter onde abastecer nas rotas. Como já tínhamos a experiência da GarageLog e operações importantes em Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto, desenhamos os três pontos e estruturamos o Corredor Verde. O que nasceu para atender nossa operação, hoje pode ser utilizado também por outros transportadores e contribuir para a descarbonização da logística”, reforçou.
O executivo lembrou que o desenvolvimento da iniciativa começou em junho de 2025 e envolveu estudos com fornecedores, análise de tecnologias, estruturação financeira e adequações para aumentar a autonomia dos caminhões. Os veículos receberam cilindros adicionais e poderão alcançar aproximadamente 700 quilômetros de autonomia, permitindo atender diferentes operações a partir dos polos do corredor.
Com a frota completa, o projeto deverá evitar aproximadamente 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano, segundo verificação independente do Bureau Veritas. A iniciativa também está relacionada às metas de redução das emissões de Escopo 3 de grandes embarcadores, uma vez que a substituição do diesel pelo biometano reduz as emissões associadas ao transporte dentro da cadeia de valor dos clientes.
Segundo Joyce Bessa, diretora de ESG e relações institucionais da TransJordano, a iniciativa evidencia como projetos ambientais precisam estar associados a planejamento, mensuração e capacidade de execução. “Chegar à inauguração do Corredor Verde significa transformar uma estratégia de descarbonização em uma estrutura concreta, que pode ser acompanhada e mensurada. Existe um trabalho muito grande por trás disso, envolvendo financiamento, tecnologia, operação, indicadores e muitas pessoas. Para nós, sustentabilidade precisa chegar à prática e produzir resultados que possam ser comprovados ao longo do tempo”, destacou.
Durante a programação, a Ultragaz, responsável pelo fornecimento do biometano utilizado no projeto, apresentou informações sobre o combustível e os aspectos de segurança relacionados ao abastecimento. A Scania destacou a evolução dos veículos a gás no Brasil e a importância da criação de infraestrutura para ampliar sua adoção, além da incorporação dos 100 caminhões G 460 6×4 à frota da TransJordano. A WLM Quinta Roda ressaltou o suporte à operação e anunciou a instalação de um ponto de manutenção dentro da GarageLog, além do atendimento aos veículos ao longo das rotas por meio da rede de concessionárias Scania preparada para essa tecnologia.








