Marcopolo na LatBus 2026

Marcopolo apresentam novas soluções em tecnologia, eficiência e baixa emissão na LatBus 2026

Novos modelos e tecnologias apresentados por Marcopolo e Volare apostam em eficiência operacional, segurança, conforto e alternativas de baixa emissão para diferentes perfis de transporte de passageiros

Redação TranspoData

Marcopolo, Divulgação

A evolução do transporte de passageiros passa cada vez mais por soluções capazes de combinar eficiência operacional, segurança, conforto e menor impacto ambiental. É nesse cenário que Marcopolo e Volare apresentam novidades que vão da renovação de modelos tradicionais à adoção de tecnologias de conectividade, eletrificação e combustíveis de menor emissão.

Entre os destaques estão o Torino 2027, desenvolvido para o transporte urbano, o G8 TEC, evolução da Geração 8 para operações rodoviárias, e o Attack 10 Híbrido, nova alternativa da Volare para a transição energética. A fabricante também amplia a oferta de transmissões automáticas e apresenta na Lat.Bus 2026 um portfólio voltado a diferentes perfis de operação.

Torino 2027 busca mais eficiência na operação urbana

Com mais de quatro décadas de trajetória, o Torino chega à versão 2027 incorporando mudanças desenvolvidas a partir da experiência de operadores, motoristas e passageiros. O projeto prioriza eficiência operacional, confiabilidade, facilidade de manutenção, ergonomia e conforto.

Uma das principais novidades está na arquitetura eletrônica do veículo. O Torino 2027 utiliza a arquitetura elétrica EVIA, associada a um novo sistema eletrônico de diagnóstico, painel de indicadores e aplicativo voltado à identificação de falhas. A proposta é facilitar as intervenções de manutenção e contribuir para reduzir paradas não programadas.

O modelo também recebeu acessos ampliados aos componentes mecânicos e elétricos, além de uma central elétrica redimensionada. As portas passaram por uma revisão completa e agora contam com folhas simétricas 30% mais leves, enquanto o novo sistema de acionamento busca reduzir desalinhamentos, vazamentos de ar e necessidade de regulagens.
Para os passageiros, as mudanças concentram-se principalmente em climatização, isolamento térmico e acústico e novos conjuntos de poltronas. O sistema de climatização foi desenvolvido com auxílio de simulações virtuais de fluxo e apresenta velocidade média do ar até 40% superior à geração anterior, favorecendo uma distribuição mais uniforme da temperatura.

O motorista também ganhou espaço no projeto. O posto de condução foi redimensionado, com melhorias de ergonomia, acesso aos comandos, armazenamento e campo de visão. O sistema de ventilação passa a contar com quatro difusores direcionáveis, enquanto o Defroster refrigerado, disponível na configuração Twin, acrescenta um desembaçador dedicado ao para-brisa.

G8 TEC leva tecnologia e eficiência para o transporte rodoviário

No segmento rodoviário, a Marcopolo apresenta o G8 TEC, evolução da Geração 8 que reúne recursos de segurança, conectividade, eficiência e conforto.

A tecnologia embarcada ganha espaço com sistemas como câmeras de visão eletrônica, monitoramento de 360 graus e o DMS, que utiliza visão computacional e inteligência artificial para identificar sinais de fadiga, distração, sonolência e comportamentos de risco do motorista.

No Paradiso G8 TEC 1800 DD, as câmeras ERV substituem os espelhos retrovisores convencionais e ampliam o campo visual, contribuindo para reduzir pontos cegos. O modelo também pode receber sistema de contagem de passageiros por visão computacional e módulo de armazenamento protegido para registro de imagens operacionais.
A eficiência também foi trabalhada na aerodinâmica. Um conjunto de slats desenvolvido em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), destinado ao Paradiso G8 TEC 1800 DD, passou por simulações, testes em túnel de vento e avaliações em operação. Os resultados indicaram potencial de redução de até 3,5% no consumo de combustível.

A sustentabilidade aparece ainda nos materiais utilizados no veículo. Cada unidade incorpora aproximadamente 3 mil garrafas PET pós-consumo em diferentes componentes, especialmente tecidos das poltronas e revestimentos internos. Segundo os estudos de ciclo de vida citados pela Marcopolo, esses materiais apresentam potencial de redução de até 60% nas emissões de CO₂, além de menor consumo de água durante a produção.

O conforto acompanha a evolução tecnológica. A linha recebeu novas soluções de iluminação, acabamentos, climatização e poltronas. Vidros escuros podem reduzir em até 35% a incidência de calor proveniente das superfícies envidraçadas, enquanto o sistema Ducto Smart busca distribuir o ar de maneira mais uniforme pelo salão.

Attack 10 Híbrido aposta na eletrificação sem depender de recarga dedicada

Na estratégia de baixa emissão, a Volare iniciou a comercialização do Attack 10 Híbrido, desenvolvido para operações que desejam reduzir emissões sem depender necessariamente de uma infraestrutura dedicada de recarga.

O modelo utiliza arquitetura Range Extender (REX), com tração 100% elétrica e geração de energia a partir de etanol. A propulsão é feita por um motor elétrico da WEG, alimentado por uma bateria de alta tensão de até 120 kWh. Já o motor HORSE H10 1.0 Turbo atua exclusivamente como gerador, sem conexão mecânica com as rodas.

De acordo com as informações divulgadas pela Volare, a configuração permite autonomia entre 500 e 650 quilômetros. O veículo também pode ser recarregado na tomada quando houver infraestrutura disponível, ampliando as possibilidades de uso.

O primeiro cliente do Attack 10 Híbrido é a Sertran Transportes, que realiza uma operação assistida na unidade Monteverde da bp bioenergy, em Ponta Porã (MS). Desde o segundo trimestre de 2026, o veículo participa de um programa de validação técnica que avalia desempenho, autonomia, eficiência energética e confiabilidade em condições reais de operação.

A solução ocupa, portanto, uma posição intermediária entre veículos convencionais e modelos totalmente elétricos, combinando tração elétrica com a flexibilidade proporcionada pela geração de energia a partir do etanol.

Volare amplia opções para diferentes operações

A estratégia da Volare não se limita ao Attack 10 Híbrido. Na LatBus 2026, a marca apresenta uma linha diversificada, com modelos voltados a transporte escolar, urbano, executivo, agronegócio, fretamento e operações severas.

Entre as alternativas de menor emissão está o Fly 10 GV, desenvolvido para operar com GNV ou biometano. O modelo integra a estratégia multitecnologia da marca, que busca oferecer diferentes opções de acordo com o perfil das rotas, disponibilidade energética e metas ambientais de cada operador.

A transmissão automática também ganha espaço no portfólio. O recurso passa a ser oferecido como opcional em modelos Attack e Fly, com a transmissão Allison T2100xFE aplicada a determinadas configurações. A tecnologia elimina a embreagem por meio de conversor de torque, automatiza as trocas de marcha e contribui para uma condução mais padronizada e confortável. A marca também expõe um Fly 10 GV equipado com a transmissão Allison T3270xFE_R. O conjunto conta com seis marchas, tecnologia xFE e retarder, além dos sistemas DynActive e FuelSense 2.0 para otimização das trocas de marcha.

Uma indústria orientada às diferentes realidades da operação

Embora tenham aplicações distintas, as novidades apresentadas pela Marcopolo e pela Volare seguem uma mesma direção: transformar tecnologia em ganhos concretos para quem opera, conduz e utiliza os veículos.

No urbano, o Torino 2027 concentra esforços em disponibilidade, manutenção, ergonomia e conforto. No rodoviário, o G8 TEC combina conectividade, segurança inteligente, eficiência aerodinâmica e novos materiais. Já o Attack 10 Híbrido amplia as alternativas para a redução de emissões ao utilizar tração elétrica associada à geração de energia por etanol.

O portfólio da Volare complementa esse movimento ao reunir soluções convencionais, transmissão automática, GNV, biometano e tecnologia híbrida. A proposta é permitir que diferentes operadores encontrem uma configuração compatível com suas rotas, infraestrutura e necessidades de operação.

Mais do que apresentar novos produtos, os lançamentos mostram uma indústria de ônibus cada vez mais direcionada à eficiência durante todo o ciclo de vida dos veículos. A combinação entre tecnologia, conforto, segurança, disponibilidade e novas alternativas energéticas passa a ocupar um papel central na evolução do transporte coletivo e rodoviário de passageiros.

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