LatBus 2026, a maior feira de transporte de passageiros da América Latina reúne fabricantes e fornecedores e apresenta novas soluções para a mobilidade urbana e rodoviária
Redação TranspoData
Imagem, Divulgação

A indústria de ônibus abriu nesta terça-feira (11), em São Paulo, uma nova janela para o futuro do transporte de passageiros. Começou a LatBus 2026, principal feira do segmento na América Latina, que reúne fabricantes de chassis, carrocerias, componentes e tecnologias no São Paulo Expo até quinta-feira (13).
Realizada em um momento de transformação do transporte coletivo, a edição deste ano tem a eletrificação entre os principais assuntos, mas mostra que a transição energética do setor brasileiro será marcada por diferentes tecnologias. Ônibus elétricos, modelos preparados para biocombustíveis, soluções a gás e veículos convencionais mais eficientes dividem espaço nos estandes das fabricantes.
A feira ocupa uma área de aproximadamente 45 mil m², 50% maior que a edição de 2024, projeção é de comercialização de cerca de 4.500 ônibus entre chassis e carrocerias e espera mais de 22 mil visitantes.
Eletrificação ganha espaço, mas não está sozinha


A corrida por soluções de menor emissão é um dos principais destaques da LatBus 2026. Entre as novidades apresentadas nesta terça-feira está o novo eCity, ônibus urbano elétrico da Mercedes-Benz desenvolvido sobre a plataforma do chassi OF. A proposta é ampliar o acesso à eletrificação também para cidades pequenas e médias, com uma solução que, segundo a fabricante, pode ter custo até 30% inferior ao de outras alternativas elétricas da marca. A previsão de inicio para as vendas é 2027.
A Volvo também ampliou sua oferta de veículos eletrificados. A fabricante apresentou na feira uma nova configuração 6×2 do ônibus elétrico BZR, preparada para carrocerias de 15 metros e capacidade de transportar até 110 passageiros. O modelo amplia o portfólio da marca para aplicações urbanas e opera com zero emissões de CO₂ durante o uso.
A Volkswagen Caminhões e Ônibus também chega ao evento com novidades na eletrificação, incluindo os chassis elétricos e-Volksbus 22H e 18H, voltados respectivamente para aplicações urbanas e de fretamento.


A presença crescente desses modelos mostra que o ônibus elétrico deixou de ocupar apenas um espaço experimental no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, fabricantes e operadores ainda precisam lidar com desafios como infraestrutura de recarga, investimento inicial, disponibilidade de energia e adequação dos veículos às diferentes características das operações.
Biocombustíveis entram na disputa pela descarbonização
A LatBus também evidencia que a transição energética não está limitada à eletricidade.
A Volvo apresentou o chassi B320R 6×2 B100 Flex, destinado a carrocerias de 15 metros e sistemas BRT. O modelo pode operar com diesel ou B100, em qualquer proporção, permitindo uma transição mais gradual para o uso de biocombustíveis. Quando abastecido exclusivamente com B100, a fabricante estima redução de até 90% nas emissões.
A estratégia amplia as possibilidades para operadores que precisam reduzir emissões, mas ainda não estão preparados para uma mudança completa para a propulsão elétrica. Nesse cenário, combustíveis renováveis podem funcionar como uma alternativa de implementação mais rápida, especialmente em sistemas que já possuem infraestrutura consolidada para veículos convencionais.
A Marcopolo segue a mesma lógica de diversificação tecnológica. A fabricante, maior expositora da edição, leva à feira 33 veículos, incluindo modelos elétricos, híbridos, a gás natural, biometano e diesel alinhados ao padrão Euro VI.
A Iveco também aproveita a LatBus para ampliar sua presença no mercado de ônibus. A fabricante apresentou o novo IVECO BUS 17-210, equipado com motor de quatro cilindros de 210 cv e 720 Nm de torque. O modelo amplia as opções da marca para diferentes aplicações, incluindo operações urbanas, rodoviárias e de fretamento.
A Scania também reforça essa estratégia de diversificação. A fabricante apresenta na LatBus a expansão da tecnologia Super para os chassis rodoviários, levando ao segmento de ônibus a proposta de motores de alta eficiência já conhecida nos caminhões da marca. Entre os destaques está ainda o K 280 4×2, desenvolvido em parceria com a Caio para operações urbanas com gás natural e biometano.


Novos produtos miram eficiência e disponibilidade
Além das tecnologias de propulsão, os fabricantes aproveitam a LatBus 2026 para apresentar soluções voltadas à eficiência operacional, conectividade, conforto e manutenção.
Um dos lançamentos de destaque da Marcopolo é o Torino 2027, nova geração do tradicional ônibus urbano. O modelo incorpora uma nova arquitetura eletrônica e recursos que permitem realizar diagnósticos por meio de dispositivos móveis conectados ao veículo via Bluetooth, facilitando a identificação de falhas e os processos de manutenção.


A novidade reforça uma tendência que vai além da motorização: operadores passam a considerar cada vez mais a disponibilidade do veículo, a facilidade de manutenção e a tecnologia embarcada como fatores importantes para reduzir o tempo de parada e o custo total de operação.
Feira também mira recuperação do mercado


Além das tecnologias, a LatBus acontece em um momento em que a indústria busca recuperar ritmo de vendas e acelerar a renovação das frotas brasileiras.
O envelhecimento dos veículos em circulação, a necessidade de modernização dos sistemas urbanos e programas públicos de renovação ajudam a sustentar as perspectivas para o mercado. A própria indústria vem apontando a renovação de frota e iniciativas governamentais como fatores capazes de estimular novos negócios ao longo de 2026.
Esse cenário dá à feira uma função que vai além da apresentação de produtos. Para fabricantes e fornecedores, o evento representa uma oportunidade de transformar lançamentos em contratos, aproximar-se de operadores e apresentar soluções que respondam aos desafios financeiros e operacionais enfrentados pelo transporte coletivo.
A Marcopolo, por exemplo, aproveita a LatBus para apresentar o programa Pronta-Entrega, criado para disponibilizar determinados veículos para aquisição imediata e reduzir o tempo tradicional entre a negociação e a entrega. A iniciativa responde a uma demanda crescente dos operadores por maior previsibilidade e rapidez na renovação das frotas.
Mais do que uma disputa entre diferentes fabricantes, a edição 2026 da LatBus mostra que o futuro do transporte de passageiros será composto por diferentes soluções. A eletrificação avança e ganha novos modelos, enquanto biocombustíveis, gás e tecnologias de eficiência continuam desempenhando papel importante na redução das emissões. Ao mesmo tempo, conectividade, segurança, conforto e disponibilidade dos veículos passam a pesar cada vez mais na decisão de compra dos operadores.
Até quinta-feira, novos lançamentos e anúncios ainda devem movimentar a feira. O desempenho comercial do evento também será um indicador importante sobre o apetite das empresas por renovação de frota e sobre o ritmo de recuperação do mercado de ônibus no Brasil.
Para a indústria, a principal mensagem desta edição é clara: a transformação do transporte coletivo já começou, mas não seguirá um único caminho. A combinação entre novas tecnologias, fontes alternativas de energia e renovação da frota deverá definir a próxima etapa da mobilidade por ônibus no país.













