Marca apresenta novos chassis de 15 metros, um movido a B100 e outro 100% elétrico, ampliando alternativas para cidades que buscam reduzir emissões sem abrir mão de capacidade e eficiência operacional
Redação TranspoData
Volvo, Divulgação
A Volvo amplia sua oferta de soluções para a descarbonização do transporte coletivo na LatBus 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, em São Paulo. Entre os destaques apresentados pela marca estão duas novas configurações de chassis urbanos de 15 metros: o B320R 6×2 B100 Flex, preparado para operar com diesel ou B100, e o BZR 6×2, versão elétrica com capacidade para transportar até 110 passageiros.
Embora utilizem tecnologias distintas, os dois modelos fazem parte da mesma estratégia: oferecer aos operadores e gestores públicos alternativas para reduzir as emissões do transporte urbano de acordo com as características de cada operação.
B100 Flex amplia alternativas aos sistemas BRT

O novo B320R 6×2 B100 Flex foi desenvolvido para receber carrocerias de 15 metros e transportar até 120 passageiros. Segundo a Volvo, o modelo é o único no Brasil com flexibilidade para operar com diesel ou B100 (biocombustível puro) em qualquer proporção.
Quando abastecido exclusivamente com B100, o veículo pode alcançar redução de até 90% nas emissões, de acordo com a fabricante. A proposta é oferecer uma alternativa de implementação mais rápida para cidades que buscam avançar na descarbonização paralelamente à adoção de ônibus elétricos.
Uma das características destacadas pela Volvo é justamente a flexibilidade energética. O mesmo veículo pode utilizar o diesel disponível atualmente no mercado, permitindo ao operador alternar entre os combustíveis conforme a disponibilidade e as necessidades da operação.
Para a fabricante, essa característica também contribui para preservar o valor do ativo ao longo do tempo, já que o chassi não fica restrito a um único combustível.


Com terceiro eixo de fábrica, o B320R 6×2 foi concebido para operações de alta capacidade. A configuração permite transportar até 120 passageiros e, segundo a Volvo, oferece capacidade próxima à de um ônibus articulado, mas com custos de aquisição e manutenção potencialmente menores por passageiro transportado.
O terceiro eixo é direcional e utiliza um sistema eletro-hidráulico desenvolvido pela Volvo. A solução foi incorporada ao modelo urbano para facilitar as manobras e garantir um raio de giro adequado tanto para corredores de transporte quanto para operações em vias de tráfego intenso.
O chassi pode ser configurado com piso alto ou entrada baixa, permitindo sua aplicação em diferentes sistemas de transporte e possibilitando layouts variados de carroceria.
Sob o capô está o motor D8K, com 320 cv de potência e torque de 1.200 Nm. O conjunto compartilha uma arquitetura de engenharia com motores utilizados nos caminhões Volvo VM, característica que, segundo a marca, favorece a disponibilidade de peças e a manutenção em sua rede de concessionárias.
BZR 6×2 leva propulsão elétrica aos 15 metros


Enquanto o B320R aposta no biocombustível, a Volvo amplia sua linha de ônibus elétricos com o BZR 6×2, desenvolvido para receber carrocerias de 15 metros e transportar até 110 passageiros, conforme o layout interno. A configuração é voltada a cidades que buscam zerar as emissões no transporte coletivo, mas que não têm demanda suficiente para operar veículos articulados.
Com isso, o BZR passa a ocupar uma faixa intermediária entre os ônibus convencionais e os articulados de 18 e 21 metros, oferecendo maior capacidade sem exigir o porte de um veículo articulado.
A arquitetura foi desenvolvida de forma integrada pela Volvo, sem adaptações posteriores. Chassi, suspensão, freios, motores elétricos, transmissão, baterias e demais sistemas foram projetados para trabalhar em conjunto. A engenharia também mantém características presentes nas versões a diesel da marca, como o quadro de chassi, freios e eixos, facilitando a familiaridade e a manutenção por parte dos operadores.
A suspensão pneumática traseira utiliza seis bolsas, contribuindo para o conforto, a estabilidade e a segurança durante a operação. Outro recurso compartilhado com o B320R é o terceiro eixo direcional com acionamento eletro-hidráulico, que melhora a capacidade de manobra em corredores de BRT, terminais e vias urbanas com espaço reduzido.


Na parte energética, o BZR 6×2 incorpora a segunda geração das baterias Volvo do tipo “cube”. Compactas e com alta densidade energética, elas podem ser instaladas em diferentes posições no chassi, favorecendo a distribuição de peso e oferecendo mais flexibilidade para o encarroçamento.
A configuração pode receber de quatro a seis baterias, de acordo com as necessidades da operação. Com autonomia de até 300 quilômetros, o veículo suporta carregamento de alta potência de até 250 kW via CCS2, com recarga completa em até duas horas.
A tecnologia embarcada também inclui a terceira geração do Sistema de Segurança Ativa (SSA3). A solução combina radar, câmeras de alta definição e algoritmos de inteligência artificial para monitorar o trânsito e o entorno do ônibus. Nesta geração, o sistema amplia o campo de visão para as laterais e áreas críticas de pontos cegos, reforçando a proposta da Volvo de avançar em direção ao conceito de “Zero Acidentes”.
Duas tecnologias para uma mesma transição




Com o B320R 6×2 B100 Flex e o BZR 6×2, a Volvo amplia a variedade de caminhos disponíveis para a redução das emissões no transporte coletivo.
De um lado, o B100 Flex permite utilizar a infraestrutura já existente para diesel e incorporar gradualmente o biocombustível à operação. De outro, o BZR 6×2 atende cidades que buscam uma solução totalmente elétrica para veículos de maior capacidade, sem necessariamente partir para um ônibus articulado.
As duas novidades se somam à linha de chassis elétricos da Volvo, que inclui BZL, BZR 4×2 e 6×2, BZRT articulado e BZRT biarticulado. A estratégia está alinhada ao compromisso da fabricante de zerar as emissões de origem fóssil em seus veículos até 2040.
O B320R 6×2 B100 Flex é produzido na unidade da Volvo em Curitiba (PR) e integra o ciclo de R$ 2,5 bilhões em investimentos no Brasil entre 2026 e 2028, com parcela significativa dos recursos destinada à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, principalmente em descarbonização.
Na prática, a presença dos dois novos chassis na Lat.Bus 2026 mostra que a transição energética do transporte coletivo não segue um único caminho. Para a Volvo, diferentes cidades e operações exigem diferentes soluções e a ampliação do portfólio busca justamente oferecer alternativas que combinem capacidade, eficiência operacional e redução de emissões.
