O e-commerce, que já vinha em expansão acelerada antes da pandemia, disparou no ano passado. De acordo com dados da Câmara Brasileira da Economia Digital, no em 2020 as vendas pela internet (com entrega em casa) cresceram 73,8% em relação a 2019. Comparando só dezembro com dezembro, mês de maior fluxo de vendas, 2020 registrou aumento de quase 55% comparando com o ano anterior.

“Mesmo com a flexibilização e abertura das lojas do varejo físico para um cenário mais semelhante ao observado antes da pandemia, os dados de dezembro comprovam que as compras online tornaram-se um hábito dos consumidores brasileiros”, diz André Dias, coordenador do Comitê de Métricas da entidade. Outro indicador importante são as vendas registradas na última sexta-feira de novembro, conhecida como “Black Friday”. De acordo com levantamento feito pelo Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), na Black Friday do ano passado as vendas em lojas físicas tiveram queda de 25%, enquanto, no e-commerce, houve expansão de 21%.

A expansão vertiginosa do e-commerce durante a pandemia pode, contudo, se tornar tendência. De acordo com dados da 42ª edição do Webshoppers, estudo sobre e-commerce do País elaborado semestralmente pela Ebit|Nielsen, em parceria com a Elo, no primeiro semestre do ano passado o setor registrou volume de negócios da ordem de 38,8 bilhões de reais, registrando crescimento recorde de 47% em comparação com o mesmo período de 2019. Desde 2011, ano a ano, a expansão é contínua e fica, em média, na ordem de 12%.

O volume de transporte de cargas no perímetro urbano teve um aumento de 20% no primeiro semestre do ano passado de acordo com dados divulgados pela Pathfind, empresa de software para cadeia logística, considerando movimentações de carga em todo o Brasil. Os números da empresa mostram que mais de 60 milhões de quilômetros por mês dos clientes era na proporção de 90% rodoviário e 10% urbano antes da pandemia. Contudo, em agosto de 2020, essa relação mudou para 70% (rodoviário) e 30% (urbano).


De acordo com levantamento da empresa, a tendência é que o transporte urbano cresça ainda mais a ponto dessa relação ser 50% rodoviário e 50% urbano. Os emplacamentos de veículos comerciais no Brasil corroboram com essa previsão.

Com a comercialização de mais de 2,5 mil unidades por mês, os veículos comerciais que operam na distribuição urbana só perdem em volume para os caminhões pesados estradeiros. Esses caminhões são divididos em três categorias: semi-leves, leves e médios. Grande parte desses produtos são vocacionados para trabalharem na logística urbana. Esses três segmentos são totalmente dominados por duas fabricantes: Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Nos semi-leves (basicamente veículos de 6 toneladas), que são os veículos empregados essencialmente na movimentação de cargas dentro das cidades, os furgões Sprinter 416, da Mercedes-Benz, são as grandes vedetes respondendo por mais de 50% dos emplacamentos. Em segundo lugar, com cerca de 20% do segmento, vem seu irmão de maior porte, a Sprinter 516. Esse segmento, contudo, não é tão forte e emplaca, em média mensal, 550 veículos.

Com capacidade um pouco acima estão os caminhões classificados como “Leves” (entre 9 e 12 toneladas de capacidade de carga). Esse segmento é mais forte e gira em torno de 950 unidades mensais. A Mercedes-Benz também o domina com o modelo Accelo 1016 com 1.396 unidades vendidas neste ano (de janeiro a maio) marcando 31,95% deste segmento mas é seguida bem de perto e muitas vezes perde a liderança para o VW Delivery 9-170 que cravou 1.389 veículos emplacados nos cinco primeiros meses deste ano ficando com 31,78% de participação no segmento.


E ainda há o segmento de Médios com emplacamentos mensais na média de 850 unidades. Aqui a Volkswagen Caminhões e Ônibus nada de braçada e domina por completo com dois produtos da Família Delivery: o 11-180 e o 13-180, sendo que o primeiro lidera com 54,25% deste segmento.

Na lida da logística urbana entram também em cena caminhões menores, classificados tecnicamente como caminhonetas, aqueles que podem ser conduzidos com o motorista habilitado com CNH categoria “B”. Nesta categoria há uma profusão de marcas e uma certa confusão pois os produtos de até 3,5 toneladas se confundem com pick-ups, muitas das quais são utilizadas unicamente como automóveis de passeio.

Nesta categoria específica, quando pensamos em logística urbana, o líder imbatível é a Fiat Fiorino (substituta da Kombi) com vendas mensais sempre acima de 3 mil unidades. Em segundo lugar vem a Hyundai HR com mais de mil unidades mês e, em terceiro, se revezam Iveco Daily 35-150 e VW Delivery Express com cada modelo emplacando pouco mais de 900 unidades mês. Furgões da Renault e Pegeout vendem igualmente bem neste segmento, com média mensal acima de 750 unidades. Outras marcas como Foton, Kia, Effa e Jac também brigam por fatias deste gordo mercado que segue em franca expansão.


Diz Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, “a VWCO enxerga uma oportunidade muito grande, que não tem volta, para o segmento de e-commerce para o transporte urbano no Brasil. Estimulado principalmente pelo consumidor online e acelerado com a pandemia que o mundo está vivenciando, o fluxo de entregas e solicitações de transportes pelas empresas do segmento e-commerce cresceram consideravelmente e não param de crescer. A característica que vem tomando força e que impulsiona esse segmento são os prazos de entregas cada vez menores, que já é uma realidade em grandes varejistas”.

De acordo com o executivo, a Volkswagen tem uma linha completa de veículos que atendem as legislações de mobilidade urbana: a Família Delivery atende o segmento desde o veículo de 3,5ton até o caminhão de 13 toneladas na configuração VUC (Veículo Urbano de Carga). “Os caminhões com maior aceitação neste segmento é da Família Delivery: Delivery Express DLX, Delivery 4.160, Delivery 6.160 e Delivery 11.180”.

Para Alcides Braga, presidente da Truckvan, empresa cujas vendas de implementos aos frotistas que operam com logística urbana representam 20% de seu faturamento, a expectativa é que o e-commerce cresça ainda mais exigindo novos produto específicos para logística urbana.

Até a Randon, líder nacional na venda de implementos rodoviário, sempre mais voltada aos pesados, agora já tem produtos específicos para operação urbana. A empresa lançou no ano passado furgão de carga geral e um sider, ambos produtos orientados à logística urbana.


“O mercado de logística urbana e e-commerce é extremamente relevante para o negócio da Randon Implementos. Neste ano, percebemos que a demanda permaneceu aquecida, o que foi fundamental para os resultados da companhia. Adicionalmente, os setores ligados a venda de bens de consumo, especialmente por meio do e-commerce, vêm sendo os grandes responsáveis pela forte demanda por fretes no País”, comenta Sandro Trentin, diretor geral da Randon Implementos e diretor da divisão Montadora das Empresas Randon.

Trentin acrescenta que a empresa já tinha um produto tradicional neste segmento, conhecido como “sobre chassi”. A demanda dos frotistas que atuam em logística urbana anda tão aquecida que a Randon tem planos de aumentar sua estrutura para atender esse segmento. “Vamos dedicar plantas exclusivas para atender esse segmento”.

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