Estrutura em Bom Jesus aproxima estoques das áreas produtoras e deve gerar mais de 50 empregos diretos
Redação TranspoData
Foto Kothe, Divulgação
A Kothe, companhia especializada em soluções logísticas, investiu R$ 40 milhões na implantação de um novo centro de distribuição (CD) em Bom Jesus, no Sul do Piauí. A operação integra o Projeto Raízes, plano de expansão da infraestrutura logística da empresa no Matopiba. A estratégia é ampliar a presença em uma das principais fronteiras agrícolas do país e aproximar estoques e serviços logísticos dos polos produtores.
Instalada em um terreno de 50 mil m², a nova estrutura possui 11,4 mil m² de área construída, 15.512 posições-palete e 16 docas, além de áreas para armazenagem convencional e climatizada. A unidade foi projetada principalmente para operações com sementes, defensivos, produtos biológicos e fertilizantes.
A chegada da companhia a Bom Jesus acompanha o avanço da atividade agrícola no Piauí e a consequente necessidade de infraestrutura logística próxima às regiões produtoras. Em 2025, enquanto o PIB da agropecuária brasileira avançou 11,7%, a produção de milho no Piauí cresceu 22,5%, e o estado alcançou recorde histórico de área plantada de soja. “O agronegócio trabalha com janelas muito específicas. Não basta transportar um produto de um ponto a outro: é preciso ter o estoque no lugar certo, preservar as condições adequadas de armazenagem e conseguir responder rapidamente às necessidades do cliente”, afirma Paulo Kothe, diretor de logística.
Estoque mais perto do produtor
A escolha de Bom Jesus está diretamente relacionada à localização do município no Cerrado piauiense e à proximidade com importantes áreas produtoras do Sul do estado. A estratégia é encurtar a distância entre estoques, infraestrutura logística e clientes do agronegócio.
A unidade permitirá integrar armazenagem, gestão de estoques, transporte e distribuição em uma mesma operação. O CD também foi preparado para oferecer entregas expressas, retirada direta pelo cliente e uma doca dedicada a operações rápidas.
O modelo busca responder a uma particularidade relevante do setor agrícola: além da sazonalidade e das janelas de plantio, diferentes produtos exigem condições específicas de conservação. No segmento de sementes, por exemplo, temperatura e armazenagem são fatores importantes para preservar qualidade e viabilidade. Por isso, o novo CD combina estruturas convencionais e refrigeradas.
A operação também utiliza SAP EWM para gestão de armazém, sistemas de rastreabilidade e controle de estoque, além de monitoramento e visibilidade das operações. “No agro, logística significa entender a safra e a necessidade do produtor. Sementes, biológicos, defensivos e fertilizantes possuem características diferentes e não podem ser tratados como uma carga convencional. A estratégia é combinar conhecimento do setor, armazenagem especializada, tecnologia e transporte para deixar o produto mais próximo do produtor no momento em que ele precisa”, explica Paulo Kothe.
Movimento na economia
Além de ampliar a infraestrutura destinada ao agronegócio, a nova operação deve ter reflexos na economia local. A expectativa da companhia é gerar mais de 50 empregos diretos em Bom Jesus.
A instalação de uma operação logística desse porte também demanda uma rede de serviços que inclui transporte, manutenção, segurança, alimentação, limpeza e tecnologia, entre outras atividades. A Kothe abriu processo de recrutamento para a nova unidade com a intenção de ampliar a participação de profissionais da região.
“Quando implantamos uma operação como essa, o impacto não fica restrito ao armazém. Existe uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços que passa a atender a unidade. Queremos crescer junto com a região e formar uma operação cada vez mais conectada à economia local”, acrescenta Paulo Kothe.
Bom Jesus é parte de uma estratégia mais ampla de expansão da companhia nas regiões Norte e Nordeste. Atualmente, a Kothe possui 18 armazéns e uma frota própria superior a 1,5 mil veículos, com tecnologia embarcada e monitoramento das operações.
A projeção de crescimento anual entre 8% e 12% no faturamento bruto acompanha a estratégia de expansão da companhia. Nesse cenário, o Matopiba é considerado uma região estratégica e tende a ganhar relevância nas operações à medida que a empresa amplia sua infraestrutura e presença comercial.
A companhia continuará avaliando novas oportunidades de expansão de acordo com o avanço da demanda, a dinâmica do agronegócio e as necessidades dos clientes. “O crescimento da produção agrícola precisa ser acompanhado pelo desenvolvimento da infraestrutura que atende essa produção. Temos visão de longo prazo. Bom Jesus amplia a capacidade de estarmos perto dos clientes e nos prepara para acompanhar o desenvolvimento do agronegócio na região nos próximos anos”, projeta.








