Estrutura reúne certificações internacionais e contabilizou mais de 18 mil ensaios entre 2020 e 2026
Redação TranspoData
Foto Cummins, Divulgação
Em 1986, quando a Cummins iniciou as atividades dos primeiros laboratórios de desenvolvimento e validação de motores em Guarulhos (SP), criar um novo modelo era um processo muito diferente do atual. A instalação em bancada podia consumir praticamente um dia inteiro, a instrumentação era predominantemente analógica e grande parte das medições era realizada manualmente. Na avaliação das emissões, a opacidade da fumaça ainda era um dos principais parâmetros analisados, muito antes da chegada dos modernos sistemas capazes de medir com precisão cada poluente emitido.
Passadas quatro décadas, a estrutura transformou-se no Centro Técnico Brasil, ou BTC (na sigla em inglês, Brazil Technical Center), um dos principais polos de engenharia da Cummins no mundo. Hoje, o centro desenvolve, valida e apoia a certificação de tecnologias destinadas às aplicações rodoviárias, fora de estrada, geração de energia e outras aplicações industriais, acompanhando a evolução da indústria automotiva e preparando soluções para os próximos ciclos regulatórios e para a transição energética.
Essa transformação acompanhou a própria evolução dos motores. A introdução da eletrônica embarcada, dos sistemas de controle de emissões, do pós-tratamento, da conectividade e das diferentes rotas energéticas ampliou a complexidade do desenvolvimento dos produtos. “O BTC sempre esteve alguns anos à frente dos produtos que chegam ao mercado. Antes que um novo motor entre em produção, ele já passou por milhares de horas de desenvolvimento e validação aqui. A missão sempre foi antecipar desafios e garantir que cada tecnologia esteja preparada para enfrentar as condições reais de operação”, afirma Raphael Lomonaco, líder do BTC.
O papel da unidade mudou profundamente. Hoje, participa diretamente do desenvolvimento de novos produtos, da validação de componentes, da definição de calibrações, da nacionalização de sistemas e da construção de metodologias que apoiam programas globais da Cummins.
As condições de operação encontradas na região tiveram papel decisivo nessa evolução. Diferenças de altitude, topografia, clima, qualidade dos combustíveis, longas distâncias percorridas, sobrecargas e diferentes perfis de utilização exigiram soluções específicas de engenharia. Os procedimentos desenvolvidos para validar motores nessas condições passaram a gerar conhecimento incorporado a programas internacionais da Cummins.
Essa evolução também acompanhou as sucessivas mudanças nas legislações ambientais. A cada novo ciclo regulatório, os motores tornaram-se mais eficientes e, ao mesmo tempo, mais complexos. O laboratório acompanhou esse movimento, incorporando analisadores de gases de alta precisão, sistemas para medição de material particulado, dinamômetros transientes, salas climatizadas, equipamentos para medições de emissões em condições reais de operação e infraestrutura capaz de reproduzir diferentes cenários ambientais e operacionais.
Preparado para diferentes mercados

Atualmente, o BTC reúne competências para atuar em projetos destinados às legislações Euro III, Euro V e Euro VI, sustentadas por certificações internacionais junto ao Vehicle Certification Agency (VCA), do Reino Unido. O centro também foi reconhecido pelo VCA como aderente aos requisitos da ISO 17025, tornando-se a primeira unidade técnica da Cummins no mundo a conquistar esse reconhecimento em conjunto com a autoridade britânica. A estrutura ainda atende aos requisitos da ISO 17034, fortalecendo a rastreabilidade, a repetibilidade e a confiabilidade dos resultados produzidos.
Outro avanço foi a preparação do BTC para conduzir ensaios conforme requisitos de legislações norte-americanas. Esse processo envolveu investimentos em infraestrutura, atualização de equipamentos, desenvolvimento de metodologias, qualificação das equipes e adequação dos processos laboratoriais aos padrões regulatórios dos Estados Unidos.
A ampliação da infraestrutura também se refletiu no volume de atividades desenvolvidas. Entre 2020 e 2026, o centro técnico contabilizou mais de 18,4 mil ensaios voltados ao desenvolvimento, homologação, certificação, auditorias e programas de conformidade de produção. Entre 2021 e 2025, o volume anual de ensaios cresceu aproximadamente 300%. Os indicadores também mostram a abrangência da atuação, com 48% dos ensaios relacionados às exigências do Proconve, enquanto 43% atendem às legislações Euro III, Euro V e Euro VI adotadas por diferentes mercados da América Latina.
Investimentos ampliaram a modernização
Nos últimos cinco anos, aproximadamente US$ 6,2 milhões foram investidos na modernização da unidade. Os recursos contemplaram novos equipamentos laboratoriais, ampliação da capacidade de ensaios, infraestrutura destinada às novas legislações, projetos ambientais, segurança operacional, digitalização e preparação para futuras demandas regulatórias. O conjunto permite reproduzir condições severas de utilização, incluindo simulações equivalentes a 5.200 metros de altitude e temperaturas de até -22 C, reproduzindo cenários encontrados em diferentes regiões da América Latina.
A evolução da infraestrutura também foi acompanhada pela digitalização dos processos laboratoriais, com a adoção de soluções voltadas à automação da análise de dados, ao monitoramento dos ensaios e aumento da confiabilidade das avaliações realizadas pelo BTC. As soluções fornecem informações em tempo real sobre indicadores operacionais, apoiam a manutenção, reduzem desperdícios e ampliam a eficiência e a confiabilidade dos ensaios.
A modernização reflete a estratégia global Destino ao Zero, que orienta a evolução das operações e das tecnologias desenvolvidas pela Cummins. Na unidade, esse compromisso também se traduz em investimentos voltados à eficiência energética, redução do consumo de água e diminuição das emissões associadas às atividades de desenvolvimento e validação de motores.








