Fábrica (1)

Marcopolo supera receita de R$ 9 bilhões

Resultado do ano passado teve forte influência do mercado externo

Roberto Hunoff

Foto Marcopolo, Divulgação

A Marcopolo consolidou, em 2025, o quarto ano de evolução contínua. A fabricante de carrocerias de ônibus e trens para passageiros atingiu receita líquida consolidada de R$ 9,06 bilhões, crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior, e lucro líquido de R$ 1,23 bilhão, alta de 1,1%.

As receitas provenientes do mercado externo foram o grande destaque do ano. As exportações a partir do Brasil cresceram 31,1%, totalizando R$ 1,14 bilhão, enquanto a receita das unidades fabris no exterior aumentou 32,3%, alcançando R$ 2,96 bilhões. Somados, os negócios internacionais representaram 45,4% da receita líquida total da Marcopolo, avanço significativo sobre os 36,3% registrados em 2024. No mercado interno, a empresa apurou receita líquida de R$ 4,94 bilhões, recuo de 9,7% na comparação com 2024.

Na composição da receita líquida consolidada, as carrocerias participaram com 74,1%, quatro pontos acima do ano anterior. A participação da Volare caiu de 21,1% para 18,3%, assim como as receitas de peças, do Banco Moneo e de chassis, 8,2% para 7,6%.

A produção consolidada de 2025 totalizou 15.024 unidades, volume muito próximo das 15.289 fabricadas no ano anterior, refletindo a acomodação do mercado interno, que foi compensada pelo avanço nos mercados internacionais. A companhia manteve sua liderança no mercado brasileiro.

Nas plantas do Brasil foram produzidas 12.309 unidades, recuo de 5,1%. Destas, 10.861 ficaram no mercado nacional, queda de 8%, e 2.102 foram exportadas, incremento de 52,2%. No exterior foram montadas 2.715 carrocerias, expansão de 17,2%. A Argentina foi a que apresentou o melhor resultado, com 578 unidades e aumento de 230%. A planta do México foi a única com saldo negativo, de 13,4% e 920 carrocerias produzidas. China (56% e 197 unidades), África do Sul (8,7% e 449 unidades) e Austrália (5,7% e 571 unidades) apuraram altas.

Refletindo a estratégia de inovação e expansão global, a companhia alcançou avanços com o lançamento de novos modelos na Busworld, principal feira do setor na Europa, e avançou na produção local dos ônibus G8 nas fábricas na África do Sul, China e México. O período marcou ainda a primeira exportação da Marcopolo Rail, com a entrega de três composições de trens para o Chile.

O CFO Pablo Motta destacou que o ano de 2025 demonstrou a resiliência e o acerto da estratégia global da companhia. “Alcançamos resultados recordes em operações importantes como na Argentina e na Austrália, que, somados ao crescimento das exportações, foram fundamentais para equilibrar os desafios de um mercado interno impactado pelos juros altos. Essa diversificação geográfica, aliada a um mix de produtos variado, demonstra nossa capacidade de gerar valor de forma sustentável”, avalia.

Projeções para 2026

Para este exercício, a Marcopolo projeta recuperação gradual do mercado brasileiro a partir do segundo semestre, impulsionada pela expectativa de redução nas taxas de juros. A empresa vê oportunidades na renovação de frotas de ônibus urbanos, onde espera ampliar as entregas de veículos com propulsões alternativas, e no segmento de micros, com a continuidade de programas governamentais como o Caminho da Escola e entregas para o Ministério da Saúde.

As operações internacionais seguem como pilar estratégico, com destaque para a carteira de pedidos robusta na Austrália, que inclui um grande volume de ônibus elétricos. A companhia continuará investindo em inovação, com a homologação de modelos para o mercado europeu, no avanço das entregas de micros para a América do Norte e na consolidação de sua presença em novos segmentos, como o ferroviário.

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