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Um furgão sob medida para se dar bem na logística urbana

Toyota Hiace chega com moral e bons atributos técnicos para brigar em um novo nicho de mercado

Mauro Cassane

TranspoData, Divulgação

A Toyota finalmente expandiu sua presença no mercado brasileiro de utilitários com o lançamento do Hiace Furgão, após a estreia da versão Minibus em setembro de 2025. Importada da Argentina, a Hiace chega para desafiar um segmento consolidado e vai disputar mercado em um nicho estratégico ainda pouco explorado: um vácuo entre os furgões médios pequenos como os ocupados atualmente por Fiat Scudo e Citröen Jumpy, na faixa de 6.100 litros de capacidade de carga, e os furgões maiores, mais convencionais, cuja capacidade chega a como Ducato e Sprinter, que chegam a 11.500 litros.

A Hiace, com teto alto, fica se posiciona no meio dessas duas categorias. A capacidade dela é de 9.300 litros. Não é pequena, nem grande. É um meio termo. E pode ser que a Toyota, novata neste negócio de veículos genuinamente de carga e transporte de passageiros, tenha sido bem assertiva em sua estratégia.

Avaliamos a versão furgão. Pode ser pilotada com CNH categoria B. E vamos logo ao que interessa: é um furgão de respeito para trabalhar com entregas urbanas. Forte, robusto, confortável e de dirigibilidade eficiente. Você pode rodar numa boa por seis ou sete horas sem cansar. Transpodata avaliou a versão topo de linha com transmissão automática de seis velocidades. Custa pouco mais de 300 mil reais mas este modelo, com certeza, oferece uma boa relação na equação custo/benefício.

A robustez do Hiace vem diretamente da engenharia da sua irmã picape Hilux. Compartilham chassi e conjunto mecânico. Em nossa avaliação submetemos o modelo a uma operação real de mais de 500 km, mesclando 60% de rodovias e 40% de trechos urbanos entre a capital paulista e cidades do interior, carregando pouco mais de 400 kg.

O primeiro ponto que chama a atenção é o acesso à carga. A Hiace se destaca positivamente por oferecer quatro portas: duas laterais corrediças (uma vantagem competitiva rara no segmento) e uma traseira bipartida. Embora as portas traseiras pudessem oferecer uma abertura de 270 graus para facilitar o encosto em docas — atualmente abrem apenas de forma alinhada ao baú, a versatilidade das duas portas laterais compensa essa limitação no dia a dia urbano.

O coração da Hiace é o seu maior trunfo: o conjunto mecânico herdado da Hilux, como mencionei acima, é de respeito. Trata-se do motor 2.8 turbodiesel de quatro cilindros, fabricado pela própria Toyota em sua planta de Zárate, na Argentina. Para o furgão, o propulsor foi recalibrado para entregar 174 cv de potência e 45,8 mkgf de torque. É o suficiente para ser ágil nos centros urbanos, eficiente nas estradas e ligeiro em operações com muitas subidas.

Esse trem de força já consagrado nas picape da marca, aliado à tração traseira, mostrou-se absolutamente confiável e com desempenho acima da média durante nossos testes em subidas acentuadas no interior paulista.

A transmissão é a automática de seis velocidades com modo manual, também de fabricação Toyota (sistema AISIN), o que confere um conforto de condução para a categoria. A Toyota oferece a opção manual, mas para logística urbana vale mesmo a pena o investimento a mais para ficar com trocas automáticas de marchas.

Em nossa operação de dois dias, chegamos a rodar seis horas seguidas sem sinal de cansaço excessivo. A presença do câmbio automático, somada à ergonomia eficiente e ao cockpit generoso, transforma a rotina do motorista e do ajudante, tornando o trabalho menos extenuante que em modelos manuais.

A suspensão segue a receita das picapes, com sistema McPherson na dianteira e eixo rígido com feixes de molas na traseira. Essa configuração garantiu silêncio a bordo e uma sensação de segurança e estabilidade notáveis, mesmo em curvas mais fechadas com carga. Além disso, a manobrabilidade em espaços exíguos na capital foi facilitada pela boa câmera de ré e pela agilidade do conjunto, permitindo manobras precisas em docas apertadas.

No quesito economia, a Hiace entregou números consistentes. Enquanto o Inmetro aponta 8,8 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada, em nossa medição combinada (com uso intenso em áreas íngremes), alcançamos a média de 9,8 km/l. É um resultado competitivo para um veículo desse porte com câmbio automático, reforçando o argumento de custo/benefício que a rede Toyota, agora devidamente treinada para o segmento comercial, tenta imprimir junto aos frotistas.

O que ainda pode ser um certo entrava é o preço de entrada de R$ 304.990,00 que coloca o modelo em um patamar superior de investimento, sendo mais caro que o Fiat Ducato e equiparando-se à Ford Transit Automática (ambas maiores). Contudo, como checamos dinamicamente, considerando a qualidade deste produto, fazendo-se conta de verdade, nosso veredito é que o preço foi muito bem posicionado.

A análise de mercado mostra que a Toyota terá um desafio pedagógico para “brigar” com força neste negócio de furgões. Embora seja líder em veículos de passeio, sua experiência com comerciais leves no Brasil limitava-se à Hilux em versões de serviço, cabine simples. Até dezembro de 2025, foram emplacadas apenas 367 unidades da Hiace no país. Convencer frotistas acostumados há décadas com marcas tradicionais de furgões exigirá tempo e a comprovação da durabilidade mecânica que o logotipo Toyota carrega.

Na nossa avaliação entendemos que a Toyota Hiace Furgão é uma opção “premium” para quem busca confiabilidade mecânica e conforto operacional. Com versões divididas entre o Furgão (R$ 304.990) e o Minibus (R$ 344.990), a marca japonesa aposta na baixa desvalorização e no suporte de sua bem estruturada rede de concessionárias para ganhar espaço. Para quem opera em centros urbanos e prioriza o bem-estar da equipe de campo sem abrir mão de desempenho, a Hiace é, sem dúvida, uma forte candidata a ocupar as garagens das empresas brasileiras.

Confira mais fotos do furgão Toyota Hiace:

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