Alta da produção agrícola intensifica disputa por caminhões e expõe gargalos históricos da infraestrutura logística brasileira
Redação TranspoData
Imagem, Divulgação
O avanço acelerado da colheita de grãos, especialmente da soja em Mato Grosso, está provocando uma elevação significativa nos preços do frete rodoviário, com aumentos que chegam a 20% em algumas rotas estratégicas. O movimento reflete a combinação entre alta demanda por transporte, concentração da produção em curto período e limitações estruturais da logística nacional.
O Brasil caminha para mais uma safra recorde, consolidando sua posição como potência agrícola global. No entanto, a dependência quase absoluta do modal rodoviário para o escoamento da produção segue sendo um gargalo. Durante os picos de safra, a oferta de caminhões torna-se insuficiente para atender a demanda, elevando os preços do frete e pressionando toda a cadeia logística.
A fiscalização mais rigorosa da tabela de frete mínimo pela ANTT também contribui para esse cenário. Embora a política traga previsibilidade e proteção ao transportador, ela impacta diretamente o custo final do transporte, exigindo maior planejamento por parte de embarcadores e transportadoras.
Impacto para transportadoras

O cenário atual traz um equilíbrio delicado para as transportadoras. A safra concentrada em um curto período elevou a disputa por caminhões e provocou aumentos de até 20% nos preços do frete em rotas estratégicas. Embora essa alta melhore a receita por viagem, os custos operacionais: como combustível, manutenção, pedágios e mão de obra continuam pressionando as margens. Nesse contexto, eficiência na gestão de frota e contratos bem estruturados de médio e longo prazo se tornam diferenciais competitivos. Já os embarcadores precisam reforçar o planejamento logístico para minimizar o impacto do encarecimento do transporte.
Tendência


O cenário expõe novamente gargalos da infraestrutura logística brasileira, com forte dependência do modal rodoviário e limitações na integração com ferrovias e cabotagem. Essa rigidez estrutural limita a capacidade de resposta da cadeia de suprimentos durante períodos de alta produção.
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A baixa capacidade de modais alternativos mantém grande parte da safra dependente de caminhões.
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A solução passa por investimentos em infraestrutura e maior diversificação modal.
Analistas apontam que o frete agrícola continuará volátil enquanto o país não avançar de forma mais consistente na integração de modais, como ferrovia e cabotagem. Até lá, o transporte rodoviário seguirá como protagonista e também como ponto de tensão nos ciclos de safra.
