Fim da desoneração pode gerar impacto acumulado de até 3% nos custos e reduzir margens do setor em cerca de 60%
Redação TranspoData
Foto Banco de Imagens, Divulgação
A segunda etapa do fim da desoneração da folha de pagamento entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano e já começa a produzir efeitos mais intensos sobre o transporte rodoviário de cargas (TRC), responsável por mais de 65% da logística nacional. A medida restabelece, de forma gradual, a contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de salários, elevando os custos das empresas.
Simulações realizadas pelo Decope da NTC&Logística (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas) indicam que o impacto médio direto alcança cerca de 1,5% ao ano. Com a soma da primeira etapa, iniciada em 1º de janeiro de 2025, o impacto acumulado chega a 3% em 2026, patamar equivalente a aproximadamente 60% do lucro médio do setor.
Os efeitos vão além das transportadoras. Reajustes promovidos por fornecedores de serviços e por autônomos agregados ampliam o impacto total, que pode ser duas a três vezes superior ao efeito direto. De acordo com o estudo, esse cenário tende a pressionar o valor do frete e, consequentemente, os preços de bens essenciais.
A NTC&Logística destaca que o setor não possui capacidade para absorver novos custos. Pesquisa recente aponta uma defasagem média superior a 10% entre o frete praticado e o custo real das operações. “Sem a devida recomposição do frete, a nova etapa da reoneração tende a reduzir de forma significativa o resultado médio das empresas, com reflexos diretos sobre a cadeia produtiva, impacto inflacionário e prejuízos aos investimentos necessários para manter e aprimorar a qualidade e a segurança dos serviços prestados”, destaca a entidade em nota.





