Move Brasil, programa do governo federal com R$ 10 bilhões em crédito a juros baixos já aprovou R$ 3,7 bilhões em menos de dois meses. Análise de como o reposicionamento das taxas desperta o interesse de transportadores e fortalece a cadeia produtiva
Redação TranspoData
Mercedes-Benz, Divulgação
O Brasil enfrenta um problema estrutural que compromete a competitividade do transporte rodoviário: mais de 300 mil caminhões circulam pelas estradas com mais de 20 anos de uso. São veículos ineficientes, mais poluentes e menos seguros. Uma frota envelhecida que eleva custos operacionais e reduz a margem de lucro dos transportadores.
Com R$ 10 bilhões em crédito a juros reduzidos para renovação de frota, o programa Move Brasil atua como um estruturador de mercado, permitindo que transportadores realizem um salto tecnológico que, de outra forma, levaria muito mais tempo para ocorrer.
Os números confirmam o movimento. Em menos de dois meses de operação, o programa já aprovou R$ 3,7 bilhões em crédito para aquisição de caminhões novos e seminovos, beneficiando 1.028 municípios brasileiros. As solicitações de financiamento cresceram 100% após o lançamento, com reação especialmente forte entre pequenos negócios.
Historicamente, o principal obstáculo para a renovação de frota no Brasil sempre foi o custo do crédito. Taxas de juros elevadas tornavam o investimento em caminhões novos economicamente inviável para pequenas e médias transportadoras, autônomos e cooperativas. O resultado foi uma frota envelhecida, com custos operacionais elevados e menor competitividade.

A relevância do Move Brasil foi reforçada em evento realizado no dia 28 de fevereiro na concessionária De Nigris, em São Paulo. O encontro reuniu o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de representantes de fabricantes, bancos e transportadores.
A presença de Alckmin sinalizou a prioridade do governo federal para o programa. A mensagem foi clara: a renovação de frota é estratégica para o país.
Durante o evento, representantes da indústria, do sistema financeiro e do setor de transporte apresentaram resultados e perspectivas do programa.
Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz, destacou a importância das condições de financiamento:
“Falar em renovação de frota é também falar em linhas de financiamento atrativas. É nesse ponto que o Move Brasil traz uma alternativa muito importante para frotistas e autônomos, com taxas de juros mais acessíveis.”
Ferrarez também destacou a resposta positiva do mercado:
“Na Mercedes-Benz, já estamos sentindo os resultados promissores do programa. Mais de 400 caminhões da nossa marca já foram contratados via Move Brasil por intermédio do Banco Mercedes-Benz, com financiamento do BNDES, reforçando a confiança do mercado e a força dessa solução de crédito.”


O evento também contou com a presença de transportadores que já adquiriram caminhões por meio do programa.
Fábio de Sá, proprietário da TF Transportes, empresa que atua há 23 anos nos segmentos de mineração e terraplenagem, relatou sua experiência:
“Tenho proposta aprovada para aquisição de cinco caminhões semipesados. Com isso, renovo parte da minha frota atual, de cerca de 80 caminhões, quase 100% Mercedes-Benz. Vejo o Move Brasil como um instrumento positivo para frotistas e autônomos, porque o programa deve alavancar a renovação de frota, especialmente pelos juros menores, que reduzem o custo de aquisição.”


“A redução das taxas de juros funciona como um catalisador. Transportadores que tinham projetos engavetados, ou que consideravam inviável investir em frota nova, agora enxergam uma oportunidade real de fazer isso acontecer.”
Segundo o executivo, o banco registrou crescimento de 100% nas solicitações de crédito após o lançamento do programa, com aumento expressivo no volume de propostas.
Essa é a dinâmica criada pelo Move Brasil: ao reduzir a barreira de acesso ao crédito, o programa permite que transportadores presos a frotas envelhecidas finalmente consigam investir em modernização.
Desafios e oportunidades


O programa também enfrenta desafios. A principal questão é a incerteza sobre sua continuidade. O encerramento está previsto para maio de 2026, o que gera dúvidas entre transportadores que avaliam novos investimentos.
Mas há também oportunidades relevantes. Caso o programa se torne permanente, o mercado de renovação de frota poderá se estruturar de forma mais profissional. Podem surgir novos modelos de negócio, financiadoras especializadas, empresas de reciclagem e serviços de consultoria voltados ao setor.
A indústria automotiva já sinalizou que a iniciativa deveria ser permanente. Como a frota brasileira é estruturalmente envelhecida, a renovação não é um processo de poucos meses, é um trabalho de longo prazo.
Se isso ocorrer, o país poderá avançar para uma frota de caminhões mais moderna, eficiente, segura e sustentável. Transportadores ganham previsibilidade para planejar investimentos, a indústria amplia espaço para inovação e toda a cadeia produtiva se organiza de forma mais eficiente.
O resultado é um setor de transporte mais competitivo, mais produtivo e mais sustentável, com benefícios que se estendem a toda a sociedade.
