SADA

Fenabrave projeta retomada nas vendas de caminhões

Entidade apurou recuo de 8,5% no ano passado e estima alta de 3,5% para 2026

Roberto Hunoff

Foto Banco de Imagens, Divulgação

A queda de emplacamentos de caminhões no ano passado foi além da estimada pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). A projeção negativa de 7% subiu para 8,65%, com total de 110.873 unidades entregues. Para 2026 a entidade acredita em alta de 3,5%, somando 114.752 veículos.

O desempenho das vendas do ano passado foi apresentado pela entidade nesta terça-feira (13/01). No total foram comercializadas pouco mais de 5,1 milhões de unidades, alta de 8%, com destaque para o segmento de motos, que cresceu 17%. Para este exercício, a alta é estimada em 6%, superando a marca de 5,260 milhões.

De acordo com o vice-presidente da entidade Sérgio Zonta, que representou o presidente Arcelio Junior na coletiva – ausente por questões de saúde -, a expectativa é de uma boa safra no agronegócio e redução na taxa de juros, com impacto positivo especialmente no mercado de caminhões extrapesados, que em 2025 teve queda de 22%. “Este modelo responde por cerca de 45% das vendas totais de caminhões”, citou.

Zonta destacou que o cliente só confirma compras quando tem oportunidades de preços e juros mais acessíveis. Sem isto, a decisão tem sido postergar o investimento. “O juro atual varia de 25% a 28% ao ano”, frisou. O vice-presidente defendeu que o governo indique a destinação de parte dos recursos do Move Brasil, programa de estímulo a compras de caminhões, com oferta de R$ 10 bilhões, para os modelos extrapesados. Os modelos médios e semipesados tiveram os melhores resultados no ano passado, com altas de 32% e 4,5%, respectivamente.

Em linha com o mercado de caminhões, o segmento de implementos rodoviários rebocados também teve resultado negativo, de quase 20%, com 71.030 emplacamentos. Zonta frisa que a situação é mais delicada, pois não há previsão de recursos do Move para compras de implementos. A expectativa de crescimento é de 2%, com 72.450 unidades emplacadas. “Teremos de fazer um trabalho junto ao governo para encontrar uma saída”, frisou.

No grupo de veículos pesados, os ônibus tiveram desempenho positivo de 4,3%, com 28.844 produtos vendidos. O resultado tem forte relação com continuidade dos projetos de renovação de frotas ligados às políticas públicas, como foi o programa Caminho da Escola, que teve maior volume no primeiro semestre do ano. Para 2026, a projeção é de alta de 3%, com 29,7 mil unidades emplacadas. “Além de faturamento remanescente do Programa Caminho da Escola de 2025, a tendência é que a renovação e ampliação de frotas tenham sequência”, estimou.

  • Automóveis e veículos comerciais

O segmento de automóveis e comerciais encerrou o ano com quase duas milhões de unidades vendidas, alta de 2,49%. A expectativa de crescer 3% foi frustrada, segundo o vice-presidente Sérgio Zonta, pelos problemas enfrentados pela Toyota, que teve sua unidade fabril de Porto Feliz atingida por fortes chuvas, em outubro, comprometendo uma média mensal de 5 mil unidades no último trimestre.

Para este ano a projeção é crescer 3%, superando a marca de 2,6 milhões de unidades. Mas para que isto ocorra é aguardada redução nas taxas de juros e efetivação da Lei do Marco das Garantias, o que ampliaria a oferta de crédito ao mercado, bem como a continuidade do programa federal do carro sustentável. Do lançamento, em julho passado, até 31 de dezembro, foram comercializadas 262.776 unidades de modelos inseridos no programa, alta de quase 22% sobre as 215.858 do mesmo período de 2024.

  • Motocicletas

Com recorde histórico de vendas, as motocicletas mantiveram trajetória de forte crescimento, somando perto de 2,2 milhões de unidades e alta de 17%. Para o vice-presidente Sérgio Zonta, o resultado está associado ao aumento do uso do veículo para fins profissionais, transporte individual e como segundo veículo da família. Explicou que para equilibrar a restrição de crédito nos financiamentos, o segmento foi beneficiado pelo sistema de consórcio, que responde por cerca de 30% das vendas.

Para 2026, a expectativa é de crescer 10%. Impulso adicional deve vir das motonetas de até 50 cilindradas, das quais será exigido emplacamento obrigatório. Além disso, deve aumentar o número de estados – atualmente são sete -, com isenção de pagamento de IPVA pelas motos.

  • Eletrificados e híbridos

Os emplacamentos de automóveis e comerciais leves eletrificados somaram 285.097 no ano passado, crescimento de 60,8% sobre 2024. Os modelos híbridos somaram 205.325 unidades, alta de 77,4%. Os elétricos puros totalizaram 79.772 emplacamentos, evolução de 29,6%.

As motocicletas elétricas alcançaram 8.552 emplacamentos, crescimento de 9,35%. Ainda foram registrados 369 emplacamentos de caminhões elétricos, queda de 20%, e de 849 ônibus, avanço de 9,3%.

  • Máquinas agrícolas

Apesar do aumento das vendas no atacado de máquinas agrícolas, esse mercado ficou abaixo da expectativa, resultado da baixa rentabilidade do produtor rural, elevado grau de endividamento e altas taxas de juros, impedindo melhores resultados para o segmento. Pelos dados da Fenabrave, até novembro, a venda de 48,6 mil tratores era 16,5% acima do mesmo período de 2024, mas com forte concentração de modelos de menor porte. As colheitadeiras acumulam, até novembro, avanço de 7,5%, com 2.912 unidades comercializadas.

A projeção para 2026 é de crescimento de 3,4%. Como fatores determinantes são citados a adoção de novas tecnologias, como inteligência artificial e motores a etanol, redução dos juros e uso do consórcio como nova fonte de crédito.

Compartilhe este post:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Email
error: Content is protected !!