Programa Move Brasil ganha tração no primeiro mês e sinaliza retomada gradual do mercado de caminhões e do transporte rodoviário de cargas
Redação TranspoData
Imagem, Divulgação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para a renovação da frota de caminhões apenas no primeiro mês de operação do programa Move Brasil, iniciativa do governo federal voltada à modernização do transporte rodoviário de cargas. O volume expressivo de recursos distribuídos em mais de 500 municípios indica uma retomada gradual do setor após um período prolongado de retração, marcado por juros elevados, crédito restrito e envelhecimento da frota nacional.A frota brasileira de caminhões possui idade média superior a 15 anos, segundo dados da CNT, o que impacta diretamente a eficiência logística, os custos operacionais e os índices de emissões. Nesse cenário, o Move Brasil surge como uma resposta estrutural para destravar investimentos represados, especialmente entre caminhoneiros autônomos, cooperativas e pequenas transportadoras segmentos historicamente mais vulneráveis ao custo do crédito.
Além do estímulo econômico, o programa tem um viés ambiental relevante. Os financiamentos priorizam caminhões que atendam padrões mais modernos de emissões, alinhados às normas do Proconve P8 (Euro 6). Isso contribui para reduzir o consumo de combustível, melhorar a segurança viária e diminuir a pegada de carbono do transporte rodoviário, responsável por mais de 60% da movimentação de cargas no país.
Impacto para transportadoras
Para as empresas de transporte, o acesso ao crédito representa uma oportunidade estratégica de renovação de ativos, redução de custos de manutenção e ganho de competitividade. Caminhões mais novos significam menor tempo parado, maior confiabilidade operacional e melhor imagem junto a embarcadores que exigem padrões ESG cada vez mais rígidos.
O que vem pela frente
Especialistas avaliam que, se o ritmo de liberações for mantido ao longo de 2026, o programa pode ajudar a estabilizar o mercado de caminhões e criar um ciclo virtuoso entre indústria, transportadoras e cadeia logística. O desafio será manter taxas competitivas e ampliar o alcance do crédito para regiões historicamente menos atendidas.