Ford Maverick Tremor

Ford Maverick Tremor tem fortes atributos para brigar com Fiat Toro e RAM Rampage

Recomendamos muito que se avalie seriamente esse modelo da Ford ao se buscar picapes médias pequenas para o dia-a-dia mas, também, para encarar um bom off-road quando necessário

Mauro Cassane 

Imagem, Divulgação

A Ford Maverick Tremor é uma picape que merece mais atenção dos picapeiros. Ainda não vende tão bem quanto suas duas concorrentes diretas: a Fiat Toro (mais de 4 mil unidades emplacadas por mês) e a Rampage (quase 2 mil unidades por mês) se mostram preferidas dessa turma. A Maverick emplaca, em média, pouco menos de 300 unidades por mês. Mas quem anda nesse máquina pode mudar de ideia.

A gente foi conferir e a versão genuinamente off-road, a Tremor, que verdadeiramente impressiona por suas qualificações técnicas. Não é só maquiagem não, a engenharia da Ford caprichou para tornar a Maverick, nessa versão, uma picape que encara, numa boa, lama, buracos, pedras e trilhas mais severas.

A primeira coisa que salta aos olhos são os pneus All-Terrain Goodyear Wrangler de medida 235/65 R17. Os biscoitões se destacam e parecem pedir uma volta sobre terra e lama. E tem mais: na terra, com pedras e buracos, a Maverick Tremor mantém elegantemente o conforto dentro da cabina graças à suspensão traseira multilink (eles abriram mão do eixo rígido, mais robusto mas, em compensação, bem mais duro e desconfortável). E funcionou muito bem.

O pulo-do-gato para ser robusta e ao mesmo tempo confortável, em tocada por terra e buraco, é que a picape da Ford conta com molas helicoidais na suspensão multilink e amortecedores exclusivos com mono‑tubo hidráulico pressurizado a gás. Tradução disso: robustez e conforto elevado. Mesmo acelerando com pedregulhos e buracos, a sensação de motorista e passageiro é como se o carro flutuasse.

Agora acelerar é um prazer à parte. O motor 2.0 turbo a gasolina EcoBoost demora um pouco para dar a resposta desejada, parece até que não aceita o desafio, mas é só impressão de segundos. A resposta chega em seguida e os 253 cv a 5.500 rpm mostram que, se o quesito é ultrapassar e andar rápido, a Maverick não faz feio não. O turbo fala alto, as 16 válvulas equilibram e a transmissão de oito velocidades se harmoniza perfeitamente bem ao motor dando respostas rápidas com trocas quase imperceptíveis.

O torque máximo de 38,7 kgfm já a 3.000 rpm mostra que a Maverick não brinca em serviço. A Ford diz que ela faz de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos, mas a gente nunca avalia dinamicamente essa informação. O que foi possível notar, na direção, é que a resposta tem um certo delay, muito leve, (até porque o carro tem 1,8 tonelada) mas que ao apertar o pé no acelerador, ainda mais no modo “Esportivo”, a bichona parece que vai decolar. Contudo, rodamos cerca de 600 quilômetros com ela (45% cidade, 30% estrada e 25% terra) e fizemos uma média de 10,8 km/litro com carga de 300 kg. Rodamos 95% do tempo no modo “normal”.

Boa para andar, boa também para parar. Freios a disco nas quatro rodas e a frenagem é muito tranquila. Com 5,07 n de comprimento e 3,07 de entre-eixos, a Maverick Tremor ficou mais alta só nessa versão mais vocacionada ao off-roda: tem 22,6 cm em relação ao solo (a versão mais simples da Maverick vem com altura de 20,4 cm).

A versão Tremor custa R$ 239.900 e foi lançada no Brasil em abril do ano passado. A caçamba é um pouco menor que a versão mais simples da Maverick, chega a 550 kg e o volume é de 953 litros.

Externamente o visual mistura pegada esportiva com off-road. O farol é estiloso, como uma vírgula em LED (eis o toque de esportividade) dividido por uma grade que enseja robustez estilo colmeia cortada por uma barra horizontal alaranjada. Tem estilo e elegância esse conjunto.

Já internamente a central multimídia de 13,2 polegadas é bem vistosa e sugere luxo. O sistema de ar-condicionado digital tem duas zonas (como nas picapes sofisticadas) com carregador de celular por indução no console central. Os passageiros do banco traseiro ficam um tanto comprimido se o condutor tiver mais de 1,80 e, atrás, embora com boa refrigeração, não há saídas de ar-condicionado.

A condução é muito silenciosa (em alguns momentos só se ouve mesmo o zunido dos cravos dos pneus). E isso é um ponto que merece nota 10. A condução é assistida por  piloto automático adaptativo com o funcional sistema Stop & Go, frenagem autônoma de emergência e alerta de colisão frontal (que funciona muito bem), sistema de manutenção de faixa e alerta de ponto cego. As câmeras, com visão 360 graus, auxiliam muito bem nas manobras e, sobretudo, ao estacionar.

A Maverick Tremor conta com seis modos de condução de fácil manuseio, tipo seletor, bem alinhada à alavanca de transmissão: Normal, Escorregadio, Eco, Off-Road, Esportivo e Rebocar/Transporte. Usamos apenas três: Normal, Off-Road e Esportivo.

No modo Off-Road a transmissão automática entra em ação, a relação fica mais curta e o motorista sente na mão e no pé que o torque passa a ser priorizado. O carro fica mais na mão, ganha força e fica mais firme e confiante para vencer lama e alagados. Na cidade, o modo Normal é o mais indicado (alia tudo harmonizando uma condução suave mas ligeira se precisar de retomadas).

Veredito: a Maverick Tremor é uma baita picape pequena para média. Tem todos os atributos para chegar mais perto, em vendas, de suas concorrentes Toro e Rampage. E, com uma vantagem extra, essa versão especificamente veio para não só agradar, como encantar, os picapeiros que realmente curtem, ao menos aos finais de semana, fazer um passeio mais “pé na lama”.

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