Modelo intermediário da Toyota é excelente no custo/benefício e ainda leva um extra: luxo na medida certa está no pacote.
Mauro Cassane
TranspoData, Divulgação
A Hilux SRV é a versão intermediária da Toyota. E, acredite, certamente o melhor custo/benefício para quem não abre mão da mais tradicional picape da marca. O modelo já vem com transmissão automática de seis velocidades e custa, preço sugerido, tabela de fábrica, 314,6 mil reais.
Avaliamos a versão sem capota marítima (acessório extra). Ela fica um ponto acima, em dispositivos de luxo, que a versão mais básica SR (310 mil reais). Por quase cinco mil reais a mais, vale muito a pena. Até porque, se o consumidor quiser dar mais um salto e pegar a versão SRX (já entrando nas versões mais luxuosas), aí o preço salta para 346,8 mil reais. Só para efeito comparativo, a versão topo de linha, SRX Plux tem preço de 357,8 mil reais.
Se a ideia é usar a picape pensando em um misto harmonioso entre carro de passeio e carga, com pegada on e off road, a dica é ficar nesse modelo como opção de compra inteligente. O motor é o mesmo, 2.8 de 204 cv a 3.400 rpm, para todas as versões. A cuidadosa engenharia japonesa acertou em cheio em uma máquina equilibrada que alia potência e torque de maneira irreparável.
Os dois modos de condução são suficientes para contentar aqueles que preferem condução mais cuidadosa e, se for o caso, para aquele momento em que a emoção fala mais alto que a razão. Nesse momento, vire o seletor para o modo “esportivo”. Na lucidez, prefira o modo “Eco”. Além de ficar bem mais econômica, fica realmente mais comportada. Em nossa avaliação ficamos 95% do tempo no modo “Eco”. Vai muito bem com média de 11,7 km/l. No modo “insano”, aí o consumo pula para 9,2 km/l mas fica, de fato, mais “nervosinha”.
Testamos vazia, por cerca de 200 km, em estradas de asfalto e terra. A conhecida suspensão reforçada da marca que é independente na dianteira, com braços duplos, molas helicoidais e barra estabilizadora oferece conforto e boa dirigibilidade. Já a traseira, mais reforçada, é com feixe d molas e amortecedores. Vazia, pula. Com carga, ainda que meros 200 quilos, fica bem assentada e confortável.
Em um trecho de 50 km, sendo 6 km de terra, avaliamos em condição de carga real. Com dormentes, deu lastro de 500 kg. A suspensão traseira abaixa com suavidade e a Hilux se comporta como um carro em estrada. Segue com conforto. Zero ruído, suspensão ajustada e equilibrada. Motor não sente o peso das toras. Transmissão trabalha em harmonia proporcionando trocas leves e, até mesmo em subidas mais agudas, os giros do motor não passa de 1.800 rpm.

É Hilux fazendo jus à sua natureza ancestral de uma picape com jeitão de jipe valente. Não é picape “Nutella” como algumas que esbanjam beleza e firulas mas, na hora da pegada mais pesada com a lida de trabalho duro, arrega!
O legal do modelo SRV é que ele vem com quase tudo de itens de conforto que vem nos modelos de mais luxuosos da Toyota. No interior da SRV, o ambiente convence. Ela entrega o essencial com dignidade: ar-condicionado digital dual zone, banco do motorista com ajuste elétrico e a central multimídia de 9 polegadas que conversa bem com o celular. É o luxo na medida, sem ostentação desnecessária.
Mas o que você deixa de levar por não pular para a SRX Plus? Basicamente, perfumaria tecnológica e um refinamento extra de segurança. A versão topo de linha traz o sistema de som premium da JBL, que é um espetáculo à parte, e o conjunto de câmeras 360 graus que, convenhamos, é útil mas não vital para quem conhece as dimensões da picape. Falando francamente: picapeiro raiz sabe bem onde entrar com o veículo.
Na segurança, a SRX Plus vem com o pacote Toyota Safety Sense completo. Isso inclui o controle de cruzeiro adaptativo e o alerta de mudança de faixa com condução assistida. Na SRV, você tem os sete airbags e os controles de tração e estabilidade que já garantem a paz de espírito na estrada e na lama.
A grande diferença física aparece nas rodas. Enquanto a SRV calça aro 17, a SRX Plus ostenta rodas de 18 polegadas com acabamento diamantado. Esteticamente, sem dúvida alguma, é mais imponente. Na prática do trabalho duro, a roda menor da SRV aceita melhor o desaforo de buracos e pedras.
Outro mimo da categoria acima são os bancos dianteiros com ventilação. No calor do Centro-Oeste ou do interior paulista, é um luxo que até faz falta. Mas há de se pensar se justifica a diferença de mais de 40 mil reais no cheque final?
Para quem busca eficiência e resultado em um veículo bom de carga e que faz de boas as vezes de carro de passeio, a conta fecha redonda com a SRV que é a escolha certa para esse perfil que mencionei. É a picape perfeita para quem olha para o hodômetro e para o balanço financeiro no fim do mês. O resto, como dizem no trecho, é firula para aqueles que preferem passear no fim de semana no shopping em vez de encarar uma boa roça em terra de barro.










