Montadora entregou semana passada as primeiras oito unidades do Brasil de ônibus articulado movido a gás e há planos para a capital de Goiás adquirir mais 500 unidades deste modelo até o final do ano que vem.
Mauro Cassane
Scania, Divulgação
Desde o mês passado o povo de Goiânia vem recebendo boas notícia: a frota de ônibus urbano da cidade está mesmo sendo renovada e, o melhor, com prioridade para veículos mais sustentáveis como os 100% elétricos da Volvo e BYD e, também, os movidos a gás, da Scania.
A encarroçadora Marcopolo, a maior do Brasil e uma das maiores do mundo, é a preferida e veste os chassis tanto dos novos elétricos, da Volvo, como os movidos a gás, da Scania. Mês passado foram entregues os veículos elétricos da Volvo e, semana passada, foi a vez de oito unidades dos novos articulados a gás da Scania.
O sistema goiano de coletivos urbanos, que há pouco tempo fora considerado um dos piores entre as capitais do País, com a frota mais deteriorada e envelhecida, aos poucos vai se modernizando. A percepção é clara. Veículos novos, e com ar-condicionado, fazem parte da realidade agora.
Certamente que a maior parte dos ônibus, especialmente articulados que rodam nos dois principais corredores da cidade, ainda são veículos bem velhos, com mais de 12 anos de uso. E, o mais cruel, sem climatização alguma. Ver as pessoas sentadas e em pé nesses veículos na hora do rush, com as janelas escancaradas, é de dar pena quando sabemos bem a temperatura média, elevada, anual na capital de Goiás.
De acordo com Edmundo Pinheiro, presidente da Viação HP Transporte e um dos mais expressivos líderes empresarias do setor, “o passageiro de Goiânia não aceita mais a ‘janela aberta’. O ar-condicionado deixou de ser um luxo para virar o padrão mínimo de dignidade em uma cidade que registra 37°C com facilidade. Quem não se adaptar, sai do sistema”.

Ainda segundo o empresário, que assinou o cheque para comprar os oito novos articulados a gás da Scania, “o transporte coletivo de Goiânia viveu décadas de sucateamento porque o modelo de tarifa única não se sustentava. Com o subsídio atual, estamos entregando o que o passageiro exige: ônibus com ar-condicionado, Wi-Fi e tecnologia sustentável. O conforto térmico não é mais opcional em Goiânia; é item de série na nova frota.”
Quem entrou forte nessa jornada para melhorar o transporte público de Goiânia foi o governador Ronaldo Caiado, que está no segundo mandato e com pretensão de disputar as próximas eleições presidenciais. Disse o governador: “antigamente um governante jogava a culpa no outro e o cidadão ficava no ônibus quebrado. Acabamos com essa máfia. Hoje o Estado entra com meio bilhão de reais para garantir ônibus moderno e tarifa social.”
Confiante na atual atenção governamental que o setor recebe, Edmundo Pinheiro completa: “pela primeira vez em décadas, temos segurança jurídica e um fluxo de caixa garantido pelo subsídio para investir em tecnologias como o biometano e a eletrificação.”
Gás ou elétrico
Na conversa com jornalistas, sexta-feira passada, o empresário goiano Edmundo Pinheiro disse que, “embora se fale muito das vantagens ambientais dos ônibus elétricos e a gás, ainda há muito a se evoluir com os ônibus a diesel”. Está previsto a aquisição de mais 200 novos veículos para modernizar o sistema goiano e deste total cerca de 65 serão elétricos, 79 movidos a gás e 56 a diesel com os novos motores Euro 6. “Os novos veículos a diesel são também, sob o ponto de vista ambiental, muito eficientes”.
A Metrobus quer renovar todos os veículos com mais de 10 anos e pretende, até o final deste ano, contar com uma frota com idade média de não mais que 2 anos. Atualmente, mesmo com novos veículos, a idade média bate seis anos. É uma meta bastante ousada para um tempo tão curto. Não se sabe como se dará a divisão entre os combustíveis mas, pelos valores, é possível supor que o volume maior ainda serão os veículos convencionais movidos a diesel.
Em média um ônibus articulado elétrico, encarroçado, custa cerca de 4,5 milhões de reais. Já o mesmo veículo a gás fica quase pela metade do preço, cerca de 2,5 milhões de reais e o mesmo modelo, movido a diesel, fica em torno de 1,6 milhão de reais. Considerando que o sistema tem em caixa perto de 2,5 bilhões de reais para investir nessa renovação da frota e, também, infraestrutura, há de se supor que as próximas compras serão mais focadas nos veículos convencionais em termos de volume.
Porém, de acordo com comunicado da Scania, as oito unidades iniciais fazem parte de um programa que prevê a incorporação de 501 novos ônibus movidos a biometano até 2027, consolidando a capital como referência nacional no uso de combustíveis renováveis. Mas isso são intenções e não exatamente “negócio fechado”. Há de se conferir com o tempo.


O evento de sexta-feira passada contou com a presença do governador Ronaldo Caiado e aconteceu no Terminal Padre Pelágio, que foi modernizado e reinaugurado. O governador aproveitou para anunciar a implantação da primeira usina de geração de biometano juntamente com o pioneiro gasoduto do estado de Goiás. Até porque Goiânia nunca recebeu gás por gasoduto. Para os ônibus funcionarem, terá que produzir seu próprio gás a partir de matéria orgânica gerada por suas próprias usinas. Tudo isso, além das obras de modernização dos terminais, está saindo do orçamento de 2,5 bilhões de reais destinados à Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC).
O BRT Leste-Oeste, onde os veículos Viale Express Articulado, com chassi Scania K 340C A6X2/2 NB Euro 6 serão utilizados, conta com aproximadamente 108 km de extensão, 47 estações, 213 pontos de parada e 15 terminais, atendendo mais de 2,5 milhões de passageiros por mês.
De acordo com Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Operações Comerciais Brasil, a venda é histórica para o Brasil e eleva o patamar da mobilidade mais sustentável. “A Scania foi a fabricante de ônibus pioneira a apresentar um modelo movido a gás e/ou biometano em 2014. Em 2016, assumimos globalmente a missão de liderar a transição para um sistema de transporte mais sustentável. Estamos prontos para atender os próximos passos dessa licitação”. A concessionária Scania que conduziu a negociação e vai cuidar do pós-venda é a Casa Scania Varella.
Mesmo com verba governamental já garantida, o negócio para aquisição dos oito ônibus articulados movidos a gás, contou com o financiamento do Scania Banco. “Essa abordagem evidencia o papel da Scania Serviços Financeiros no apoio aos clientes da marca, contribuindo para acelerar a modernização do transporte público e a adoção de soluções mais sustentáveis, com solidez financeira, previsibilidade e segurança para todas as partes envolvidas”, afirma Fábio D´Angelo, diretor comercial do Scania Banco.






