Projeto Estação - Antonio Dias

Projeto ressignifica linhas férreas do Século XX

Iniciativa envolve moradores de Minas Gerais e do Espírito Santo

Redação TranspoData

Foto Antônio Dias, Divulgação

Datada do século XX, mais especificamente o ano de 1904, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) escreve um novo capítulo em seu traçado ferroviário. Até o ano de 2028, os moradores do Espírito Santo e de Minas Gerais atravessarão um percurso de 905 quilômetros para ressignificar memórias e histórias do imaginário popular da região pelas lentes do Projeto Estação.

Utilizando a fotografia e o audiovisual como guardiões da memória ferroviária, a iniciativa propõe a preservação das histórias e da cultura local, que cercam as 30 estações da EFVM. Uma realização da HORUS Planejamento e Gestão, o projeto tem o apoio da Vale e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Em menos de um ano, o programa se destacou por impulsionar 80 jovens mineiros a redescobrirem histórias, paisagens e marcos arquitetônicos, além de conhecerem e visualizarem personagens comuns de suas cidades, que atuaram nas linhas férreas à sudeste do país. As localidades de Belo Horizonte, Barão de Cocais, Rio Piracicaba, João Monlevade, Itabira, Nova Era e Antônio Dias estão entre os sete principais municípios, totalizando um percurso de 172 quilômetros somente no primeiro ano da ação. Em paralelo, a organização visitou outros 44 lugares-espaços pela extensão de terra mineira.

Para valorizar e retratar a identidade local, o projeto expõe 240 fotografias captadas por jovens entre 16 e 25 anos por meio de câmeras de smartphones. Essas obras resultaram em sete instalações artísticas, reconfigurando a paisagem urbana de escolas, palcos, praças e estações da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Foto Antonio Dias, Divulgação

O objetivo dos próximos três anos, segundo o coordenador geral, produtor cultural e idealizador, Preto Filho, é expandir e democratizar a fotografia pelo eixo Sudeste brasileiro, visibilizando memórias e patrimônios culturais de comunidades férreas inteiras. “É uma iniciativa rara no cenário cultural brasileiro. Promover uma rede de afetos e saberes entre comunidades ligadas pela ferrovia é um desafio que faz do Projeto Estação um mover único. A extensão férrea se tornou um ponto de conexão e de partida entre arte, território, memória e patrimônio imaterial. Além de dar voz às comunidades no entorno ferroviário, o projeto é uma das maneiras de incentivar o jovem em suas sensibilidades, seu olhar para o mundo e também no mundo das artes, de maneira totalmente gratuita”, explica.

Entender a ferrovia para além da estrutura, observando a poética e a sensibilidade nas histórias comunitárias ao derredor do trem, é parte do processo observado pelo diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio. “A preservação da memória ferroviária é parte fundamental do compromisso da ANTT com um transporte mais humano, integrado e conectado às realidades locais. O Projeto Estação mostra que a ferrovia não é apenas infraestrutura, ela é território vivo, onde histórias, afetos e identidades se encontram”, argumenta.

Histórias reais e conexões

Estúdio Estilingue, Divulgação

O trem, que sai de Belo Horizonte (MG) e se estende até Porto de Tubarão, litoral de Vitória (ES), libera cerca de três mil tickets diários e já transportou mais de oito milhões de passageiros somente na última década. A proposta, até 2028, é dar ainda mais visibilidade às histórias, sorrisos, afeições e sonhos de milhares de mineiros e capixabas.

Um dos destaques do projeto, para além do resgate das memórias férreas, é o foco na diversidade. Dados do Projeto Estação revelam que, das 384 inscrições em 2025, o grupo de mulheres representavam 69% dos interessados, enquanto os que se autodeclararam negros compunham 67% da amostragem.

Totalizando 80 selecionados, com mais de 192 horas de atividades formativas, incluindo 250m² de arte produzida e exposta à céu aberto, o Estação chega como sucesso de público após o término das atividades neste ano. Finalizadas as oito produções audiovisuais, a exposição em Belo Horizonte e o lançamento da galeria virtual www.estacao.art.br, a expectativa é que o projeto itinerante passe por ainda mais 23 comunidades, dentro do eixo Vitória-Minas.

 

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