Ford Ranger XL

Ford Ranger XL: De olho nas vendas de grandes volumes

Ford Pro mira o “filão” das frotas com o lançamento da Ranger XL Cabine Simples e Chassi

Mauro Cassane

Ford, Divulgação

A Ford Pro, divisão de veículos comerciais da marca, acaba de dar um passo estratégico para consolidar sua presença no Brasil ao lançar as versões XL Cabine Simples e chassi cabine da Nova Ranger. O movimento não é apenas uma expansão de portfólio, mas uma declaração de guerra direta à hegemonia da Toyota Hilux e Chevrolet S10 no competitivo mercado de vendas diretas e técnicas de picapes de trabalho.

São vendas onde a “emoção” não conta nada. O que vale é a razão. Frotista faz conta, quer saber de planilha e olha resultados reais da operação. A equação custo/benefício aqui fala sempre mais alto.

De acordo com Guillermo Lastra, diretor da divisão de veículos comerciais da Ford, a ideia é ser a opção número um quando os clientes considerarem preço, robustez e conforto para os motoristas. As novas picapes chegam com pacote mais completo de opcionais e itens de conforto e, ainda assim, conseguem ser mais baratas que suas concorrentes diretas.

“Neste segmento de mercado só competíamos com Ranger XL Cabine Dupla manual e agora temos as opções que faltavam: cabine simples e chassi cabine bem como a cabine dupla automática. Com esses novos modelos, temos condições favoráveis para brigar neste mercado que compreende vendas em grandes volumes”.

O segmento de picapes de trabalho no Brasil é resiliente e estratégico, representando um volume de cerca de 6.200 unidades. A Ford, no ano passado, ficou com 9,2% deste segmento, liderado pela Hilux, da Toyota. Mas não tinha os produtos agora lançados. O que se sabe é que as versões cabine simples e chassi cabine são vitais para setores como agro, mineração, energia e órgãos governamentais, onde as vendas são decididas por planilhas de custo operacional e especificações técnicas rigorosas.

Atualmente, as versões de entrada (chassi e cabine simples) respondem por 19,3% e 18,5% das vendas de picapes de trabalho, respectivamente. É exatamente nesse “filão” que a Ford quer avançar, oferecendo uma picape fabricada na planta de General Pacheco, na Argentina — complexo que recebeu um investimento de US$ 660 milhões para a produção desta nova geração global, iniciada em 2023.

Para já entrar no negócio com alguma vantagem a seu favor, a Ford posicionou a Ranger XL com valores extremamente agressivos para vencer licitações e concorrências de frotistas. A Ranger XL Chassi (Manual) tem preço sugerido de R$ 248.600; a Ranger XL Cabine Simples (Manual): R$ 256.600,00 e a Ranger XL Cabine Dupla (Manual) sai por R$ 272.600,00.

Ao comparar com a concorrência direta, a vantagem é clara: enquanto a Ranger XL 4×4 manual parte de R$ 248.600, modelos equivalentes da S10 e Hilux superam a barreira dos R$ 252 mil e R$ 256 mil, respectivamente. Além do preço de aquisição, a Ford promete um custo operacional 15% menor que a concorrência, englobando revisões, peças de colisão e seguro.

A montadora confia também nos atributos do motor Panther. Diferente das versões de topo, a XL utiliza o motor Panther 2.0 Turbodiesel que entrega 170 cv e 405 Nm de torque. O pulo-do-gato deste motor é que ele torque em baixas rotações (entre 1.000 e 2.500 rpm), que é bem adequado para o transporte de cargas pesadas em terrenos severos.

Capacidade de carga

A versão cabine simples manual lidera a categoria com 1.223 kg de capacidade e um volume de 1.690 litros na caçamba. Outra vantagem para aplicações mais severas: a capacidade de imersão é de 800 mm, de acordo com a Ford, “o melhor da categoria”. Para ilustrar, a água iria até cobrir totalmente as quatro rodas.

Um ponto que pode favorecer a Ford em concorrências públicas e privadas é o pacote de série. Enquanto picapes de entrada costumam ser “espartanas”, a Ranger XL já vem equipada com 7 airbags, painel digital de 8″, multimídia SYNC 4 de 10″ e conectividade nativa para gestão de frotas via Ford Pro.

Essa conectividade permite ao gestor monitorar em tempo real a saúde do veículo, reduzindo o tempo de parada (down-time) — um argumento de venda imbatível que costuma encantar frotistas.

Com a nova linha XL, a Ford deixa de ser um player focado apenas no consumidor final de lazer (com as versões Limited/Raptor) para se tornar uma candidata pesada ao pódio das vendas diretas no Brasil. A combinação de preço agressivo, maior capacidade de carga e tecnologia embarcada coloca a marca em uma posição privilegiada para desafiar a tradição de Toyota e GM, oferecendo o que o frotista moderno busca: produtividade com o menor custo por quilômetro rodado.

 

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