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Caoa pode assumir produção de caminhões Ford em dezembro

03/04/2019 13h59 Atualizado em 03/04/2019 14h13
 

Por Redação Transpodata

redacao@transpodata.com.br

Como caminha o acordo com Grupo Caoa

Segundo o governador de São Paulo, João Doria, avança bem a negociação entre Ford e o Grupo Caoa para a compra da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), local onde são produzidos os caminhões da marca e o Fiesta. 

Pelo acordo em andamento, os caminhões serão produzidos em São Bernardo do Campo (SP) sob licença da marca Ford pelo Grupo Caoa, um dos maiores distribuidores da marca. No que uma fonte adiantou, o acordo em discussão prevê a unidade industrial no ABC Paulista exclusivamente para a produção dos caminhões.

As empresas, como de praxe, não comentam o assunto enquanto a assinatura do contrato de compra e venda ocorrer e o que será comunicado à imprensa combinado entre as partes. Porém, segundo João Doria, quem teve a iniciativa de procurar um comprador para fábrica de SBC, as negociações caminham bem e que os funcionários da montadora retornaram ao trabalho. A produção é retomada com dois dias de produção por semana para que a Ford cumpra acordos comerciais.

Pelas conversas de bastidores, ainda de acordo com o governador e publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo", está sendo discutido que a Ford poderá passar a fábrica para o Grupo Caoa em novembro. Até lá, a empresa vai "aprendendo" como a operação de produção de caminhões funciona.

Ford Trucks no mundo  

Há anos que a Ford vem saindo do negócio de caminhões no mundo, mantendo apenas os modelos F-650 e F-750, porém, pelas próprias declarações da empresa, estão fora do foco de negócios dela daqui para frente. As únicas operações com caminhões maiores que sobraram foram as da Turquia e do Brasil. 

Na Turquia ela mantém uma joint venture com o Grupo Koç e a empresa chama Ford Otosan. A empresa produz os caminhões e, inclusive, lançou na IAA o Ford F-Max, um cavalo mecânico extrapesado bem mais sofisticados e com tecnologias semiautônomas (veja link no final deste texto). Segundo o presidente da Ford Sul América, Lyle Watters, a Ford Caminhões no Brasil chegou a ser oferecida para a Ford Otosan, mas que esta não teve interesse na Ford Caminhões brasileira. 

A decisão da Ford Motor Company, nos Estados Unidos, de fechar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) foi por causa do foco da empresa em picapes e SUV de luxo, não havendo mais interesse no segmento de caminhões mesmo ele sendo lucrativo.

Grupo Caoa

 

O Grupo Caoa já atua no segmento de transporte de carga com o chassi cabine HR, sucesso de vendas no segmento de 3,5 toneladas, e com o caminhão leve HD 80, no segmento de 8 toneladas, lançado há um ano. Ambos são produzidos em Anapólis (GO). 

Para o Grupo Caoa faz todo sentido a aquisição, pois trata-se da aquisição do quarto maior fabricante de caminhões do Brasil, com forte atuação entre os segmentos de 4,5 toneladas de PBT (com a F-350) até 30 t com o Cargo 3031 8x2. A empresa atua no segmento rodoviário com dois modelos de cavalos mecânicos, porém, com uma participação muito baixa.

Vale lembrar que o Grupo Caoa, fundada e presidida pelo médico Carlos Alberto Andrade de Oliveira, é bastante ousada e rápida em suas decisões. Foi responsável por trazer Renault e Citroën para o Brasil, marcas, depois assumidas por suas matrizes. Depois trouxe Hyundai e Subaru, marcas ainda mantém o licenciamento até hoje. Mais recentemente, formou uma joint venture com a Chery para produção dos automóveis e SUV Chery.

Foi responsável por trazer Renault e Citroën para o Brasil, marcas, depois assumidas por suas matrizes. Depois trouxe Hyundai e Subaru. Mais recentemente, formou uma joint venture com a Chery para produção dos automóveis e SUV Chery. 

Em 2018, a Ford Caminhões emplacou 9.314 unidades no mercado interno:

Segmento

Números de vendas

Participação

Total

9.314

12,3%

Semileves

1.045

25,4%

Leves

3051

26,4%

Médios

1863

24,3%

Semipesados

3.159

17,7%

Pesados

196

0,6%

 

A Ford Caminhões teria potencial para vender mais de 11 mil em 2019. Agora, se concretizado a passagem da operação para o Grupo Caoa, ela poderá alcançar este resultado em 2020 ou 2021. Neste ano, ela vai ter uma grande queda devido a redução da produção (será feito apenas as unidades para cumprir contratos) e o abalo na imagem, este problema que o Grupo Caoa poderá resolver rápido, pois são muito bons e agressivos em marketing. 

A montadora foi a quarta maior em 2018, atrás da Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo, e na frente de Scania, Iveco e DAF.

No segmento de caminhões semipesados, o segundo mais importante e lucrativo da indústria, a Ford tem uma importância ainda maior (18%), sendo a terceira maior do Brasil, atrás apenas de Volkswagen e Mercedes-Benz. 

 

Ford turca

Segundo publicado no jornal "Estadão", Lyle Watters também havia tentado vender a fábrica para a Ford Otosan, uma joint-venture de 50% entre o grupo turbo Koç e a Ford Motor Company, porém, sem sucesso. A Ford Otosan tem consciência que não tem condições de competir em países da Europa Ocidental, disputando mercado com Mercedes-Benz, Volvo, Scania, DAF e MAN. Mas ela trabalha para ser competitiva nos demais países da Europa Oriental e do Leste, e consegue. 

Últimos desenvolvimentos

Os produtores Ford tiverem uma evolução que tem agradado muitos transportadores, principalmente, após o lançamento da nova cabine, em 2011, dos modelos com transmissão automatizada Torqshift e, mais recentemente, com os novos motores Cummins de 306 cv, com a linha denominada. Ainda neste ano, foi anunciado vários modelos equipados com uma das transmissões mais sofisticadas do mundo, a ZF TraXon. O último lançamento da montadora foi o Ford Cargo 3031 8x2, um dos melhores bitrucks do mercado brasileiro. 

A tentativa do governo de São Paulo de buscar um comprador acende uma luz de esperança. Para a Ford América do Sul, vender a unidade de caminhões, que seja por R$ 1, é muito vantajoso, pois evitaria gastar mais de R$ 1 bilhão em indenizações e evitaria uma grande mancha em sua imagem pela demissão de quase 3 mil funcionários e o abandono de milhões de clientes.

Agora é aguardar e torcer para o sucesso desta iniciativa do Grupo Caoa. 

 
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