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Transportadora Nichele tem 100% da frota equipada com telemetria e câmeras de monitoramento

02/11/2018 04h02 Atualizado em 02/11/2018 18h28
 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

Luiz Carlos Nichele, (59 anos), sócio administrador da Transportadora Nichele (em processo de sucessão familiar para seus 3 filhos - Geovani, Magnum e Caio), fala sobre sucessão, tecnologia, tabelamento de frete, infraestrutura e certificações.

A Transportadora Nichele, fundada em 1970, em Araucária (PR), começou no ramo de transporte de cargas a granel, e desde 1986, com a entrada da Esso como cliente, é especializada no transporte de combustíveis ou produtos perigosos. Com 332 colaboradores, dos quais 296 motoristas contratados, e uma frota de 211 caminhões, a empresa roda mais de 17 milhões de quilômetros e fatura R$ 120 milhões por ano. De acordo com Luiz Carlos Nichele, 59 anos, economista, em fase de sucessão para seus três filhos, foi fundamental contratar uma empresa de Consultoria para o trabalho de planejamento estratégico em governança de sucessão para fortalecer a estrutura da empresa e definir as metas futuras. 

Para atender a Raízen, seu maior cliente atualmente, teve de investir ainda mais em novas tecnologias e treinamento de motoristas, equipando 100% da frota com telemetria e câmeras de monitoramento, com o objetivo de atingir zero nível de acidente. Segundo ele, os principais pilares de investimento da empresa são tecnologia, treinamento e gestão. "O investimento em tecnologia significa entre 18 e 20% do nosso faturamento anual. Nossos contratos para transporte de combustível exigem tecnologia, visando nível zero acidente. O investimento inicial em treinamento chega a 13% do faturamento da empresa. Nossos motoristas recebem treinamento durante 45 dias", diz. 

Nos dois últimos anos, a empresa equipou toda a frota com telemetria e barramento CAM, quatro câmeras, sendo uma na dianteira do caminhão, outra interna que foca o comportamento do motorista e outras duas para lateral direita e esquerda. Com isso, o monitoramento acontece de segundo a segundo. "Temos vários indicadores para controlar a segurança e a economia do caminhão, que também nos ajuda na rastreabilidade do veículo", explica. 

Tabelamento de frete 

"A tabela está distorcida. Para se ter uma ideia, no nosso caso, que é transporte de combustíveis, o custo do frete ficou mais barato do que o do transporte de grãos. E não tem cabimento o transporte de grãos ser mais barato do que o transporte de combustíveis. Essas distorções é que estão gerando toda essa discussão", afirma. 

Certificações e Renovação de Frota

Os embarcadores estão mais exigentes quanto às certificações, e sem elas, não é possível transportar produtos perigosos. Segundo ele, as empresas necessitam de uma segurança maior no transporte das mercadorias, e cada vez mais vão se concentrar nas empresas que podem corresponder à essas exigências, tanto em tecnologia e equipamentos, quanto em certificações.

A renovação da frota é imprescindível. "Os cavalos mecânicos precisam ser renovados no máximo até 10 anos e as carretas com 15 anos. A renovação é importante também para evitar problemas de manutenção, que é muito cara. Estamos aproveitando as oportunidades de financiamento para migrar para o super bitrem, com o qual a gente consegue transportar até 60 mil toneladas. Com essa capacidade maior conseguimos transportar a um custo menor", diz. 

Infraestrutura 

"Enfrentamos problemas de falta de infraestrutura, diariamente, principalmente na região dos portos, tanto o de Santos, de Paranaguá ou do Rio Grande do Sul, com dificuldades para local de estacionamento. Nas estradas, o problema é ainda maior pela falta de investimento por parte do governo. Por um lado, a gente vem com uma tecnologia super avançada e, por outro, se depara com essas dificuldades na infraestrutura, sendo obrigados a conciliar uma coisa com a outra, entregando a mercadoria da melhor maneira possível, com custo mais baixo e dentro do tempo que o cliente necessita", diz.

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Veículos elétricos e Etanol 

Veículos elétricos vão exigir investimentos em infraestrutura, que conforme explica, deve demorar um pouco para que se desenvolva, mas é uma tendência que deve ocorrer nos próximos anos. "Nos novos edifícios já tem tomada para abastecimento de carros elétricos", diz.

Quanto ao etanol, ele diz que não houve investimento no etanol por parte do governo. "A gente viaja bastante e vê o sucateamento das usinas de etanol. Alguns grupos cresceram e outros simplesmente acabaram", afirma.  

Para Caio Nichele (31 anos), Diretor de Tecnologia e Compras da Transportadora, com mestrado em Informática, a visão da empresa é de longo prazo. "Estamos fazendo um planejamento com foco em criar um conselho gestor e de administração que continue com as nossas ideias, e a empresa siga com a mesma visão da família, independente de nós como pessoas", diz.

Sobre o tabelamento do frete, explica que a forma como foi feita está errada. "O mercado necessitava de um frete mínimo até porque grandes corporações se aproveitavam do baixo custo do frete. A ideia do tabelamento deve ser a de se ter um preço mínimo e não máximo. Quando se tabela o frete mínimo com valores acima do mercado, acaba-se nivelando o mercado pelo mal transportador. Hoje o pior frete tem o mesmo custo que o meu e nenhum embarcador vai pagar acima da tabela", diz.

Todas as commodities serão impactadas e grandes empresas estão querendo ter sua frota própria, segundo ele, porque o custo vai ficar mais baixo. A luta dos autônomos, afirma, acabou prejudicando a eles mesmos. Para os embarcadores é um custo a mais, seja pela aquisição de frota própria ou por contratação no valor da tabela. "Eles repassarão esses custos que vão gerar lá na frente um impacto para o consumidor. Irá se refletir também no custo Brasil, onde o maior problema são os impostos", afirma. 

 

 

 
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