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Livre mercado para o Transporte

18/09/2018 18h59 Atualizado em 02/10/2018 19h47
 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

Com mais de quarenta anos de experiência no Agronegócio, o empresário Francisco Lavor defende de forma veemente a economia de livre mercado e critica o tabelamento do frete como responsável pela paralisação de muitos negócios para o próximo ano. “Estamos num momento muito importante para o setor do Agronegócio e do Transporte, que requer bom senso para se buscar soluções e evitar que o Brasil enfrente gargalos, novamente. O caminhoneiro que move o Brasil precisa que as associações e entidades conversem com os agentes de mercado e resolvam as questões em que o governo não tem conhecimento e nem competência de gestão. Boa parte das empresas está fazendo prejuízos gigantescos, na ordem de bilhões, pela falta de previsibilidade do preço do frete”, declara.

Com apostas na comercialização online, voltada para o agronegócio (CBC) e outra ferramenta de agendamento de fretes (Brasil Fretes) que possibilita interação entre embarcador, caminhoneiro e transportador, o empresário Francisco Lavor visa desonerar a cadeia produtiva e permitir otimização e planejamento do frete em todo o País. “Transferimos para a Brasil Fretes um pouco do conceito da CBC. O problema, é que com essa confusão, não sabemos o quanto o frete vai significar na cadeia agrícola”, diz.  

Vale lembrar que há hoje no Brasil um excedente de 300 mil caminhões na frota nacional, segundo dados da consultoria NTC & Logística, entidade que reúne as transportadoras. A expansão da frota, acelerada por uma política de incentivos do BNDES entre 2009 e 2016, culminou com uma reversão do cenário econômico do país, e consequente redução da demanda por transporte de mercadorias.

Estudos estimam que o número de caminhões no Brasil cresceu a uma taxa de 5% ao ano entre 2009 e 2016, ampliando a frota para cerca de 2 milhões de caminhões. No mesmo período, a economia brasileira cresceu, em média, 1,1% ao ano. Transitou de um pico de crescimento de 7,5% em 2010 para o mergulho de dois anos seguidos de recessão, com retração de 3,8% e 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e 2016. Sobrou caminhão, e faltou carga.

Ao reafirmar que a Tabela de Referência de Preços Mínimos de Frete contraria o regime de livre concorrência que rege, juridicamente, a atividade econômica do Transporte Rodoviário de Cargas, e que o governo mais atrapalha do que ajuda nessa questão, ele explica como a falta de previsibilidade do preço do frete vai impactar, inclusive, a próxima safra.

“O negócio de soja e de exportação em geral começam com muita antecedência nas chamadas operações de Barter ou permuta, uma estratégia comercial que visa a troca de insumos por produção com travamento de preços das commodities negociadas”. Entretanto – ele complementa -, não se trata de uma simples negociação de troca ou escambo. “Ao contrário, caracteriza-se pela formatação de operações complexas e bem aparelhadas, que normalmente são liquidadas financeiramente pela parte interessada nos produtos agropecuários, o chamado offtaker que para a segurança da operação, trava o preço das commodities via hedge em bolsas de mercadorias nacionais e internacionais, contando por vezes, com a presença de uma instituição financeira apta a antecipar o pagamento de toda a operação aos compradores”, diz.  

A respeito do custo logístico do Brasil, reconhecido como um dos mais caros do mundo, ele enfatiza o que acirra os ânimos do mercado: “Qual é a segurança dos exportadores ao venderem para o mercado chinês, por exemplo, 60 milhões de toneladas, sendo o embarque em maio do ano que vem, se eles não têm a menor ideia da sua composição de custos? O frete representa quase 30% dos custos de produção”, afirma.

O grande cerne do problema – continua - é que o mercado trabalha a termo, ou seja, vende hoje para embarcar daqui há um ano. Com o tabelamento do frete e o subsídio do diesel que acaba em dezembro, quem vai plantar não sabe a que preço vai vender, e quem vai comprar não sabe o preço que vai pagar. O empresário Francisco Lavor lamenta que até o preço do frete esteja nas mãos do Supremo Tribunal Federal. “Tempos atrás, eram os sindicatos que negociavam reajustes. Já vivemos o querer compatibilizar o aumento do salário dos motoristas dos ônibus versus a redução da tarifa. E a conta não fechou. Essa é uma discussão mais aguda sobre a presença do Estado na economia. Não se faz mercado por decreto. Dessa forma, quebra-se o país”, alerta. 

Ao defender, mais uma vez, a livre economia de mercado, sinaliza o caminho de maior eficiência para resolver em parte, a questão do frete, que é o de pouca ou nenhuma regulamentação.

Para concluir, acrescenta que, qualquer medida que possa trazer à mesa os atores desse segmento de forma a proporcionar um entendimento e uma solução para o problema será benvinda. E pergunta: “Qual é a solução que estão apresentando para desatar esse nó? Não tenho visto. Gostaria de ouvir a proposta do futuro presidente, abordando o Brasil que dá certo. O Brasil que dá certo é o Brasil do Agronegócio e da Infraestrutura. Não é o da Reforma da Previdência. Qual é a política que o próximo presidente tem para o agronegócio e para a infraestrutura de transporte?” – Observou Francisco Lavor.

 
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