60 anos na montanha-russa brasileira

 

Quando a Mercedes-Benz tinha pouco mais de 50 anos na Alemanha, a empresa tomou mais uma de suas mais ousadas e acertadas decisões: montar uma fábrica no Brasil. E em 1956 a empresa aportou aqui. Mesmo ano em que Juscelino Kubitschek foi eleito já com a clara intenção de transferir a capital federal do Rio de Janeiro para o cerrado, onde hoje é Brasília. Certamente não foi coincidência. A fabricante alemã foi uma das primeiras a enxergar uma oportunidade excepcional para seus negócios.

A história fica longa se contarmos quantos pequenos empreendedores compraram caminhões Mercedes -Benz para trabalhar no gigantesco canteiro de obras que virou Brasília. A empresa que mal abrira suas portas já tinha fila de espera de interessados em comprar seus caminhões. Dá para imaginar o quanto os alemães ficaram satisfeitos com a decisão de montar fábrica no Brasil. Deu tudo excepcionalmente certo. Até a inauguração de Brasília, em 1960, a fabricante recém-chegada ao País certamente vendeu muito mais do que o dobro do que imaginava ser possível comercializar na região.


Chassi de ônibus LPO 1113 encarroçado

Se o desempenho dos primeiros quatro anos da fábrica instalada em São Bernardo do Campo, SP, impressionou os alemães, o número de veículos da marca comercializados por aqui de lá para cá, contando estes 60 anos, demonstra o quanto a Mercedes-Benz tem todos os motivos para, nesta celebração, olhar mais para o futuro do que só contar as boas histórias do passado: 2.120.000 veículos comerciais produzidos no Brasil até agora. Deste total são 1.450.000 caminhões e 670.000 ônibus. Como motor também é manufaturado aqui, vale destacar o número neste período: 2.900.000 engenhos.

Mas quem conhece o Brasil sabe muito bem que empreender por aqui de maneira alguma é só alegria. Não dá para contar nos dedos das mãos por quantas crises econômicas a Mercedes-Benz já passou. E, em contrapartida, são igualmente numerosos os períodos de expansão acelerada que a empresa saboreou. Basta verificar os números do parágrafo anterior para entender o óbvio: se por aqui as crises assustam, os períodos de bonança animam. E, nestes períodos, as vendas de caminhões vão às alturas. Por outro lado, nos tempos ruins, exatamente como os atuais, as vendas despencam.

Se na construção de Brasília, a Mercedes- Benz, quase que sozinha, vendeu muito mais caminhões do que poderia supor seus mais otimistas estrategistas, no período que houve o golpe militar a economia levou um choque. Mas logo em seguida veio o tal “milagre econômico” com crescimentos sucessivos e anuais do PIB de 10% (bem parecido com o crescimento chinês do começo desta década). Depois veio uma década inteira de recessão, estagnação e alta da inflação. Os anos 1980 foram terríveis. Mas os anos 1990 as coisas começaram a se ajustar e, em 1994, veio o Plano Real.


O famoso 710

A economia entrou nos eixos novamente. Porém, no final desta década de 1990, outra forte crise. Logo no começo de 1999 a economia nacional sucumbiu aos efeitos da crise asiática. Bancos quebraram. E, com bancos amedrontados, naturalmente que o crédito minguou. Sem crédito, mais uma vez as vendas de caminhões mergulharam no abismo. O retorno ao crescimento se deu em 2004 e a bonança durou até 2012. E agora, novamente, outro mergulho no buraco. Crise política leva à insegurança econômica, juros altos, inflação, aperto no crédito e vendas desabam ladeira abaixo. E eis que temos, bem resumido, 60 anos em dois parágrafos.

A Mercedes-Benz conhece bem o Brasil. Qualquer sexagenário que nasceu e vive por aqui conhece bem o País. Sabe que a dinâmica econômica é assim mesmo: este louco efeito montanha-russa. Sobe lento e desce dramaticamente forte. Quem não conhece se assusta. Pode até sair correndo. A Mercedes-Benz, ao contrário, por conhecer bem o País, aproveita as temporadas de crise para implantar mudanças e promover inovações.

Nos últimos dois anos, a empresa cortou custos, renovou o time de executivos, manteve investimentos e lançou novos produtos e serviços. O primeiro resultado a ser celebrado foi a retomada da liderança de mercado perdida quando a economia estava às mil maravilhas. Nos primeiros três meses de 2016, a marca liderou as vendas de caminhões no Brasil. Mas tanto tempo na lida com o mercado brasileiro tem suas vantagens. A frota circulante da Mercedes-Benz faz inveja a seus concorrentes: a cada 10 caminhões que circulam no Brasil, 4 são Mercedes-Benz. E de cada 10 ônibus, 6 levam a marca da estrela de três pontas. A rede de revendas da marca, a maior do País para caminhões e ônibus, com mais de 200 casas, só tem a ganhar com esta frota circulante que, mesmo com uma queda de 50% nas vendas, consegue assegurar sustentabilidade com a prestação de serviços aos veículos usados.

Durante estes 60 anos, a Mercedes-Benz se transformou também na maior exportadora de veículos comerciais do País, tendo atendido mais de 60 países de diversos continentes. Cerca de 432.000 caminhões e ônibus foram exportados nessas seis décadas.

Gigante fora da Alemanha – A Mercedes-Benz do Brasil é a maior fabricante de caminhões e ônibus da América Latina. Sua planta de São Bernardo do Campo é a maior do grupo fora da Alemanha para veículos comerciais. É também a única a produzir caminhões, chassis de ônibus e agregados, como motores, câmbios e eixos, em um só local.

Em São Bernardo do Campo são produzidos os caminhões das linhas Atego e Axor, enquanto a planta de Juiz de Fora, MG, responde pelo Accelo e Actros. A unidade de Campinas, no interior paulista, conta com a linha de produção de peças remanufaturadas RENOV e lá também funciona a Central de Armazenamento e Distribuição de Peças e as demais atividades da área de Peças & Serviços ao Cliente, o que inclui toda a estrutura de assistência técnica, Central de Relacionamento com o Cliente e área de Treinamento para clientes e concessionários, entre outros.

No final do ano passado, a Mercedes-Benz passou a contar com mais uma unidade produtiva no Brasil, inaugurando a fábrica de automóveis de Iracemápolis, também no interior paulista. Com esta fábrica, a empresa passou a ser a única a produzir caminhões, ônibus, vans e automóveis na América Latina (a produção de vans fica fica na Argentina).

 
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