Alternativa ao minério

 

Por Ana Paula Machado

ana.machado@transpodata.com.br

A economia em desaceleração faz com que as empresas busquem se adequar para fechar no azul. Uma das medidas mais comuns é reavaliar o custo logístico, e um dos componentes mais expressivos nessa despesa é o transporte. Como o Brasil tem sua matriz formada em sua maioria no rodoviário, muitas companhias deixam os outros modais de lado na hora de desenvolver todo o seu plano logístico. Acontece que, em muitos casos, o uso da ferrovia pode ser a solução na hora de cortar custos e colocar as contas nos trilhos. Segundo estimativas do setor, o transporte ferroviário, quando comparado grandes distâncias é até 10% mais barato que o rodoviário. Isso porque uma só composição pode tirar até 200 caminhões da estrada. O que pesa nesse modal é o transit time, mas o quesito segurança e integridade da carga compensam os dias a mais pelas estradas de ferro.

Partindo desse pressuposto, as concessionárias de ferrovias no País tentam aumentar o volume transportado pelas estradas de ferro. A MRS, por exemplo, no ano passado se tornou a maior concessionária em volume transportado, com 164 milhões de toneladas, um aumento de 9 mil toneladas no comparativo com 2013. Grande parte desse movimento foi de minério, já que a companhia é uma das empresas que transportam a produção da Vale do Rio Doce em Minas Gerais.

No ano passado, a empresa se tornou a maior concessionária em volume transportado, com 164 milhões de toneladas

Mas, segundo a empresa, há um crescimento de carga geral, fora minério, dentro do mix da MRS. No ano passado, dos 164 mil toneladas, foram transportados 40 milhões de toneladas de outros produtos, entre eles o siderúrgico. “Investimos R$ 1 bilhão por ano na empresa para novos projetos, material rodante e na via”, disse o gerente geral de carga da MRS, Guilherme Alvisi.

Para retomar a ideia de seu antigo presidente, Julio Fontana, que tinha um projeto para tornar a MRS menos dependente do minério e aumentar o volume de carga geral dentro da movimentação em sua malha, a companhia vem investindo pesado em projetos que contemplam outros produtos. Alvisi acrescentou que a empresa realizou um trabalho junto à divisão de cimentos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para transportar toda produção da usina no Rio para o mercado nacional.

“Implantamos uma grade fixa de escala ferroviária para que os clientes da empresa possam acompanhar o andamento das cargas. Isso possibilitou que, somente no ano passado, a empresa transportasse 1,2 milhões de contêineres, representando um aumento de 18% com relação a 2013”.

Além disso, a MRS tem um serviço de trem expresso, com linhas regulares que faz com que seja mais competitiva em relação à rodovia. Esse serviço é dedicado ao transporte de contêineres.Atualmente, são oito rotas que ligam o porto de Santos, a São Paulo, Campinas e ao Vale do Paraíba. Há também rotas que partem do Rio de Janeiro com destino para Belo Horizonte e São Paulo. “Estamos em fase de implantação de mais quatro rotas do trem expresso. Duas saindo do porto santista em direção à cidade de Jundiaí e outra para São Paulo. As outras fazem o trajeto Rio de Janeiro a Mogi das Cruzes (SP) e Queimados”, disse a gerente comercial, Elisa Figueiredo. Outro projeto que deve melhorar muito a participação de contêineres no volume transportado da MRS é o assinado com a Embraport, terminal de contêiner do Porto de Santos.

O contrato teve início no dia 2 de abril. Inicialmente, a MRS vai oferecer o serviço de transporte de cargas dentro das rotas já utilizadas pela companhia: SantosSumaré, Santos-Vale do Paraíba e Santos-Suzano.

 
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