Diversificar para crescer

 

A retração econômica para a fabricante de turbocompressores BorgWarner não veio em 2015: ela já começou em 2013. Fornecedora para quase todas as montadoras de veículos comerciais do Brasil (menos para Volvo e Scania), há três anos a empresa presenciou sua produção passar do patamar de 350 mil unidades/ano para 220 mil unidades/ano. 

Em 2015, a sistemista estreou no segmento de automóveis fornecendo os primeiros turbos da família B01 produzidos em sua fábrica de Itatiba (SP) para a Volkswagen equipar o motor EA211 1.0 do Up! TSI. Foram fabricadas cerca de 13 mil unidades do componente, uma participação bem reduzida perto dos 207 mil turbos que foram entregues ao segmento de veículos comerciais. 

Mesmo assim, a BorgWarner acredita no mercado de automóveis para seguir adiante frente aos desafios atuais do setor de caminhões. “Estamos na fase de cotações com quatro fabricantes de carros para instalar turbos em modelos que já usam o nosso componente fora do País. E se fecharmos apenas um desses contratos, nossa perspectiva é que a produção dobre a partir de 2018”, fala Vitor Maiellaro, diretor da unidade de turbos da BorgWarner no Brasil.

De acordo com o executivo, a empresa espera que o fornecimento aos veículos comerciais se estabilize e repita o mesmo desempenho de 2015, chegando a uma produção de mais de 205 mil turbinas.

Novo caminhão (leve) da MAN

Está em desenvolvimento na BorgWarner um turbocompressor de geometria variável, que deverá ser fornecido a partir de 2017 para um novo caminhão leve da MAN, com motor diesel acima dos 2 litros. “Esse tipo de turbo é muito utilizado nos Estados Unidos em veículos como picapes e SUVs”, comenta o diretor de engenharia Lauro Takabatake.

A Revista TranspoData entrou em contato com a assessoria de comunicação da MAN para saber mais detalhes do projeto. Em nota, a empresa respondeu que “não comenta lançamentos futuros”, mas não negou a existência do projeto.


Vitor Maiellaro, diretor da unidade de turbos da BorgWarner

Hoje, no mercado nacional, um item como o turbo de geometria variável é utilizado pela Iveco em seu caminhão extrapesado Hi-Way, com a finalidade de reduzir o consumo de combustível, de emissões e reforçar o torque do motor de 560 cavalos – engenho integrante da versão “top de linha” do veículo.

Aftermarket

Para superar a queda do mercado, a BorgWarner também foca em frentes diversas. Uma delas é o mercado de reposição, com faturamento que deve aumentar 15% em 2016, e elevar sua participação nas vendas de turbos e componentes para 26% a 27%, contra os 16% presentes há três anos.

Hoje, os turbos remanufaturados já representaram 30% dos negócios de pós-venda. De acordo com os executivos da empresa, com o crescimento do segmento de remanufatura, está prevista ainda neste ano a instalação de uma nova linha de montagem dedicada a esse nicho.

 
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