Ford quer maior fatia dos semipesados

 

Depois de acertar a mão com o retorno dos caminhões semileves e leves da linha F, a Ford agora mira no segmento de semipesados onde há, forte tecnologia embarcada e grandes marcas na disputa pela preferência dos transportadores e caminhoneiros.

Agora a marca americana fez o que suas concorrentes já haviam feito há mais de dois anos neste segmento: ofereceu a opção do modelo com transmissão automatizada. A nova linha Torqshift é um esforço de engenharia conjunto entre Ford, Cummins e a Eaton. São seis novos modelos: Cargo 1723, Cargo 1723 Kolector, Cargo 1729R, Cargo 2429 e os modelos cavalo-mecânico Cargo 1719T e o Cargo 1933T.

Como estratégia de marketing,Antonio Baltar, gerente geral de vendas e marketing, coloca os novos produtos como ano 2016 mas modelo 2017. Ou seja, tecnicamente, a Ford está lançando seus produtos para o ano que vem já agora, em março. “O preço ficou entre 2,5% a 4% superior aos modelos anteriores, mas a vantagem do cliente é comprar agora e estar com um caminhão modelo 2017”.

O maior propósito da Ford é provar, tecnicamente, que seus caminhões Torqshift são mais econômicos, confortáveis e robustos que seus concorrentes diretos.

Na apresentação dos novos caminhões aos jornalistas especializados, a Ford adotou estratégia incomum em lançamentos do gênero: deixou disponível, para avaliação dinâmica, seu modelo Cargo 2429 TorqShift e os concorrentes Constallation 24.280 e Atego 2426. A engenharia da Ford diz que seu produto chega a ser 10% mais econômico que o líder deste segmento.

Apenas dando uma volta em cada produto não foi possível aferir consumo, tampouco performance mas é correto destacar que o modo “low”, disponível no caminhão Ford e não disponível nos demais, faz uma diferença incrível para segurar o veículo carregado nas descidas.

O assistente de rampa, que segura o caminhão em aclives por até três segundos, sistema normalmente disponível nas marcas concorrentes em caminhões pesados, é outro item que dá ao novo Cargo 2429 uma vantagem técnica adicional.

“Como base para desenvolver a linha Cargo Torqshift usamos a transmissão manual da Eaton, que tem um desempenho comprovado e robusto, e adicionamos a ela a automatização. Por isso, ambas têm custo de reparo similar, compartilhando o mesmo conjunto mecânico”, destaca João Filho, chefe de Engenharia da Ford Caminhões.

“Hoje, esse tipo de transmissão representa cerca de 20% do mercado e a expectativa é crescer para 50% em 2017, chegando a 70% nos próximos cinco anos”, destaca Flávio Costa, gerente de Marketing da Ford Caminhões. “Em alguns segmentos, como os extrapesados, deve chegar a 100%.”

Os caminhões Cargo 1723, Cargo 1729 e Cargo 2429 vêm com transmissão Torqshift de 10 marchas (EA-111109LA) com reduzida de 17,04:1, embreagem de 395 mm e disco com revestimento sinterizado de cerâmica. O Cargo 1723 Kolector conta com a Torqshift de 10 velocidades para aplicações severas (EA-11109LB) e troca intensa de marchas, com reduzida de 15,28:1 e duas relações de ré (14,12:1 e 4,00:1), com super-reduzida para ladeiras íngremes.

Já o Cargo 1933 com suspensão a ar usa a Torqshift de 16 velocidades (F-11E316D) com embreagem de dois discos cerâmicos para aumentar a durabilidade e reduzida de 17,64:1 e conta também com duas relações de ré (17,64:1 e 14,91:1).

A despeito da forte retração no mercado de caminhões, a Ford foi a marca que mais cresceu na indústria de caminhões, com um ganho de 3,7 pontos porcentuais – passou de 14,3% em 2014 e fechou 2015 com 18%. Consolidou também a liderança no segmento de caminhões semileves – com o modelo F-350 e 42% de participação – e no segmento de leves, com os modelos Cargo 816, Cargo 1119 e F-4000, com 31% das vendas.

Agora, sem esperanças de uma retomada do mercado para este ano, traz linha nova com modelo 2017 e quer, com força, tirar mercado da Volks e da Mercedes no segmento de semipesados.

 
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