Caminhoneiro de sucesso pensa como empresário

 

Por Redação Transpodata

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Vice-presidente de marketing e assuntos institucionais da Samsung para a América Latina, Mário Laffitte construiu sua carreira no setor automotivo, mais especificamente nas fabricantes de caminhões. Em uma trajetória de sucesso, dedicando mais de duas décadas ao setor, o executivo passou pela gerência de marketing da Volvo e da Iveco e, em 2009, assumiu a diretoria de comunicação da Mercedes-Benz, cargo que ficou até 2013 quando foi convidado para ingressar na companhia de origem sul-coreana.

Ousado e criativo, Laffitte deixou sua marca no setor de caminhões ao apoiar e até mesmo desenvolver eventos diferenciados que aproximaram fabricante, concessionários e clientes. Sua formação é engenharia mecânica, mas sua paixão e vocação sempre foi o marketing. Embora atualmente distante do setor, e agora muito mais ligado ao dinâmico universo das inovações eletrônicas, onde uma novidade pode virar peça de museu em questão de meses, Laffitte nos deu esta exclusiva entrevista para enriquecer a edição especial com a cobertura completa do Top of Mind do Transporte.

Qual a real importância do marketing na estratégia de vendas de uma empresa?

Não sou professor na matéria, mas na minha concepção o marketing é muito mais que publicidade e propaganda. Marketing deve englobar a estratégia de produto, seu posicionamento, como se deve comunicar seus diferenciais ou pontos importantes para o consumidor. Marketing deve tratar da estratégia de distribuição e modelo de serviço de assistência.

Marketing precisa considerar públicos influenciadores, não apenas o consumidores, mas também funcionários, fornecedores, comunidade diretamente ou indiretamente ligada ao produto, sua produção ou de seus insumos. Ou seja, não existe efetiva estratégia de vendas sem marketing.

“Conheça seu cliente. Entenda o que ele precisa. Descubra o que pode trazer melhores resultados para ele.”

É possível fazer um bom e eficiente trabalho de marketing administrando verbas invariavelmente exíguas?

Verbas exíguas podem em alguns casos se transformar em bons desafios e gerar bons resultados. No entanto numa equação onde resultados estão ligados proporcionalmente com os recursos investidos, é preciso alinhar a expectativa com a realidade da situação.

É sabido no mercado brasileiro que, em épocas de crise, o corte de verba sempre atinge em cheio, e de imediato, as áreas de marketing e comunicação. Por que isso acontece?

Épocas de crise exigem que as organizações façam mais com menos. Grandes marcas nunca cortam exclusivamente no marketing, mas sim buscam mais eficiência em toda sua operação.

Sobre este tema acima, você tem conhecimento se é diferente em outros países. Por exemplo, como funciona esta lógica nos países europeus e, agora, na Coréia do Sul, terra da Samsung?

No atual cenário empresarial das grandes corporações o ambiente de negócios e suas decisões estão cada vez mais globalizados. Os procedimentos decisórios são semelhantes e seguem ritos internos comuns e transparentes. Ou seja, quando falamos de operações globais os cortes em épocas desafiadoras acontecem de acordo com a importância estratégica do mercado, dos planos da empresa para aquele mercado e, é claro, do potencial de recuperação do mercado em questão.

Considerando sua larga experiência em montadoras de caminhões, e conhecimento deste setor, é possível dizer que, no momento atual, as fabricantes estão acertando a mão no quesito marketing?

Tenho estado afastado do setor há dois anos. Quando ainda estava em caminhões as perspectivas do mercado brasileiro eram completamente diferentes das atuais. O que posso ver é que as empresas estão buscando manter seus lançamentos de produtos, focados nas necessidades dos clientes brasileiros. Vejo oferta de veículos que podem oferecer menor custo operacional, mais vantagens em manutenção e operação simplificada. Com o mercado de veículos novos deprimidos, surge uma oportunidade no pós vendas. As marcas que contam com boas redes de concessionários, que estejam próximos de seus clientes, tem condições de manter essa rede de distribuidores através do potencial de faturamento da área de pós vendas. Essa, talvez seja uma oportunidade que nem todos estão aproveitando.

Como, neste setor, seria possível fazer marketing eficiente em um momento de crise tão aguda?

Como disse a área de pós vendas é um bom exemplo. Outra é investir em ações junto ao publico caminhoneiro através de projetos de comunicação com este publico que é tão importante no cenário do transporte para fomentar o mercado de veículos novos e de serviços.

Os perfis do caminhoneiro moderno e dos pequenos empresários de transporte mudaram muito nos últimos 15 anos. Hoje estes profissionais são muito bem informados e estão, também, conectados. Como as marcas que atuam neste setor deveriam fazer para impactar com mais eficiência exatamente este grupo que toma decisões e, mais ainda, é multiplicador?

Os caminhoneiros e pequenos transportadores são hoje empresários. Precisam agir e decidir como empresários, pensar em custos, investimentos, impostos, produtos financeiros, soluções em manutenção e segurança. Além disso, gerenciar o cliente, ampliar o nível de serviço e sua qualidade. Ou seja, a sua atuação vai muito além do transporte em si. A boa notícia é que o acesso à informação e conhecimento está muito mais fácil hoje que no passado. Sem falar nas facilidades de conexão através de smartphones, por exemplo. Eu acredito que há oportunidades para as marcas oferecerem conhecimento aos transportadores tanto em suas redes de concessionárias quanto com o uso de meios on line e revistas especializadas.

“as empresas estão buscando manter seus lançamentos de produtos, focados nas necessidades dos clientes brasileiros.”

Alguns gurus do marketing já profetizaram que as mídias impressas acabariam até o fim desta década. Outros afirmaram que campanhas em mídias impressa não dão resultados. Qual a sua opinião sobre estas posições considerando especificamente o setor de transporte?

Quantas vezes disseram que o rádio iria acabar. No entanto esta firme e forte, crescendo e participando de forma intensa em nosso dia a dia. Eu acredito que as mídias são e continuarão complementares. Mas precisamos reconhecer que o consumo de informação rápida está migrando do papel para o eletrônico. Já as revistas, desde que o conteúdo seja de qualidade e relevante, certamente terão espaço garantido nesta evolução.

Quais as dicas para as empresas que atuam neste setor conseguirem impactar de maneira positiva os profissionais com poder de decisão de compra de um ou outro produto?

Conheça seu cliente. Entenda o que ele precisa. Descubra o que pode trazer melhores resultados para ele.

Qual a estratégia da Samsung para tornar seus smartphones mais desejados?

Somos verdadeiramente movidos pela inovação que faça sentido na vida das pessoas, que possa transformar seus momentos em experiências significativas e emocionantes. Para a Samsung a inovação tem foco nas pessoas. Nosso foco esta sempre no ser humano e como podemos transformar suas vidas através de inovações tecnológicas, trazendo facilidade, eficiência e emoção.

E você acha que esta estratégia poderia ser aplicada no setor de transporte onde algumas marcas são sempre mais desejadas e lembradas em detrimentos de outras com a mesma qualidade?

Eu acredito que as empresas que colocam o cliente em primeiro lugar, buscando entender suas necessidades, são aquelas que têm maiores chances de sucesso ao longo do tempo. O cliente não deve ser considerado um meio para atingimento de metas da empresa, mas sim o objetivo das empresas. Se a empresa colocar o cliente nesta perspectiva, entendendo o que ele precisa, certamente alcançara o sucesso.

 
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