Quando intenção pode valer

 

Com público reduzido, Fenatran deste ano registrou consultas e compromisso de compra. Montadoras participantes preferem não dar números, já entidade que representa fabricantes de implementos diz que seus associados podem ter realizado mais de cinco mil negócios.

 

Aconteceu o esperado. Com a presença de apenas duas fabricantes de caminhões, Volvo e DAF, o público da Fenatran sentiu muito a ausência das demais montadoras como Mercedes -Benz, MAN, Scania, Ford e Iveco.

Perguntada, a Reed não nos respondeu sobre um balanço de público. Mas, apenas circulando pelos corredores durante o evento, que aconteceu em novembro, ficou evidente que a feira encolheu em público na mesma proporção que encolheu em expositores que, outrora, sempre foram protagonistas.

As montadoras presentes propagandearam que fizeram negócios. E certamente fizeram, mas como estas informações são consideradas estratégicas, ninguém divulgou números.

Bernardo Fedalto, diretor de vendas de caminhões da Volvo, disse que muitos negócios foram feitos entre vendas de veículos e, também, contratos de manutenção. Mas não precisou números. Michael Kuester, presidente da DAF do Brasil, na mesma linha, diz que representantes da empresa no estande realizaram negócios. Mas nem pensar em dar números.

Durante a Fenatran a Volvo praticamentetransferiu boa parte de seus colaboradores da área comercial para o estande da empresa. Concessionários da marca também levaram clientes.

O estante, o maior que a marca já fez durante a história do evento, além de exibir os produtos, tinha em seu layout várias salas concebidas para se fazer negócios. A DAF fez a mesma coisa e já no segundo dia do evento tratou de colocar adesivos de “vendido” em praticamente todos seus caminhões em exposição. Em termos de marketing, a iniciativa é ótima. Correu pelos corredores do evento que, mesmo no momento mais agudo da crise, as duas marcas estavam realizando vendas durante o evento.

A realidade, de fato, só poderá ser conhecida em janeiro, com os dados de emplacamento de novembro, considerando que quem compra um caminhão demora, em média, um mês para emplacar. No balanço de novembro, divulgado pela Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, os números se apresentaram dramáticos: apenas 4.610 caminhões vendidos, resultado 61,7% abaixo do mesmo novembro do ano passado quando foram emplacados 12.033 caminhões. É preciso ressalva que a maioria destes veículos foram vendidos mesmo em outubro e licenciados em novembro. Os negócios feitos na Fenatran são mais um documento de “intenção de comprar o produto”. A compra, propriamente dita, quando se fatura de verdade o caminhão, é concretizada na revenda autorizada dias ou semanas depois. Com o Finame PSI encerrado, fica apenas a opção do Finame TJLP, que nem sempre é atrativo.

“Agora só é possível comprar caminhões com esta modalidade e, com toda certeza, vamos ter um dezembro tão fraco quanto novembro, ou até pior”, diz Luiz Carlos Gomes de Moraes, vice-presidente da Anfavea e o executivo que responde pelo mercado de caminhões na entidade. Já o mercado de implementos rodoviários parece ter tido mais sorte com a Fenatran. De janeiro a novembro deste ano a indústria produtora entregou aos seus clientes 81.766 unidades ante 144.902 em igual período de 2014, registrando queda de 43,57%. ”Infelizmente a previsão de queda de aproximadamente 45% deverá ser cumprida”, avalia Alcides Braga, presidente da Anfir, entidade que congrega os fabricantes do setor.

No entanto, a expectativa de ultrapassar os 45% de retração pode ganhar um freio. Durante a Fenatran, de acordo com levantamento da Anfir, a indústria de implementos rodoviários registrou aproximadamente 5,7 mil oportunidades de negócios. “Se essas vendas forem concluídas ainda em 2015 elas poderão reduzir o impacto da queda. Mas pela natureza da comercialização de implementos rodoviários é provável que a maioria desses negócios entre somente nas estatísticas de 2016”, estima Mario Rinaldi, diretor Executivo da ANFIR. Para o presidente da ANFIR é preciso que seja traçado logo o cenário de financiamento para o setor em 2016. “A indústria poderia se recuperar com o Finame/TJLP - Taxa de Juros de Longo Prazo onde o BNDES empresta os recursos cobrando spread que historicamente fica próximo a 1% ao ano, além da taxa de intermediação dos agentes financeiros que pode ser de até 4% ao ano”, explica. “Dessa forma a taxa anualizada ficaria ao redor de 12% ao ano”, afirma Braga.


Linha FM - VOLVO

 
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