Menos impactos e muito mais eficiência

 

Setor de lubrificantes e combustíveis foca em produtos cada vez mais sustentáveis sem abrir mão de uma alta performance. E a integração das tecnologias de vários itens dos veículos comerciais – principalmente dos motores Euro V – consegue alcançar esse objetivo.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiou no final de 2014 um estudo sobre o potencial de diversificação da indústria química brasileira. O trabalho foi realizado por duas consultorias especializadas em negócios e na área de energia (Bain & Company e Gas Energy). E um dos pontos altos do relatório é quando se apontam as tendências para o setor de lubrificantes no Brasil nos próximos anos: o aumento da demanda por produtos obtidos a partir de fontes renováveis (os biolubrificantes), e uma maior exigência por óleos de extrema qualidade. Direções que também se adaptam perfeitamente ao segmento de combustíveis.

Uma empresa que produz biolubrificantes foi ouvida pelas consultorias, e afirmou que os seus produtos desse segmento já representam 1% da demanda global de lubrificantes – e há boas perspectivas de crescimento. De acordo com a companhia (que não teve seu nome revelado), projeta-se que em 2017 este percentual aumente para cerca de 3%. Segundo o estudo, um dos principais fatores que estimulam essa tendência é a política ambiental europeia EN13432, que criou exigências para o descarte dos lubrificantes.

“A demanda de biolubrificantes no mundo, em 2011, foi de 505.600 toneladas, o que corresponde a uma participação de 1,4% do mercado global. Mas há a expectativa de atingir, no ano de 2018, uma demanda de 785.000 toneladas, o que representaria um crescimento de 6,6% no período”, projeta Rosângela Moreira, superintendente de Biocombustíveis e de Qualidade de Produtos da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Na opinião da Chevron, o mercado é promissor. “O mercado de produtos biolubrificantes ainda é pequeno, mas tende a crescer na medida em que a legislação ambiental se torne mais rígidas, ou que o uso deste tipo de produto seja mais incentivado”, Bernardo Vianna, especialista técnico da Chevron Lubrificantes.

Já a tendência por lubrificantes (e também de combustíveis) de maior qualidade é fruto do desenvolvimento tecnológico. Novos equipamentos (como é o caso dos caminhões com motores Euro V) demandam lubrificantes, por exemplo, de maior qualidade, justamente para garantir uma proteção contra o superaquecimento e o desgaste excessivo de peças provocados pelas novas condições de operações.

Outra questão levantada pelo relatório financiado pelo BNDES é a participação cada vez mais crescente de óleos sintéticos, capazes de entregar mais qualidade e rendimento na produção de óleos biolubrificantes. Ainda segundo o estudo, a participação dos sintéticos só não aumenta rapidamente devido aos seus altos custos de produção em relação aos óleos minerais. De acordo com Wilde Bueno, especialista em lubrificação da Mobil, no segmento de transporte rodoviário de carga, em especial, os últimos desenvolvimentos passam pelo controle de emissões e prolongamento da vida útil dos motores.

“Temos um produto (MX ESP 15W-40) que garante a proteção aos sistemas de tratamento dos gases, do tipo EGR (Recirculação dos Gases de Emissão), e também aos filtros de partículas Diesel (DPF), atendendo à mais moderna exigência API CJ-4, bem como às exigências dos principais fabricantes de equipamentos originais”, diz Bueno. Criada pela API (American Petroleum Institute) em 2007, a norma CJ-4 especifica padrões de alto desempenho para temperatura, viscosidade e performance dos óleos lubrificantes.
Como a evolução não para, já está em testes pela API uma nova categoria de exigências designada como PC-11 para óleos para motores a diesel. “Novos testes serão incluídos para avaliar propriedades melhoradas de resistência à oxidação, compatibilidade com o uso do biodiesel, proteção contra o desgaste, estabilidade, geração de espuma e a contribuição efetiva do lubrificante na economia de combustível”, comenta Celso Cavallini, especialista em lubrificação da Mobil.

“Pela Ipiranga, desenvolvemos o Brutus E4, um lubrificante 100% sintético para motores a diesel modelos Euro III e Euro V, usados, principalmente, em serviço severo de transporte rodoviário de carga. Aplicamos uma tecnologia que tenha flexibilidade no uso de combustível, com o óleo podendo ser usado em frotas que utilizam diesel de alto teor de enxofre, pois ela oferece um maior controle de fuligem em motores que ainda são Euro III”, fala Miguel Lacerda, diretor de Lubrificantes da companhia.

Sobre o estudo da Bain & Company e da Gas Energy, ambas as empresas concordam com as tendências apontadas. “A Cosan Lubrificantes (que detém a marca Mobil) já tem uma parceria com a empresa americana Amyris, uma joint-venture chamada Novvi, para o trabalho de desenvolvimento de óleos básicos de origem vegetal, ou seja, fontes renováveis para a produção de lubrificantes”, diz Celso Cavallini, da Mobil.

“Identificamos uma tendência forte do mercado em diminuir a dependência das fontes de energia fósseis e na redução de emissões. E os novos motores possuem maior severidade no uso, com pressões e temperaturas cada vez mais altas”, diz o diretor Miguel Lacerda, da Ipiranga. O especialista da Mobil tambem destaca que, para os motores do ciclo diesel, a tendência dos lubrificantes é o uso de formulações baixas de fósforo e enxofre, conhecidas como Low SAPS, para preservar o sistema de pós-tratamento de gases de escape. ”Particularmente, a eficiência e durabilidade do equipamento DPF (filtros de partículas), que na verdade é um filtro de partículas, depende muito da classe de óleo utilizado. Com o advento da futura legislação Euro 6, que ainda não tem data certa para introdução no Brasil, o DPF deverá ser utilizado em larga escala combinados com outras soluções como o catalisador a base de solução de ureia (SCR) que já encontramos hoje nos veículos pesados”, completa Cavallini.

 
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