GM x Cegonheiros

 

Um imbróglio envolvendo a General Motors do Brasil e as suas transportadoras parou, no mês passado, a produção da fábrica da montadora em Gravataí, no Rio Grande do Sul. A GM acusou a Tegma e a Transzero de ter deixado de realizar o transporte dos carros fabricados na unidade. Já as empresas informaram que a operação da unidade estava paralisada por negociações com o sindicato local dos metalúrgicos. Toda essa confusão, no final, foi benéfica para a GM já que pôde, pelo menos um pouco, regular o seu estoque que está com um excesso de duas a três semanas. Em um dia de paralisação da produção, deixaram de ser fabricados 1.944 veículos e 9 mil funcionários deixaram de trabalhar, de acordo com cálculos da montadora.

“Após fechar acordo com todas as transportadoras de veículos nas fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos, a GM lamenta a decisão de Tegma e Transzero de paralisar a retirada de carros da fábrica de Gravataí”, disse a empresa em comunicado. “Neste momento de dificuldades no mercado brasileiro, em que todos precisam unir esforços para superar os desafios e contribuir para a retomada da economia, nosso objetivo comum com todos os parceiros, fornecedores, transportadores e sindicato é manter a unidade operando em três turnos e esta ação unilateral vai forçar a parada da linha de produção. Nós reafirmamos o compromisso de continuar as negociações sobre o custo do frete e esperamos alcançar um acordo que não comprometa a competitividade dos produtos Chevrolet no mercado brasileiro.”

Em Gravataí, a GM produz os modelos de maior volume no mercado brasileiro. O Onix, por exemplo, é o segundo carro mais vendido no País. Segundo dados da Federação Nacional de Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), até abril foram emplacados 38.706 unidades. Já do Prisma, no mesmo período, a GM vendeu 24.559 unidades do modelo. “A nossa participação no mercado está razoável, mas não estamos comemorando. Esses modelos estão bem no quesito licenciamento porque parte dos consumidores migrou para esse segmento e temos produtos bem competitivos”, disse o presidente da GM para a América do Sul, Jaime Ardila. Agora, com o impasse em torno do acordo com as transportadoras, a GM poderá ajustar os seus estoques, que segundo Ardila, está entre 45 a 50 dias. “Estamos com duas a três semanas de excesso. Esse volume não é saudável. O ideal é entre 30 a 35 dias de carros nos pátios das concessionárias e em nossas fábricas.”

Jarme Ardila, da GM, diz que os modelos produzidos em Gravataí,
são os de maior sucesso da marca no Brasil

Procuradas, a Tegma e a Transzero informaram que ficaram surpresas com a notícia de que a produção da GM estaria paralisada pela falta de acordo com as empresas transportadoras. Em nota, a Tegma afirmou que manteve os procedimentos de carregamento dos veículos da planta de Gravataí. “Mas foi impedida de operar plenamente em virtude do estado de greve do sindicato regional. Daí, não ser verdade que a Tegma paralisou suas operações.” Já a Transzero afirmou que não é correto afirmar que a empresa paralisou as atividades na Planta de Gravataí, “que encontra-se sim, parada, por questões envolvendo um sindicato local e a empresa GMB”, informou a Transzero.

Segundo a companhia, em todo mês de abril é enviado a planilha técnica à GM e é realizado o acordo com o preço do frete. “Este ano mesmo com resultados Por Ana Paula Machado gerados por conta de vários custos incidentes no transporte, comercialmente as partes se entenderam e chegaram a um reajuste menor do que o de direito contratualmente (planilha técnica). No dia 06/05/2015 a GM deu a concordância firmado entre as partes , e diante disso enviamos ao cliente (07/05/2015) as planilhas atualizadas, seguindo o ritmo normalmente. Fomos surpreendidos na segunda-feira dia 11/05/2015 às 15h com a informação de que os acordos estavam desfeitos e que precisaríamos rever os números apresentados. Torna-se muito mais difícil porque passamos isto a todos os prestadores de serviço que mesmo reivindicando números maiores, atenderam aos nossos apelos e aceitaram o que propusemos”, ressaltou a companhia.

 
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