Longe da realidade brasileira

 

Em 1987 a Volvo lançou no Brasil um programa com o nobre propósito de reduzir os alarmantes índices de acidentes de trânsito no País. Batizado de Programa Volvo de Segurança no Trânsito, o que era um projeto ganhou vulto e importância e agora, a empresa, dentro de seu programa, lança uma espécie de desafio com uma meta tão ousada quanto sonhadora: zerar o número de acidentes de trânsito. A princípio, naturalmente, ao menos envolvendo os caminhões de sua marca.

Com todo este engajamento voltado à segurança, claro que os caminhões Volvo são pródigos em sofisticados equipamentos de segurança ativa e passiva. Toda engenharia da Volvo, no mundo, tem a missão de desenvolver veículos cada vez mais seguros com dispositivos tecnológicos que fazem de tudo para não acontecer um acidente e equipamentos planejados para, caso o acidente ocorra, os danos à vida serem mínimos.

As estatísticas de acidente de trânsito no Brasil são macabras. Dados da Polícia Rodoviária Federal apresentam um quadro trágico com uma média anual de mais 6,5 mil mortos.

É como se tivéssemos aqui, anualmente, um terremoto semelhante ao que ceifou mais de oito mil vidas em abril, no Nepal. A diferença, que não chama tanto a atenção da opinião pública, é que, no caso dos acidentes de trânsito, as mortes acontecem aos poucos, mas diariamente. Mudar este quadro é uma bandeira que a Volvo levanta há anos no Brasil e no mundo. Faz palestras, seminários, fóruns, cartilhas, livros e agora lançou até um manual com um guia para empresas poderem se certificar com a norma ISO 39001 que trata especificamente de segurança viária.

Lançada em 2012, a norma já tem algumas empresas certificadas no mundo, mas nenhuma ainda no Brasil.

Um levantamento feito pela Volvo junto às principais seguradoras do mercado nacional aponta o tamanho do prejuízo com acidentes envolvendo caminhões estradeiros no Brasil: o sinistro médio com um caminhão pesado ou semipesado é de R$ 150 mil em prejuízos materiais. Além disso, o tempo médio que o veículo fica parado para conserto é de 43 dias. O levantamento aponta ainda que 13% dos sinistros possuem danos corporais e 7% vítimas fatais.

De acordo com dados da Volvo, em sua matriz, na Suécia, o programa “Zero Acidente” já surte efeito positivo e diminuiu, nos últimos anos, em 50% os acidentes rodoviários no país nórdico. Mas é preciso sempre lembrar que ainda não temos como comparar as estradas brasileiras com as europeias, nem a idade média da frota nacional com a frota do velho continente, tampouco a educação média do brasileiro com a educação dos europeus. Para que cheguemos próximos a um índice salutar como “zero acidente” faz-se necessário, urgente, um programa sério e de longuíssimo prazo para que seja possível oferecer educação básica de qualidade às crianças deste País.

Sem esta educação, qualquer iniciativa neste sentido será sempre muito louvável, mas ficará eternamente encarcerada na utopia.

 
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