Quem se esconde não pode ser visto

 

Uma das lições deste terremoto econômico que chacoalhou o Brasil neste terrível ano é que tudo que é demasiado bom, ou demasiado ruim, um dia chega ao fim. Entre o topo e o abismo, que fiquemos com o confortável equilíbrio do centro pois a vida, por bem ou mal, sempre vai continuar. Caminhões, carros, ônibus, motos, trens, navios, barcos, aviões e helicópteros continuam circulando por este Brasil afora. Ou alguém acha que não? Tudo continua. As lojas abrem, as pessoas vão ao trabalho, comem, dormem, viajam, compram, vai ter shoppings lotados no natal, teve dia das crianças com presentes, as pessoas casam, fazem festa, tiram férias, postam fotos de viagens bacanas nas redes sociais. A vida prossegue para, aparentemente, desespero dos catastrofistas.

A Petrobras não vai quebrar, a inflação não vai voltar aos níveis assustadores dos anos pré Real, muitas obras de infraestrutura são inevitáveis, outras precisam ser concluídas com urgência, a área agrícola continuará indo muito bem, as pessoas continuarão comendo, se vestindo, usando transporte, comprando coisas, o mundo lá fora, onde as economias mais importantes vão relativamente bem, continua precisando de comida e insumos do Brasil e, com o dólar nas alturas, os exportadores brasileiros estão bastante satisfeitos com seus lucros mais altos ainda.

Além do mais, para tudo isso funcionar, não tem outro jeito, caminhões têm que transportar! Se os negócios com caminhões novos caíram drasticamente neste ano, coisa inimaginável no ano passado, significa que, subtraindo-se dois anos de bolha, onde as vendas foram infladas por fatores extraor- dinariamente facilitadores, o que gerou aquela sensação do tipo “ou compramos agora ou nunca mais”, forçosamente haverá demanda por volumes maiores de novos caminhões nos próximos anos. Contudo, este foi um ano de acomodação radical do mercado, no ano que vem será uma volta tímida à normalidade e, em 2017, enfim, a normalidade. Certamente não teremos, nos próximos anos desta década, um mercado artificialmente inflado de 170 mil unidades, mas tampouco artificialmente retraído de 70 mil unidades. Quem conhece o Brasil entende bem estes picos para cima e para baixo. E quem não conhece, que fique aí choramingando ou, como dizia bravamente aquele Capitão Nascimento, protagonista do filme “Tropa de Elite”, “pede pra sair”.

As montadoras mostraram que, dentro ou fora da Fenatran, não dá para deixar de investir em marketing. Oras, as lições de mercado dos feirantes devem ser aprendidas por todos executivos: se o negócio está ruim, grite mais alto que seus concorrentes! Não adianta nada fazer MBA em administração, gestão e marketing se você não conseguir entender a lógica simples das feiras de rua. Quer vender mais? Vá para rua, faça alarde, propaganda, grite, apareça, diga a todos que seu produto é o melhor. A história sempre ensinou que os covardes ou fogem ou se escondem. E quem se esconde nas horas ruins também não é visto nas horas boas!

 
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