SOLUÇÕES PARA A JORNADA

 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

A chegada da Nova Geração de Caminhões ao Brasil no ano passado, depois de ter sido lançada na Europa em 2016, demandou o período de uma década de desenvolvimento e um dos maiores investimentos em produto já feito pela companhia de 2 bilhões de euros (cerca de R$ 8,6 bilhões).

No sistema global de produção, mais R$ 2,6 bilhões foram investidos na construção de uma nova fábrica de cabines em São Bernardo do Campo (SP) e na preparação da América Latina para o lançamento.

Para Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil, a nova geração de caminhões representa uma ruptura no setor de transportes, aliada a outras soluções em serviços da Scania que possibilitam maiseficiência e redução de custosoperacionais num cenário cada vez mais competitivo.

“Os clientes estão preocupados com economia de combustível, segurança,confiabilidade da operação,buscando caminhões e soluções que contribuam nessa jornada. Estamos juntos para que obtenham o melhor e cientes de que nunca um Scaniaentregou tanto”, afirma.

Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil

Em escala global, a Scania consolidará o fornecimento da nova geração de caminhões, tendo o Brasil também como localização estratégica na fabricação dos novos modelos que começa com cerca de 500 versões.

Campeã do Top of Mind do Transporte na categoria Lançamento, a Scania vendeu mais de 3.000 unidades do Nova Geração e prevê alta de até 20% nas vendas de caminhões para 2019.

No final do ano passado, recebeu do Grupo Amaggi a encomenda de 300 unidades Scania R500, o maior pedido único de cliente final da Scania Brasil.

Segundo Munhoz, pedidos dessa magnitude tendem a acontecer com maior frequência, o que significa que ao longo dos últimos anos está havendo uma concentração no sistema de transporte brasileiro.

“Outros grandes transportadores de grãos e do segmento industrial vem nos propondo negócios em torno de 150 a 250 caminhões todo ano. Com certeza, teremos negócios grandes durante o ano em outros segmentos, não apenas da agricultura. Mas é fato que o agronegócio consome de 40% a 45% de todo o segmento de pesados no Brasil. Dos 3 mil pedidos que recebemos da Nova Geração de caminhões Scania para este ano, 80% são pedidos que vêm do agronegócio”, diz.

O mercado de caminhões do ano passado foi dominado pelos pesados. Das vendas totais de 76.431 unidades negociadas em 2018, o segmento representou 45,5% dos licenciamentos com 34.736 veículos vendidos, conforme dados consolidados pela Fenabrave (Federação dos Distribuidores de Veículos).

Desse total, a Scania foi responsável por 15,4% ou 5,3 mil. Se as perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro se mantiverem na casa de 2 por cento em 2019, conforme estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os pesados seguirão na linha de frente, podendo alcançar volumes de licenciamentos entre 58 mil e 63 mil unidades.

As soluções de serviços Scania, principalmente em conectividade, lançadas de acordo com o aumento da demanda do mercado por ferramentas mais sofisticadasde controle da operação dos caminhões que resultam em maior economia, podem contornar alguns desafios de infraestrutura, mas não todos.

O sistema ADAS da Scania, por exemplo, é um equipamento com câmera que lê as faixas de rodagem. Quando o veículo sai da faixa involuntariamente, sem que o motorista perceba, o ADAS faz vários alertas para que o condutor nas últimas décadas somada a um problema mais recente - a restrição à circulação e distribuição de carga em áreas urbanas - tem corrija a rota.

O problema é que boa parte das rodovias não tem a manutenção da pintura ou nem faixas pintadas. “É uma situação que não interfere no nosso negócio, mas sim na entrega maior de segurança para o cliente e a população. Tudo o que estamos apresentando de conectividade e gestão de frotas é para entregar ferramentas para os clientes teremuma gestão mais profissionalizadae aprofundada da operação do transporte para a redução de vários custos”, diz.

A falta de investimentos relevantes na infraestrutura de transporte tem elevado os gastos com logística das empresas. A deterioração dos meios de distribuição da produção fez esse custo crescer de 11,73% do faturamento bruto das empresas em 2015 para 12,37% em 2017. Ou seja, tiveram de desembolsar 15,5 bilhões de reais a mais de 2015 para cá.

Na estrutura de custos logísticos das empresas, o transporte de longa distância é o fator mais oneroso, representando 40,1% desse tipo de despesa, seguido pela distribuição urbana (23,4%) e pela estocagem (17,7%), conforme a pesquisa Custos Logísticos no Brasil, da Fundação Dom Cabral (FDC).

Escolhas energéticas vão moldar o futuro  

Sobre o desenvolvimento e utilização de novas matrizes energéticas, a alternativa mais apropriada na visão da Scania está na oferta de caminhões e ônibus movidos a biometano/GNV, proveniente dos dejetos de animais, do lodo sanitário e de outras fontes renováveis, que já se mostram economicamente viáveis do ponto de vista social e ambiental.

“Esse combustível reduz a poluição do ar e a contaminação sonora, gerando economia de custos para o governo na saúde da população. Na Europa, temos várias soluções sendo colocadas em prática. Os elétricos lá são cada vez mais usados pela modernidade de suas operações. Aqui, ainda há um caminho para se percorrer até a realidade dos veículos comerciais elétricos em grande escala. O Brasil precisa avançar em infraestrutura para receber essa solução”, ele diz.  

O potencial de biogás no setor de resíduos urbanos é de quase 4 bilhões de m³ por ano, o que representa mais de 10 mil MW de energia que deixa de ser aproveitada, segundo dados da ABiogás, Existem no Brasil cerca de 2 mil aterros, mas apenas 19 geram energia elétrica a partir do biogás. 

Essas energias renováveis como biogás/biometano representam alternativas positivas para o setor de transportes.

De acordo com Munhoz, o agronegócio já acordou para o enorme desperdício de fontes de combustíveis alternativos.

“Empresas desse setor vêm começando a investir na produção de biogás para geração de energia elétrica e de biometano para aplicação veicular. Desde cascas de frutas, de ovos e desejos de animais, tudo pode virar combustível. É um cenário que deverá se expandir, pois o que é jogado fora pode se tornar um excelente negócio com importante participação numa nova receita. Além de reverter em benefícios para a população com a diminuição de diversos tipos de poluição”, afirma.

Para o transporte de passageiros será ainda mais vantajoso, em razão da alta produção de lixo das grandes cidades que vai para os aterros, e automaticamente produzem metano.

Munhoz explica que esse metano também vira o biogás que, purificado se transforma em biometano. Mas sem aproveitamento correto, tudo isso vai para a atmosfera.

Segundo ele, os aterros hoje são obrigados a queimar o metano porque é mais contaminante que o CO2 para a camada de ozônio.

"É um grande desperdício de recursos que poderia contribuir com a melhoria da mobilidade urbana. Quando o resíduo urbano virar combustível limpo para os ônibus será uma espiral virtuosa. Estamos perto disso", diz.

A Scania vem incentivando a cadeia para movimentar e transformar em negócio todo esse ciclo. Na Suécia, por exemplo, já é realidade. "A grande notícia é que o biometano não necessita de subsídios do governo, ou seja, não haveria aumento de tarifas dos ônibus. Precisamos que os órgãos do governo conheçam esse ciclo de benefícios e o viabilizem, expandindo o uso do biometano”, observa. 

Quanto às expectativas de crescimento da economia, “estamos acompanhando com otimismo e acreditamos que o cenário deverá impactar positivamente o nosso mercado. O transportador investe quando tem certeza do retorno e da garantia do frete. E transportador crescendo, seja de qual tamanho for, é prova de que o Brasil vai bem”, conclui.

 

 
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