Crise global da força de trabalho em descompasso com habilidades do futuro

 

Valter Assis - Especialista em gestão de pessoas - valterassis@valterassiscoaching.com.br

 

Em 2030 enfrentaremos uma crise global da força de trabalho em quase todos os países. Prever oferta e demanda por diferentes habilidades e repensar estratégias de gestão de talentos serão desafi os gigantes para as empresas funcionarem como imãs de pessoas altamente qualifi cadas.

Transformações impostas ao mercado de trabalho pela globalização, informatização e automação provocarão mudanças ainda mais profundas na relação empregotrabalho. As organizações, por sua vez, passarão por restruturações, fusões e terceirizações para se tornarem cada vez mais competitivas, o que mudará, radicalmente, a demanda por rever os perfi s de sua força de trabalho e preparação de seus profi ssionais, de forma constante. No Brasil, desde o início da década, vem aumentando a disputa por mão de obra qualifi cada. Muitas empresas estão sofrendo para inovar e alcançar suas metas por falta de profi ssionais qualifi cados em postoschave. Estudos recentes de Rainer Strack - Th e Surprising Workforce Crisis of 2030 - corroboram o quadro crítico entre oferta e demanda da força de trabalho para 2030 em quase todos os países.

A Europa será afetada de forma severa com a Alemanha enfrentando um gap de 8 milhões em sua força de trabalho na próxima década. O défi cit previsto para o Brasil é de 40 milhões de pessoas, principalmente por questões demográfi cas e falta de investimento em formação. O envelhecimento da população global está prestes a se tornar uma das transformações sociais mais signifi cativas do século XXI, com implicações em quase todos os setores da sociedade. Em 2030, o número de pessoas acima de 60 anos ou mais chegará a 1,4 bilhão. O Brasil, segundo a ONU, ocupará o sexto lugar no mundo entre os países com o maior número de pessoas idosas. Isso signifi ca grandes desafi os em educação e qualifi cação, para governos e empresas que deverão mudar, inclusive sua cultura de negócios para atrair as novas gerações, mulheres e aposentados. A ideia de que se recebe educação quando jovem para depois trabalhar durante quarenta ou cinquenta anos - acabou. Todos nós teremos que continuar nos adaptando e adquirindo novas habilidades.

Paralelamente ao índice crescente de desemprego, escolas técnicas e faculdades públicas e privadas, continuam formando exércitos de profi ssionais a cada ano, e o que se verifi ca é que, cada vez mais, o mercado brasileiro está carente de profi ssionais bem preparados. A escassez da força de trabalho especializada pode ser determinada por quatro fatores principais, dentre eles, os processos de automação que passam a demandar trabalhadores com perfi s distintos aos tradicionais do mercado; a brecha existente entre a nova demanda das empresas e a tradicional grade de ensino das escolas; diferentes valores das gerações que estão chegando e a mobilidade de talentos com a demanda global.

O panorama exige que empresas despertem agora para a gestão do potencial humano, a exemplo de algumas grandes corporações, recorrendo a diferentes fatores de atração e de educação corporativa como condições essenciais de retenção de talentos e engajamento. Ainda, segundo a pesquisa de Rainer Strack, os novos fatores de atração estão centrados na paixão pelo trabalho que se faz, no bom relacionamento com colegas, equilíbrio entre trabalho e vida, bom relacionamento com superior imediato e remuneração atrativa.

Na próxima década, o poder de escolha será transferido das empresas para o indivíduo. O profi ssional passará a ser mais exigente, podendo escolher a oferta que melhor atenda aos seus valores e realização, optando pela empresa em que se sentirá melhor em trabalhar, considerando o tipo de cultura, desenvolvimento, qualidade de participação e, acima de tudo, reconhecimento.

 
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