Otimismo com cautela

 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

Com capacidade de produção instalada de aproximadamente 215 mil unidades por ano, a indústria que passou por perdas bastante elevadas, entregou ao mercado um total de 38.648 unidades no primeiro semestre de 2018, apresentando crescimento de 52,72% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com Norberto Fabris, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR), se o mercado mantiver a média entre 32 e 35 mil unidades, a indústria terá que ir crescendo, paulatinamente, porque o que tinha para perder, já perdeu. “Quem conseguiu passar por essa crise, é só não dar um passo maior do que a perna, daqui para frente” - alerta Fabris, atento às recentes estimativas de crescimento de 1,55% para o PIB. O Banco Central também já reduziu a sua previsão para o crescimento da economia brasileira em 2018, de 2,6% para 1,6%.

A retração de 20% das Betoneiras é outro indicador importante da ANFIR que merece atenção, ao apontar para o limbo da construção civil, um segmento que movimenta todo o mercado, e responde por 6,2% do PIB. Segundo Fabris, muitos segmentos da economia brasileira ainda estão andando, relativamente, devagar. “O crescimento, este ano, para carregar cimento, foi irrisório, e mostra que a construção civil ainda não andou. Se tirarmos o PIB agrícola de 1,4% no primeiro trimestre do ano, o resultado seria desanimador. O país tem que investir mais em infraestrutura, melhorar estradas, portos, pontos de carga e descarga, porque é isso que acaba pesando muito no produto final”.

Apesar do elevado custo logístico do país, o Programa de Internacionalização da Indústria de Implementos Rodoviários (MoveBrazil), iniciativa conjunta da ANFIR com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) obteve mais de 50 empresas associadas em três anos de atuação com balanço acumulado acima de US$ 40 milhões em negócios. “Já abastecemos uma boa parte da América Latina, principalmente América do Sul e América Central e temos alta tecnologia com uma competitividade interessante para os países vizinhos. O frete sempre é representativo, mas o transporte desses equipamentos para exportação ainda é viável”, ele afirma.

No entanto, a adoção de novas estratégias em busca pelo mercado externo mostra que os resultados oscilam muito em virtude das variáveis que podem ocorrer, mesmo quando se faz um bom planejamento de exportação. Fabris explica que há dois anos, o setor enfrentou problemas com Angola. “Quando caiu o preço do petróleo, esse país teve dificuldades de pagar os compromissos, e a exportação que era grandiosa, tornou-se praticamente nula”. Em contrapartida, ele diz, o Chile está numa situação confortável, e em outros momentos, é a Colômbia ou Argentina. “Uma boa meta é conseguirmos exportar algo em torno de 20% do que se produz no país. Na medida em que o mercado nacional não está muito bom, podemos ancorar negócios, auxiliados pela exportação”.


NORBERTO FABRIS, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS (ANFIR)

Como a variação do crescimento da exportação ainda não se mostra tão significativa, o que está segurando a sustentabilidade é o redimensionamento que houve em toda a indústria e cadeia de fornecimento, tanto é que neste ano, com essa puxada do mercado, as empresas estão com dificuldade de entrega. “Ninguém mais tem produto a pronta entrega, e é difícil acelerar toda a cadeia de suprimentos para você conseguir atender a essa demanda”, explica.

Para quem saiu de 178 mil unidades em 2013 para 22 mil entre 2015 e 2017, o país ainda está longe de ser o que era, mas na visão de quem viveu o dia a dia dessa indústria durante 41 anos na Randon, estaria de bom tamanho se o mercado brasileiro absorvesse 55 mil semirreboques ano. “Esse é o tamanho correto para as dimensões de um país que quer ser cada vez mais exportador de alimentos”, afirma Norberto Fabris.

 
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