Elétrico e autônomo no Brasil 2030?

 

Por Ana Paula Machado

anapaula@transpodata.com.br

Em 2030 será comum ver, em algumas operações, veículos autônomos e elétricos. A indústria de automotiva já trabalha para tornar isso uma realidade. A ZF, por exemplo, deve começar a produzir em série, em 2019, o seu sistema para veículos autônomos. O e.GO Moove faz parte de uma proposta logística totalmente digital, incluindo hardware, software e serviços, que a sistemista deverá colocar no mundo. Para o Brasil, Israel Valle, diretor da ZF América do Sul, acredita que essa tecnologia de autonomia total dos veículos ainda deve demorar um pouco para se encontrar nas ruas ou nas estradas. Entretanto, segundo ele, o país poderá ter, em ambientes controlados, esses tipos de veículos.

“Em operações que podem oferecer risco para o motorista e controladas pelo operador, poderemos ver esses veículos autônomos rodando. Mas, no dia a dia, acredito que haverá a conectividade irá ser usada principalmente para melhorar a segurança do caminhão ou ônibus. E, estamos preparados tanto para oferecer sistemas para o veículo autônomo como para o semiautônomo. Basta o país ter infraestrutura para isso”, disse.

país ter infraestrutura para isso”, disse. Luis Pasquotto, presidente da Cummins Brasil, vice-presidente da Cummins Inc. e responsável pela Unidade de Negócios da Cummins na América Latina, também acredita em uma gama de tecnologias digitais a favor da maior eficiência, menor custo operacional, maior “uptime” dos veículos. “Muito mais do que sistemas de rastreio (GPS) e de segurança contra roubos. Serão sistemas interativos entre os veículos e a nuvem de fabricantes de equipamentos ou de suas frotas, permitindo ajustes no veículo em real time, evitando falhas, e quando ocorrerem já trazendo soluções e por ai afora. Os ajustes permitirão também reduzir o custo de manutenção e melhorar a eficiência energética dos operadores”, disse Pasquotto.


AMAURY ROSSI DA EATON

Aliás, quando se fala em eficiência energética, Pasquotto, da Cummins, e Valle, da ZF, falam quase a mesma língua. Para Valle, veículos puramente elétricos poderão ser vistos por aqui já em 2021, principalmente no transporte urbano de passageiros e em cargas, nos caminhões de lixo ou de entregas urbanas. “Já estamos desenvolvendo um eixo de tração puramente elétrica, que deve ser lançada no mundo em 2019. Hoje, já dispomos de um equipamento para veículos híbridos. Estamos atento às tendências mundiais”, ressaltou.

Para Pasquotto, no entanto, haverá ainda tecnologias diversas inseridas no segmento dos veículos pesados, com uma multiplicidade de opções de energia (motores de combustão super eficientes e com baixíssima emissão (diesel; biocombustíveis, gás natural, biogás), veículos híbridos e elétricos em maior proporção. Isso porque, segundo ele, a tecnologia para caminhões puramente elétricos ainda é muito cara e, por isso, não é sustentável.


ISRAEL VALLE, DIRETOR DA ZF AME?RICA DO SUL

“Porém os custos vão cair gradativamente e a participação do veículo elétrico em alguns nichos vai crescer. Lembrando também que, além do custo, outro entrave a ser vencido é a questão da densidade de energia. Este aspecto deve melhorar também com o desenvolvimento de novas tecnologias de conversão de energia das baterias em energia cinética (movimento) fazendo com que a participação dos elétricos cresça. Todavia, ainda assim a predominância dos motores a combustão deve permanecer”, afirmou o executivo acrescentando que os estudos locais e mundiais da Cummins mostram que haverá uma participação maior dos veículos elétricos, principalmente caminhões leves urbanos e ônibus urbanos, mas o protagonismo ainda será do motor a combustão.

Marco Rangel, presidente da FPT, fabricante de motores da CNH Industrial, também acredita que motores elétricos ainda não serão corriqueiros nas ruas e estradas do Brasil em 2030. Segundo ele, o alto custo das baterias ainda será um entrave para a tecnologia. “Não existirá uma solução única quando o assunto é o combustível que moverá os veículos daqui a alguns anos. Por isso, estamos trabalhando numa gama de motores atendendo todas as tendências. Mas, acredito, que 2030 ainda será uma fase de transição para os veículos elétricos puro. Por isso, apostamos em motores a gás natural e no biogás de rejeito, como o metano, que é extraído através do lixo”, disse Rangel.


LUIS PASQUOTTO, PRESIDENTE DA CUMMINS BRASIL

Segundo ele, a FPT, inclusive já tem um protótipo do motor em testes no Brasil. O propulsor é utilizado em um trator da New Holland Agriculture e tem a mesma potência e torque de um equipamento movido a diesel, 108 cv e 740 Nm de torque. “A vantagem é que esse motor o nível de ruído é 50% que o propulsor convencional, o que lhe dá credenciais para operações noturnas em grandes centros urbanos. É uma solução mais barata que a tecnologia elétrica e tão eficiente quanto. O que falta para termos esse tipo de motor em operação por aqui é a infraestrutura para o transporte do gás e parceiros que queiram usar em seus veículos. Mas, isso estamos em negociação e até antes de 2030, essa solução já será realidade no Brasil”, disse Rangel.


MARCO RANGEL, PRESIDENTE DA FPT

Amaury Rossi, da Eaton, também acredita que haverá a coexistência de várias tecnologias no quesito combustíveis. Segundo ele, a eletricidade vai ganhar força no mundo, mas irá conviver por muito tempo com os motores à combustão. “Acredito que irá haver uma combinação de forças. Por isso, criamos uma empresa no grupo para desenvolver tecnologias para motores elétricos, a E-Mobility, focada na eletrificação. Essa é uma tendência que deve chegar por aqui também. Mas, por 10 a 15 anos, será uma tecnologia que existirá em operações menores, talvez urbanas. Motores à combustão ainda serão maioria no Brasil”, disse Rossi.

 
LEIA TAMBÉM