Evolução é compartilhar mobilidade até 2030

 

Por Maria Alice Guedes

malice@transpodata.com.br

O transporte está sendo reinicializado por tecnologias e novas necessidades de mobilidade. Os detalhes ainda estão tomando forma, mas os futuros sistemas de transporte certamente serão compartilhados, conectados, orientados a dados, eletrificados e altamente automatizados.

À medida que crescemos de uma população global de sete a dez bilhões, não podemos simplesmente dimensionar o modelo industrial que temos hoje e apoiá-lo no amanhã. Não são apenas as abordagens atuais de produção em massa, agricultura e transporte que serão dimensionadas, mas também serviços humanos essenciais. Novos paradigmas estão sendo impulsionados por quatro megatendências que atingiram um ritmo e amplitude sem precedentes: mobilidade compartilhada, condução autônoma, eletrificação e conectividade vão transformar radicalmente o conceito de transporte e logística. Você está atento ao novo conceito de ecossistema que está vindo aí?

Fornecedores de eletrônicos e mais fortes e desempenharão um papel crucial no desenvolvimento de novas tecnologias de mobilidade. A indústria enfrentará concorrência acirrada de fornecedores e gigantes da tecnologia na batalha para se comunicar com os clientes e capturar seus dados. A Quarta Revolução Industrial espera gerar US$ 3,7 trilhões em valor até 2030, segundo o Fórum Econômico Mundial, mas apresenta perspectivas globais ainda desiguais. Em alguns países, onde governos, empresas e sociedade civil promovem um ambiente para prosperar e experimentar, o futuro virá mais cedo e irradiará desses lugares para conectar o resto do mundo.

Entre as economias de destaque em mobilidade avançada e logística está a China, Cingapura, Dubai e Emirados Árabes, EUA, Reino Unido, Nova Zelândia, Hong Kong e Japão. Dubai, por exemplo, planeja assumir uma posição de liderança mundial em Mobilidade Autônoma até 2030. O metrô de Dubai já é a maior rota de trem autônoma do mundo e o air táxi - drône de dois lugares, inaugurado no ano passado, oferecerá vôos de 30 minutos. Enquanto isso, a China, investe fortemente em seu propósito de liderança mundial em transporte e logística, adotando slogan: “Distância zero - Emissões zero - Mortalidade zero - Estoque zero”.

Quem pensa que as novidades estão distantes, se engana, porque a velocidade das mudanças é exponencial. Caminhões elétricos já começam a circular por aqui. O caminhão da chinesa BYD 100% elétrico já está em utilização no Brasil para a coleta de lixo na cidade de Indaiatuba, interior do Estado de São Paulo, e foi adquirido pela Corpus Saneamento e Obras, que em virtude do eficiente desempenho alcançado, acaba de comprar mais 200 unidades. Na mesma direção está indo a Cummins Inc. com a aquisição da Efficient Drivetrains, Inc. (EDI), baseada no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), que projeta e produz soluções de energias híbridas e totalmente elétricas para o mercado. A adição da EDI ao portfólio da Cummins é o mais recente passo da empresa para se tornar líder global de energia eletrificada. Com a previsão de barateamento do custo da tecnologia nos próximos anos, carros elétricos e híbridos poderão responder por cerca de 20% das vendas no Brasil até 2030.

Tudo vai depender de como vamos conciliar PIB e produtividade, ou seja, resultados econômicos com desenvolvimento e força de trabalho qualificada. Em 2030 estaremos ainda mais perto dos dez bilhões de habitantes, com as cidades abrigando mais da metade da população mundial. Serão elas, os atores importantes para moldar a futura mobilidade no ambiente urbano. À medida que as cidades se tornam mais inteligentes, elas se tornam mais habitáveis e responsivas - e hoje estamos vendo apenas um vislumbre do que a tecnologia poderá fazer no ambiente urbano.

A revolução do transporte e logística ocupa o centro dessa questão e depende da inovação digital e infraestrutura para estabelecer novas cadeias de fornecimento industrial e redes de serviços em todo o mundo. Para alcançar o desejado impacto econômico e maximizar os benefícios de produtividade, a tecnologia deve ser adotada em escala e difundida em todo o ecossistema. Contudo, para definir quais soluções logísticas podem contribuir para melhorar a mobilidade é necessário que o transporte de cargas faça parte das políticas públicas, através da sistematização de dados, que compreendem mapeamento de instalações logísticas, realização de pesquisas com estabelecimentos comerciais e transportadoras, e diagnóstico de áreas de carga e descarga.

A indústria automotiva está mais do que antenada aos futuros veículos comerciais urbanos e rodoviários, mas as cidades deverão considerar a movimentação de cargas, e não apenas de pessoas, em seus planos de mobilidade com o menor impacto para a população e o meio ambiente. A digitalização e as tecnologias avançadas têm o potencial de reduzir, significativamente, os tempos de processamento e o custo dos movimentos de mercadorias. Todavia, em nosso país, o desafio ainda persiste na redução do "Custo Brasil", que faz com que produtos e serviços sejam mais caros localmente em relação a quase todos os países no mundo - questão que urge ser discutida por todos os players que compõem a cadeia logística, dispostos à uma aliança estratégica em prol de soluções efetivas para aumento de competitividade.

 
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