Intermodalidade - De navio ou trem pelo país

 

Por Ana Paula Machado

ana.machado@transpodata.com.br

Para tentar diminuir os riscos e os custos muitos embarcadores estão usando a ferrovia ou a cabotagem para a distribuição de seus produtos pelo Brasil. Cargas que antes eram estritamente rodoviárias, agora já são transportadas por trem ou navio. As empresas estão vendo na intermodalidade a solução para mitigar as perdas na movimentação em grandes distâncias. Nesse caso, o caminhão é usado nas pontas do transporte: no carregamento e na distribuição.

A Brado, empresa de inteligência logística do Grupo Cosan, de 2015 para cá começou a transportar mais cargas chamadas de “mercado interno” do Sul e Sudeste ao Mato Grosso na malha ferroviária da Rumo, braço de logística do Grupo Cosan. Rogério Patrus, presidente da Brado, disse que há dois anos, a companhia viu que poderia oferecer a clientes do Mato Grosso o transporte de produtos que, até então, eram levados para o estado de caminhão.

“Já realizávamos o transporte de soja, madeira do Mato Grosso para os portos do Sul e Sudeste, principalmente Santos. Retornávamos com os contêineres vazios. Precisávamos de um frete de retorno e, a partir daí, começamos a transportar bebidas, produtos de panificação. No Natal, levamos panetone por trem de São Paulo para Mato Grosso”, contou Patrus.

No ano passado, dos 60 mil contêineres transportados, 20 mil foram de cargas destinadas ao mercado interno. Para 2018, Patrus estima um crescimento de 30% no total movimentado, chegando a 77 mil contêineres e 30 mil contêineres com bens de consumo e de higiene.

“Queremos ser uma empresa de inteligência logística, mostrar a melhor solução para o cliente e isso utilizando mais de um modal para fazer o porta a porta. Para isso, mostramos que a ponta ferroviária é viável nessa movimentação. Costumo dizer a um de nossos clientes que a sua carga de sabão em pó não irá chegar ao Mato Grosso como sabão em barra, pelo sacolejo do trem”, disse o executivo.

Segundo ele, numa rota de 1,4 mil quilômetros de São Paulo para o Mato Grosso, essa solução chega a ser de 20% a 25% mais barata que levar toda a carga por caminhão. “Para fazer o porta a porta de maneira eficiente, utilizamos transportadoras dedicadas ás cargas da Brado. Isso nos dá mais eficiência na movimentação e mais segurança para o cliente”, afirmou Patrus acrescentando que o plano da companhia é deter uma frota própria de caminhões no curto prazo.

Para ganhar mais produtividade nesta movimentação, a Brado está investindo R$ 100 milhões, na compra de locomotivas e vagões e na melhoria dos terminais que opera no Mato Grosso, em São Paulo e no Paraná. O projeto prevê a compra de 74 vagões double stack (dois andares) com investimentos da ordem de R$ 30 milhões a R$ 35 milhões. A estratégia pretende otimizar a movimentação de contêineres na rota entre Rondonópolis (MT) e Sumaré (SP).

Com capacidade para empilhar até três contêineres (um de 40 pés e dois de 20 pés), o double stack deve gerar um ganho de aproximadamente 40% em capacidade no trecho em questão. O novo modelo permite uma operação mais sustentável, com ganhos significativos de produtividade e rentabilidade, transportando mais contêineres num mesmo trem e reduzindo custos operacionais.

PELO MAR

A Aliança Navegação Logística também começou a transportar cargas que eram tradicionalmente movimentadas pelas estradas brasileiras. Marcus Voloch, disse que hoje a empresa já leva contêineres cheios de frutas e legumes da região Sul para Manaus.

“O navio é o elo entre o mercado produtor e o mercado consumidor. O nosso negócio é o transporte e para fazer o porta a porta utilizamos nas pontas os caminhões”, afirmou o executivo, que contou que a companhia trabalha com 50 transportadoras parceiras no país para fazer a movimentação de entrega.

Segundo ele, se a Aliança fosse uma empresa estritamente rodoviária, seria a 11ª transportadora no ranking nacional quando se observa o volume transportado. Só no ano passado, foram transportados 270 mil TEUs (contêineres de 20 pés) e a expectativa para 2018, é chegar a 300 mil TEUs.

“Essa solução de transporte – caminhão, navio, caminhão- fica até 30% mais barato para o embarcador do que a utilização somente do modal rodoviária em grandes distâncias. É por isso que conquistamos a movimentação de produtos para uma rede de supermercados de Manaus”, contou Voloch. “Vemos o caminhão como nosso parceiro e não como nosso concorrente e por isso, já estamos em busca de mais transportadoras dedicadas para sustentarmos o nosso crescimento deste ano.”

 

 
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