Indústria 4.0 - O futuro é aqui

 

A 4ª Revolução Industrial já é realidade no setor automotivo brasileiro. A Mercedes-Benz inaugurou, em março, a sua mais moderna fábrica no mundo. A linha de montagem final de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, nasce dentro do conceito da "Indústria 4.0", em que a fábrica é conectada em todas as etapas do processo. O presidente da montadora para a América Latina, Phillip Schiemer, disse que essa é a única fábrica da Daimler no mundo seguindo esse conceito.

“As fábricas da Alemanha estão atrasadas. O projeto prevê conectar todas as unidades da Daimler no mundo, já estamos fazendo isso com a fábrica de Juiz de Fora, que também recebeu a tecnologia implantada em São Bernardo do Campo”, ressaltou o executivo.

Isso será possível porque o uso de um aplicativo que permite acompanhar 100% da produção da nova linha de caminhões pelo celular. Essa ferramenta tem interface com a fábrica de Juiz de Fora e com diversas áreas de São Bernardo do Campo, e, até 2022, também terá com as demais fábricas de caminhões do Grupo Daimler.

Essa modernização fez parte do plano de investimentos de R$ 500 milhões que a montadora fez no Brasil desde 2015 a este ano. "A maior parte dos recursos foi utilizada nesta reformulação da nossa fábrica. Estamos conectados com os fornecedores, a fábrica de Juiz de Fora e a equipe de vendas. Essa é a linha mais moderna da Daimler no mundo", ressaltou Schiemer.

INVESTIMENTO DE R$ 500 MILHÕES NO ABC

Segundo ele, os próximos investimentos de R$ 2,4 bilhões, que serão aplicados até 2022, serão usados na segunda etapa da modernização. Pelo cronograma, de acordo o executivo, a próxima unidade a ser modificada é a de agregados ( eixo, motores e câmbio) e depois a linha de ônibus.

DIGITALIZAÇÃO

A tecnologia digital, a hiperconectividade e o armazenamento de grandes volumes de dados na nuvem – elementos da Indústria 4.0 fortemente aplicados à nova linha de montagem de caminhões da Mercedes-Benz – também já estão presentes na interação da produção com outras áreas da empresa em São Bernardo do Campo e na fábrica de Juiz de Fora. A essas características irão se juntar o uso cada vez mais intenso da Internet das Coisas e das ferramentas virtuai

Os ganhos de eficiência, segundo o executivo, são da ordem de 15%. "Se antes conseguíamos produzir, em média, um caminhão em 100 horas, agora a operação é feita em 85 horas. Além disso, agora temos somente uma linha de montagem para todos os caminhões. Antes, tínhamos uma unidade de veículos leves e médios e uma de pesados."

A nova estrutura no ABC também conectará toda o gerenciamento logístico dentro da fábrica. A otimização dos estoques aumentará a eficiência da operação em 20%, graças a exemplos como a redução de armazéns de peças de 53 para 6, ao aumento do percentual de entrega de peças diretas na linha de 20% para 45%, e à redução do armazenamento de componentes de 10 dias para no máximo 3 dias. “Tudo isso se traduz em maior agilidade, eficiência e produtividade”.

Carlos Santiago, vice-presidente de Operações da Mercedes-Benz do Brasil, disse que o grande diferencial da nova linha de montagem de caminhões é o uso intenso dos AGVs (Automatic Guided Vehicle ou Veículos Guiados Automaticamente). São mais de 60 unidades destes veículos autônomos que transportam os caminhões por toda linha e pela área de logística, em conexão com as estações de trabalho onde são instalados todos os componentes.

“Adicionalmente, todos os dados gerados pelo aplicativo e também pelos equipamentos, como apertadeiras eletrônicas e AGVs, estão sendo armazenados na nuvem com a inteligência do Big Data. Através desses dados, utilizando recursos Analytics, podemos monitorar a qualidade dos produtos, detectar qualquer falha e até casar as informações de vendas com nossos sistemas de produção para flexibilizar cada vez mais nosso mix de produtos”, acrescentou Santiago.

CRESCIMENTO DE MERCADO

Schiemer disse ainda que no primeiro trimestre deste ano a produção de caminhões cresceu 30% no comparativo com o mesmo período do ano passado. "Acredito que neste ano o que vai sustentar a nossa produção é o mercado interno, que estimamos um crescimento de 30%. As exportações, que em 2017 representaram 40% da montagem, devem perder o ritmo", acrescentou o executivo.

Para ele, o que irá puxar esse aumento nas vendas de caminhões no Brasil este ano é o segmento de veículos extrapesados. "Para nos prepararmos para essa nova etapa, vamos contratar mais 250 pessoas em São Bernardo do Campo e outros 80 funcionários em Juiz de Fora. Com isso, somente neste início de ano foram contratados quase 700 empregados nas duas unidades. Esses novos postos estão sendo preenchidos por pessoas que hoje participam de cursos profissionalizantes que mantemos junto ao Senai", afirmou o executivo.

Hoje, a Mercedes-Benz emprega 8 mil funcionários no ABC e outros 700 em Juiz de Fora. De 2013 até 2017, a companhia dispensou 5 mil pessoas. “Se o mercado continuar com esse desempenho, podemos abrir um segundo turno de trabalho no segundo semestre. Hoje, nas linhas de agregados já estamos operando com dois intervalos de produção. Mas, é importante ressaltar que esses funcionários que estamos contratando não são para o segundo turno.”

 
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