Brasil tem que torcer pela China

 

Vamos direto aos números do balanço de negócios com esses 1,35 bilhão de “clientes” que encorpam signifi cativamente a economia brasileira, praticamente fazendo que o Brasil orbite em torno do vetor econômico chinês. O Brasil exportou US$ 47,5 bilhões à China em 2017, registrando crescimento de 35,2% em relação ao ano anterior ao mesmo tempo que importou US$ 27,3 bilhões, com crescimento de 17% também em relação a 2016. O saldo comercial positivo foi de US$ 20,2 bilhões, marcando um crescimento da ordem de 71,4% em relação ao balanço das transações sino-brasileiras do ano passado.

A China é o parceiro número um quanto ao volume total de exportações, tendo uma participação de 22% do total das exportações brasileiras e também é o país número um das importações brasileira, com representatividade de 18,1%. Visão histórica quanto ao “trade” com a China pode ser observado no gráfico da Figura 1.

Pelos dados podemos considerar a China como o parceiro mundial super importante e relevante, levando a conclusão inicial de total dependência da nossa economia, pois não existe um outro país que possa cobrir esse negócio.

Vale a pena ir mais ao detalhe desse relacionamento comercial e identifi car o que de fato são os produtos exportados pelo Brasil. E, sobre isso, não existem surpresas. Os produtos básicos são os de maior relevância, ou seja, não exportamos nada relevante em termos de produtos já semimanufaturados, aliás, importamos, e muito, como o mundo todo o faz. Na matriz de exportações para a China temos a seguinte composição (veja Figura 2).


Dos produtos exportados, dois deles, soja e minérios, são extremamente dependente de caminhões pesados, rodoviários e “fora-de-estrada”. Isso reflete-se na matriz asileira de veículos de carga, esse racional pode ser facilmente confi rmado ao se analisar o crescimento de mercado brasileiro em caminhões neste ano.

Outro dado importante a ser considerado é o aumento da produção chinesa de veículos em geral, que demanda muito aço, cujo minério em sua grande parte é extraído aqui no Brasil e exportado para sua transformação em ligas de aço e serem utilizadas na manufatura dos veículos chineses (veja fi gura tabela ao lado). Para tentar estabelecer esse racional da infl uência do mercado chinês, ao importar produtos básicos do Brasil, no mercado nacional, vamos então aos números de fechamento de mercado da Anfavea, entidade que congrega os fabricantes de veículos no Brasil (Figura 4):

O mercado de caminhões cresceu 2,7% e em especial é destaque o crescimento dos caminhões pesados, 23,4%, onde estão veículos destinados ao transporte de soja e seus insumos necessários para tal operação. Nesse segmento também estão os pesados “fora-de-estrada”, que atendem a mineração, mais um dos produtos exportados para a China. Não se determina o impacto efetivo gerado por esse negócio com a China e o volume de caminhões gerados, mas se lá vai bem, aqui também.

É importante observar as astronômicas dimensões do mercado chinês de veículos em geral. São quase 30 milhões de veículos vendidos por ano. Com números assim, e sempre crescendo, fi ca fácil imaginar quanto as fabricantes chinesas de veículos vão precisar de minério de ferro para dar conta de tamanho volume produzido.

É mais do que evidente que a economia brasileira, particularmente o setor automotivo, vai depender muito, cada vez mais, do sucesso do setor automotivo chinês. Por sorte, de acordo com qualquer análise séria, é possível prever que o comércio sinobrasileiro só tende a aumentar. Eles precisam de aço e minério de ferro, além de carnes de diversas espécies, pois tem bilhões de habitantes a serem nutridos nos seus desejos básicos e mudança de lifestyle, com a aquisição de veículos dos mais simples aos mais highend.

Brasil tem recursos básicos para atender a demanda da China. Matematicamente poderíamos explicar todo esse artigo com uma elementar função matemática, y=f(x),
onde y é o Brasil e x é a China.

 
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