Quando o futuro não é mais ficção

 

O caminho está traçado e é irreversível; o futuro do transporte de passageiro e de carga já é tangível e passará, inevitavelmente, por conectividade, autonomia, compartilhamento, eletrificação e, o mais importante, inteligência cognitiva”, resume Wagner Fonseca, diretor do comitê de caminhões e ônibus da SAE BRASIL e fundador da NETZ Engenharia.

O 26º Congresso e Mostra Internacionais SAE BRASIL de tecnologia da mobilidade teve exatamente este mote: “A Mobilidade Inteligente e a Transição para o Futuro”. O evento aconteceu na cidade de São Paulo, entre 7 e 9 de novembro, no centro de eventos Pro Magno.

Neste ano, João Pimentel, diretor de operações da Ford Caminhões para América do Sul, presidiu o congresso. “As tecnologias para melhorar eficiência e garantir mais segurança já estão disponíveis na indústria nacional. O mais importante agora é mostrarmos aos consumidores e aos governos que é preciso utilizá-las.”

Pimentel aponta que a eletrificação é um objetivo, mas que, para chegar aos veículos 100% elétricos, vamos passar por veículos híbridos (elétrico/diesel) e, antes ainda, “certamente vamos aprimorar a utilização de combustíveis alternativos, como etanol e biodiesel”.

WAGNER FONSECA

De acordo com o engenheiro Mauro Luis Correia, presidente do Grupo Caoa, e presidente da SAE BRASIL para o biênio 2017/2018, o grande desafio da engenharia nacional e mundial é buscar soluções que melhorem a mobilidade e, ao mesmo tempo, sejam ambientalmente corretas, ofereçam ampla segurança e contribuam para melhorar a eficiência e a rentabilidade dos transportadores. “A tendência agora é a mobilidade ser eficiente e ambientalmente correta. É preciso levar pessoas e cargas do ponto A ao ponto B no menor tempo possível, de maneira confortável, segura e, essencialmente, conectada.”

A mais importante discussão sobre tendências atuais e futuras foi apresentada durante o Painel dos Presidentes do qual participaram, além de Pimentel e Correia, Doug Patton, da SAE International, Marcos Silva, da Nissan, Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, e David Schutt, CEO da SAE International.

Nesse painel, os executivos mostraram a visão de futuro para a mobilidade, sendo que conceitos como conectividade, automação, compartilhamento e eletrificação foram os mais citados. A certeza de grandes mudanças em produtos e negócios foi unanimidade.

RICHARD CHRISTIAN SCHWARZWALD, DIRETOR DE QUALIDADE DA FCA FIAT CHRYSLER AMÉRICA LATINA E JOÃO PIMENTEL, DIRETOR DE OPERAÇÕES DA FORD CAMINHÕES PARA AMÉRICA DO SUL

Doug Patton, que também é Chief Technology Officer da Denso International America, destacou como principais tendências da mobilidade a conectividade, a automação, o compartilhamento e a eletrificação, e disse que há desafios a serem vencidos, entre eles a definição sobre quais seriam os melhores modelos para cada mercado. Ainda entre os desafios, Patton ressaltou a segurança em todos os seus aspectos, que, segundo ele, deve ser priorizada.

Rogelio Golfarb, vice-presidente de Relações Governamentais e Estratégias de Negócios da Ford América do Sul, disse que o maior desafio da indústria é criar modelos de negócio que atendam às novas demandas dos consumidores e garantam retorno aos investimentos. “Vamos continuar a produzir veículos, mas eles serão diferentes daqueles que conhecemos hoje, bem mais conectados e ligados a um sistema operacional de transporte que inclui serviços para que as cidades tenham mais espaços para lazer e todos os tipos de transporte”, afirmou. Golfarb apontou inteligência artificial aplicada aos negócios, “bike sharing”, “smart shuttles” para otimização dos deslocamentos e “digital services” como foco de investimentos da Ford para novos negócios.

Marcos Silva, presidente da Nissan, expôs que a visão de futuro da empresa para a mobilidade é um mundo conectado, sem congestionamentos, em que o cidadão pode ir a qualquer parte em qualquer momento, com veículos adaptados às necessidades do usuário, além de acidentes e emissões zero. Com esse objetivo, a empresa lançou no Japão veículos semiautônomos de propulsão inteligente, tecnologias que a Nissan pretende trazer para o Brasil.

Mauro Correia, presidente do Grupo Caoa, elencou entre as novas tendências globais as fontes renováveis de energia, a internet como principal acelerador da produtividade e do crescimento das economias, a robótica substituindo a mão de obra humana e a IoT. “O deslocamento do futuro será totalmente diferente do de hoje; o carro será o terceiro espaço de convivência das pessoas, depois da casa e do trabalho”, sentenciou. Na visão da Caoa, no futuro o processo de comercialização será mais virtual e menos presencial, e os serviços serãofator de competitividade e de retenção do consumidor.

No painel “Caminhões e Ônibus”, o foco principal das discussões foi a conectividade dos veículos e seus benefícios para melhorar a eficiência dos transportes de cargas e de passageiros. Segundo Wagner Fonseca, diretor do comitê de caminhões e ônibus, montadoras como MAN, Mercedes-Benz, Scania e Ford apresentaram suas mais recentes inovações em gestão de frota e deixaram claro que caminhões e ônibus novos raramente serão vendidos sem esses serviços.

“Os benefícios de uma gestão eficiente da frota são evidentes. E, quanto mais tecnologia o sistema tiver, melhor será para o motorista, para o frotista e, sobretudo, para a sociedade”, comenta Fonseca. “Um veículo comercial 100% monitorado certamente é um veículo mais seguro, mais eficiente e mais rentável na operação”, complementa.

Fonseca acredita que o próximo passo, para breve, será dotar os veículos com mais inteligência cognitiva. “Com isso, será possível analisar uma vasta gama de informações (Big Data) coletadas durante os trajetos e tornar o transporte ainda mais seguro e eficiente.”

Na opinião de Fonseca, a automação já está no dia-a-dia dos brasileiros e vai se tornar cada vez mais presente. “Ainda há muito a se percorrer para chegarmos ao veículo 100% autônomo, mas já temos níveis elevados de automação. Por exemplo, a transmissão automatizada, sensores, câmeras e radares que contribuem para uma direção mais econômica e segura.”

APRESENTAÇÃO DO DELIVERY ELÉTRICO

A eletrificação é outra realidade e já está presente. A MAN apresentou na Fenatran o e-Delivery, protótipo de caminhão leve totalmente elétrico desenvolvido no Brasil, e sistemistas e outras montadoras têm produtos bem desenvolvidos nessa seara. “Contudo, ainda é um projeto de custo elevado, devido ao preço das baterias; mas sabemos que esses preços estão caindo em função da elevação da demanda. Podemos apostar que em mais dois ou três anos teremos uma significativa frota de veículos urbanos de carga integralmente elétricos.”

 
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