Um novo mercado. mais sustentável, mais exigente e mais tecnológico

 

Durante a Fenatran, a RevistaTranspodata abriu um grande espaço, em seu estúdio de WebTv, para realizar entrevistas com as principais lideranças do setor, desde montadoras de veículos comerciais, passando por líderes empresariais, até sistemistas e empresas de alta tecnologia. Buscamos entender as razões deste início, ainda tímido, de retomada do crescimento econômico e o que as empresas estão oferecendo em tecnologia de ponta para aumentar a eficiência logística. Reunimos aqui, neste TOP VIEW ESPECIAL, os melhores trechos de cada entrevistado. A prolongada crise, por fim, deixa seu legado: empresários do setor entenderam que é preciso se valer do que há de mais moderno em termos de tecnologia para tornar a empresa mais rentável em um momento em que é preciso ser mais assertivo em termos de melhorar a qualidade dos serviços, diminuindo, igualmente, os custos operacionais. Veja em nosso canal no Youtube, como Transpodata TV, a íntegra de todas essas entrevistas e muitas outras que fizemos também no Congresso da SAE, além de nosso programa quinzenal sempre atual e analítico.

BERNARDO FEDALTO – DIRETOR COMERCIAL DA VOLVO

O que representa para a Volvo o segmento do agronegócio? Por que o extrapesado voltou a representar 34-35% da indústria, um segmento que está crescendo.

Nós achamos que vai melhorar, sem dúvida nenhuma. No segmento nós atuamos e somos fortes. Realmente na agricultura e mineração temos uma participação importante. Achamos que o Brasil vai continuar nessa vocação. Mas nós percebemos na Fenatran que os outros segmentos, o industrial o de serviços, também mostram um crescimento nos últimos três meses. Então a gente vê que não só no segmento tradicional brasileiro, o agronegócio, mas também nos outros segmentos, há uma recuperação, e a gente acredita que isso vai dar uma sustentação para o negócio como um todo. Vamos manter nossa posição de liderança, o objetivo é esse. Acho que o tamanho que nós temos de participação de mercado é adequado, é mais ou menos essa a nossa visão, mas também ofertar aos nossos clientes os produtos e os serviços para que ele seja mais produtivo.

EVALDO OLIVEIRA – DIRETOR DE OPERAÇÕES DA ALLISON TRANSMISSON NA AMÉRICA DO SUL

A gente pergunta muitas vezes para as montadoras, quando se fala de movimentação urbana, logística urbana, e eles dizem que ainda não colocam a transmissão automática por conta do custo, pelo que representa o custo da transmissão no produto. Você acredita que isso pode mudar? A transmissão pode ficar mais barata?

É a história do ovo e da galinha. O que vem primeiro, o preço ou o volume? A gente fica nessa briga. É importante que as montadoras encarem essa opção de transmissão automática como um veículo seriado, para produção normal, e aí vai aparecer a diferença nas vendas. Porque os pedidos chegam a começamos e entregar em prazos de 30-40 dias. Se há oferta de produto, haverá demanda. Não dá para ficar nessa história de “é o preço ou é o volume? O que vem primeiro?”. Então a gente resolve uma equação que até hoje foi difícil de resolver.

FABIO SOUZA – DIRETOR DE SERVIÇOS DA SCANIA BRASIL

A conectividade muda muito a capacitação de pessoas. Essa capacitação – Sabendo que a educação básica no Brasil é um problema, como é o processo de capacitação de pessoas, o desenvolvimento de competências no pós-venda da Scania ou efetivamente dentro da rede de concessionárias que você comanda também?

Agora incorporada na Scania Brasil, nós temos a Scania Academy onde temos todo o treinamento técnico que é desenvolvido pela própria Scania, assim também como os treinamentos gerenciais, a formação das pessoas que trabalham na parte administrativa dos concessionários, com programas, como o Scania Professional, que é executado durante seis módulos para que ele aprenda toda a maneira de como estruturar todo o concessionário, como gerir um concessionário. Temos como parte fundamental do nosso business treinar e capacitar as pessoas, e nós temos essa Scania Academy provendo esses cursos para concessionários. Como o Brasil é muito grande, nós também temos, em parceria com alguns concessionários, centros regionais de treinamento, principalmente com foco no treinamento técnico, para onde nós deslocamos motores, caixas e diferenciais para fazer o treinamento dos mecânicos, porque sabemos que deslocamento dos mecânicos é mais complicado que o deslocamento do pessoal administrativo. Assim, a gente vem cuidando do desenvolvimento constante da nossa rede. O que vem mudando agora, e nós temos aproveitado muito isso, é a questão do e-learning, que tem ajudado bastante. Nós temos uma ferramenta de administração dentro da Scania, e essa ferramenta permite, inclusive, a inserção dos vídeos e depois fazer o controle de acesso para podermos verificar se realmente a pessoa acessou, se ela realmente foi treinada e depois fazer a avaliação. Então isso tem ajudando bastante. É a tecnologia ajudado mais uma vez a gente a manter a rede sempre em dia com os conhecimentos.

FERNADO RODRIGUES – GERENTE DE SERVIÇOS E QUALIDADE DA ZF AFTERMARKET

O que a ZF está trazendo de novidade com esse novo portal, o Openmatics? Explica para a gente.

O Openmatics é o que nós chamamos de uma plataforma erta de conectividade do Grupo ZF. Então, além de ser uma marca do grupo, também é um produto. Nós temos a solução que chamamos de conectividade. No que se pode dizer hoje, a internet das coisas no ecossistema. Então, esse ecossistema é o que a ZF vem trazer. Conectar o veículo à frota, conectar o veículo ao motorista, conectar o veículo até mesmo a um centro de manutenção.

O que é possível monitorar?

Com o Openmatics é possível ler tudo o que está disponível em relação à rede de dados do veículo. Eu consigo ler todos os sensores originais do veículo e todos os componentes que passam pela rede CAM. Ou seja, com esse sistema é possível ter amplo monitoramento de praticamente tudo o que um veículo faz enquanto estiver em operação. Além disso, com sensores adicionais, é possível saber quando e onde houve abertura de portas, baú da carga, etc. O sistema é flexível e muito abrangente. A ideia é assegurar alta eficiência às operações de transporte.

LUIZ CARLOS MORAES – VICE–PRESIDENTE DA ANFAVEA

Você entende que o setor precisa buscar uma nova forma de financiamento e não depender do Finame, ou o Finame vai continuar sendo essa “ jabuticaba brasileira”, fomentando o nosso setor por mais tempo ainda?

Nós do setor industrial acreditamos que o Finame é uma ótima ferramenta. Ele teve há alguns anos atrás uma representatividade muito alta, então o mercado ficou muito dependente do Finame, financiando 80-90% de toda a indústria. Certamente que com a redução da taxa de juros vão aparecer outras fontes de financiamento, o que é bom para o sistema. Penso que o Finame vai diminuir provavelmente a sua atuação. Não vai ser cerca de 90%, quase 100%, mas vai continuar sendo um instrumento importante para a indústria de financiamento. A gente também já percebe outros mecanismos, como o Leasing operacional, CDC e outras ferramentas que o próprio mercado já começa a oferecer, e também os clientes começam a observar que têm possibilidades de negócios nessas áreas. Acreditamos que o Finame vai continuar a ser uma ferramenta importante, mas não nos mesmos moldes do passado.

O Rota 2030 não corre o risco de nascer velho, desatualizado, ou ser mais um programa que conseguimos colocar no papel e depois não conseguimos implementar?

O Rota 2030 é o instrumento de política industrial para orientar e dar direção às empresas de para que lado devemos ir. Mas as empresas também já possuem as suas decisões de produto e de tecnologia que elas vão implementar, porque isso é o futuro. Nós enxergamos que a conectividade e a segurança são demandas de nossos clientes. A nossa função aqui, como empresa de caminhões, é como nós podemos encontrar soluções tecnológicas que auxiliem o transportador, que reduzam o custo de operação, o custo de logística, que viabilizem o negócio do nosso cliente. Isso nós já estamos fazendo independentemente do Rota 2030. Esse novo programa do governo pode nos ajudar em algum incentivo, em algum aspecto, mas a direção tecnológica as empresas já estão tomando independentemente de qualquer coisa. Porque um transporte eficiente, uma logística eficiente, usando ferramentas como a conectividade, significa um frete mais competitivo, e isso vai ajudar o PIB diretamente. E nós estamos trabalhando nessa direção.

NUNO COUTINHO – DIRETOR DE MARKETING DA CITROËN BRASIL

O que é essa Ofensiva V.U.? Explica pra gente essa estratégia e o que vamos esperar na Citroën no Brasil.

A Citroën é uma marca que tem uma longa história nos veículos utilitários e também tem uma atuação forte na Europa, onde a PSA, com suas marcas, é líder na venda de veículos utilitários. Então não há razão para que a Citroën não possa também no Brasil e em outros mercados da América do Sul ter uma força idêntica à que apresentamos na Europa. Sabemos que para isso temos um caminho longo para percorrer. Nós tivemos algumas vendas já com veículos utilitários, mas a verdade é que encontramos hoje um verdadeiro foco nos veículos comerciais. Um verdadeiro foco que demos do ponto de vista do produto, ao serviço e também a um componente muito importante que é a rede de concessionárias Citroën, para então lançarmos essa Ofensiva de Veículos Utilitários. Nós chegamos para termos um veículo específico, não bastando ter só o produto. E nós temos um produto – Citroën Jumpy – único, que trouxemos para o mercado brasileiro, mas sabemos que precisamos de mais. Precisamos de fato ganhar a credibilidade e a confiança dos clientes desse segmento, que são naturalmente ainda mais exigentes que os clientes dos veículos de passageiros. Por isso lançamos e apresentamos recentemente um programa de serviços que se chama “Compromisso Citroën Pró”, que é um compromisso dedicado exclusivamente aos veículos utilitários e aos clientes profissionais desses mesmo veículos.

MICHAEL KUESTER – PRESIDENTE DA DAF AMERICA DO SUL

A DAF tem foco exclusivamente no segmento dos caminhões extrapesados. Isso sustenta o seu negócio? Sustenta as operações da rede de concessionárias?

Primeiramente as concessionárias vieram para uma linha produtiva muito maior e mais ampla. Os dois mil caminhões que pretendemos vender no ano que vem vão sustentar a rede. Não vão satisfazê-los, pois eles têm expectativas muito maiores, mas estamos tentando fazer mais coisas, como os novos lançamentos que fizemos na Fenatran. Isso vai ajudar o mercado, em um nicho novo de pesados, mas nossos planos são de ampliar a linha de produtos, para não só pagar a conta, mas retribuir essa confiança que eles tiveram em nós para investir o dinheiro que investiram e perderam também nesses anos.

Qual a maior dificuldade que você, até este momento, enfrentou no Brasil para lançar uma marca nova em um mercado tão competitivo e exigente como o mercado brasileiro?

Eu acho que manter nosso foco na qualidade foi o objetivo desde o início. Mas eu acho que o principal problema foi manter a rede viva, contente, acreditando ainda no projeto, e temos um grupo de concessionários que são soldados, e eles eu respeito muito pelo que fizeram por essa marca, porque apostaram na marca.

PEDRO CHAVES – DIRETOR DA SASCAR

Como a conectividade pode contribuir para melhorar a eficiência operacional dos transportadores?

Mais do que rastreamento e telemetria, buscamos oferecer ao mercado soluções que realmente possam contribuir para baixar o custo operacional dos transportadores. Dificilmente o transportador vai conseguir aumentar o frete, ainda mais na situação atual, com as dificuldades econômicas. Hoje em dia, praticamente 100% dos caminhões novos têm tecnologia suficiente para torná-los conectados. O que a Sascar faz é oferecer soluções para prevenção de acidentes, que é a grande causa de prejuízos financeiros e sociais em uma transportadora. Só para se ter uma ideia, hoje se perde no Brasil 12 vezes mais veículos em acidentes do que com roubo. Temos soluções também para reduzir o consumo de combustível, que apontam falhas na condução e sistemas que mostram como fazer uma condução mais econômica e segura. Além disso, oferecemos para os gestores de frota o termógrafo, que mede as oscilações de temperatura de cargas refrigeradas durante todo o trajeto e, com isso, é possível saber se uma carga perecível chegou ao destino com boas ou más condições.

PHILIPP SCHIEMER – PRESIDENTE DA MERCEDES-BENZ BRASIL E CEO PARA AMÉRICA LATINA

Você acha que o país pode retomar aquele volume, velocidade, de puxar novamente o mundo, o que faria com que o Brasil se beneficiasse muito e, consequentemente, o mercado de caminhões crescesse?

A China na realidade nunca parou. Ela continua crescendo de uma forma fantástica. Ela não cresce mais 10% ao ano, mas cresce 6% ao ano. A gente aqui estaria sorrindo de orelha a orelha tendo um nível de crescimento desse jeito. Então nunca foi um problema. Logicamente, teve um momento em que a China impulsionou as vendas, mas ela continua sendo um grande mercado brasileiro para a exportação de alimentos e minérios. Então eu acho que a China ajuda no momento, e vai continuar ajudando, porque a população chinesa é grande e precisa de alimentos, e o Brasil está muito bem nesse contexto. Mas nós temos que fazer com que a indústria do Brasil volte a crescer, nós não podemos depender da China. O Brasil é um país de 200 milhões de habitantes. Então, nós temos que fazer com que esta economia aqui novamente comece a crescer, e se um dia atingirmos o crescimento da China, de 6%, vamos ter um grande sorriso no rosto.

REYNALDO CONTREIRA – PRESIDENTE DA WABCO

Como funciona a linha antitombamento de vocês?

O antitombamento antes de mais nada vai ser legislação, ou seja, todos os caminhões e todos os ônibus a partir de 2024 vão obrigatoriamente a ter o sistema antitombamento. O sistema é bastante simples, é com base no ABS, então ele fica lendo as velocidades das rodas e consegue identificar que o veículo está tombando. Assim, ele inteligentemente freia a roda adequada, diminui a potência do motor, mesmo se o motorista estiver pressionando o acelerador ao máximo. Nós somos uma empresa em que 15% das pessoas que trabalham para nós são engenheiros, então nós inventamos coisas o tempo inteiro. Começou com o ABS, que foi inventado há 30 anos, depois vieram os controles de estabilidade, e temos mais coisas agora para o futuro. Estamos trabalhando com a frenagem autônoma. Ou seja, se o veículo perceber que tem algo na frente, uma pessoa, por exemplo, ele freia automaticamente, sem o motorista pisar no pedal de freio.

RICARDO ALOUCHE – VICE- PRESIDENTE DA MAN LATIN AMERICA

Qual a bola de cristal que faz vocês fazerem a lição de casa no momento certo e lançar em um produto na hora em que o mercado está se recuperando?

Na verdade, não tem uma bola de cristal, tem a experiência de trabalhar sempre escutando o cliente, e tentando fazer o máximo e o melhor para eles. Apesar do momento de crise dos últimos cinco anos, dos resultados negativos da companhia, nós não paramos de investir. Nós queríamos lançar a família Delivery, e estamos lançando aqui um caminhão completamente renovado, mas para nós isso não basta. Rastreamento, monitoramento de frota e eletrificação são a tendência do momento, e nós não poderíamos deixar de ganhar a oportunidade de apresentar um novo modelo, com uma tecnologia nova, que vai estar no nosso mercado em um futuro breve. É por isso que nós lançamos aqui o protótipo do caminhão elétrico, inovando completamente, com energia 100% brasileira e desenvolvida por engenheiros aqui do Brasil.

RICARDO BARION – DIRETOR DE MARKETING DA IVECO PARA AMÉRICA LATINA

Explica melhor qual a estratégia da Iveco com a Daily City?

A Daily é um produto que todo mundo conhece, é um produto consagrado no segmento urbano, principalmente o de 3,5 toneladas, em que a gente tem 60% de participação no chassi cabine. A Daily City vem para complementar a linha Daily. Então, eu diria para você que é um produto de entrada. A gente mapeou e detectou que existe um crescimento do e-commerce. Todo mundo que está aí já fez uma compra pelo celular, pelo tablet ou até mesmo pela internet e quer receber no mesmo dia. Para isso, precisa, obviamente, de agilidade no transporte, e a Daily City vem exatamente para contemplar essa necessidade desses clientes. É um produto redesenhado, de entrada, por isso a gente chama de Daily City, mas é uma Daily 30, uma irmã mais nova da Daily 35.

Que tipo de fórmula daria certo para promovermos uma verdadeira renovação da frota nacional de caminhões?

Nós já levamos algumas propostas. A gente discute muito a renovação de frota. Hoje nós estamos com veículos Euro 5 e já está se discutindo uma próxima legislação de Euro 6. Porém, faria muito mais sentindo, na nossa visão, uma renovação de frota de veículos que poluem mais, que é uma maior quantidade hoje vigente na frota no Brasil.

ROBERTO BARRAL – DIRETOR GERAL DA SCANIA BRASIL

Nos primeiros nove meses do ano, o agronegócio foi responsável por 47,5% das exportações. Ou seja, mantendo a média. Quando a gente coloca o agronegócio mais as commodities minerais o que representam mais 8% de tudo o que o País exporta, nós estamos falando aqui mais de 50% das exportações. Commodities agrícolas e commodities minerais. O que representa isso para a Scania?

Os dois negócios são muito representativos. Tanto o agronegócio quanto o de mineração são importantíssimos, como qualquer outro segmento. E a gente não pode deixar de mencionar os dois produtos que lançamos que também são focados nesses dois segmentos. Em primeiro lugar, estamos lançando duas novas motorizações, com potências de 450 e 510 cvs. São 13 litros. E é um motor completamente novo, uma configuração completamente nova, com novo sistema de injeção e que não é só uma nova motorização, ou uma nova potência; ele entrega até 5% de economia, o que vai ao encontro desses setores que você também mencionou. Quando também vamos para o agronegócio, lançamos nosso veículo Super rodotrem, para 11 eixos, 91 toneladas. É um V8 inédito que consegue transportar essa carga, para o qual saiu a determinação da Contran em abril deste ano, e que atende perfeitamente ao setor de grãos e ao canavieiro.

ROBERTO LEONCINI, VICE-PRESIDENTE DE MARKETING E VENDAS CAMINHÕES E ÔNIBUS DA MERCEDES-BENZ DO BRASIL

Sentimos que há mais otimismo entre os empresários do setor para irem às compras. A Mercedes-Benz tem essa mesma sensação?

Durante a Fenatran, pudemos sentir exatamente isso. E é muito bom quando o otimismo vem dos frotistas, de nossos clientes. Realizamos bons negócios durante a Fenatran e acreditamos que haverá um crescimento satisfatório no ano que vem, de perto de 20% em relação a este ano. Os indicadores apontam para esta retomada da expansão econômica. Acredito que finalizamos este ano tendo vendido tudo o que produzimos e vamos começar 2018 com o mercado com um ânimo muito mais positivo do que foi registrado no início deste ano. Definitivamente, entramos em um novo patamar, mais positivo.

Em três anos de queda nas vendas como a Mercedes-Benz trabalhou para manter sua rede de concessionárias mais saudáveis?

Somos grandes parceiros de nossa rede. A queda dos negócios foi sentida, mas trabalhamos em conjunto para buscar alternativas, muitas vezes fizemos estudos e reposicionamos casas em locais mais apropriados, redimensionamos o negócio. Paralelamente a isso, não deixamos de lado nosso plano de expansão, mesmo diante dessa retração do mercado, buscando estar presentes em locais de onde antes estávamos distantes, porque queremos ouvir nossos clientes e atendê-los plenamente. A gente tem novas inaugurações. Vamos abrir uma nova revenda na região de Londrina, Paraná. Ou seja, não ficamos parados. Nos ajustamos e estamos fazendo fortes investimentos em treinamento e capacitação de nossos profissionais da rede Mercedes-Benz.

RODRIGO MOURAD – FUNDADOR DA COBLI

A Cobli começou há apenas um ano e só vem crescendo a cada mês. Como isso é possível, crescer em tempos de crise?

No Brasil, o número que a gente tem é de que apenas entre 5 e 8% dos veículos comerciais possuem algum tipo de sistema de gestão de frotas. Isso de veículos leves até pesados, para semipesados é um pouco maior. Porém, quando vamos em alguns países em que o mercado é um pouco mais competitivo, como nos EUA, a gente vê esse número subir para 40%. Lá o pessoal já conseguiu medir que, se você não tem um sistema e gestão de frotas que consiga gerar uma eficiência, e as concorrentes têm, você vai acabar ficando para trás. Por isso a penetração do gestor de frotas subiu rápido, e a gente agora está vendo o Brasil fazer o movimento semelhante para ter esse ganho de eficiência. A Cobli começou suas operações aqui em 2015. Na verdade, a gente começou fazendo a precificação dinâmica de seguros – como eu falei a gente sempre foi uma empresa muito pautada em dados –, então a gente utilizava informações do modo de condução para tentar avaliar qual era o risco real de acidentes em veículos. Nós fizemos super bem, conseguimos escalar isso para uma seguradora internacional para sete Estados do Brasil. A gente percebeu que os veículos comerciais são os que mais tinham essa preocupação de como reduzir acidentes, não só pelo custo de manutenção, como por todo o tempo que aquele veículo ficava parado e parava de gerar valor que deveria fazer para a frota. Então nós fizemos essa mudança em 2016, desenvolvemos mais umas coisas para lançar realmente para o mercado; a gente lançou o sistema de verdade em janeiro de 2017, foi muito bem aceito, e hoje já está em todos os Estados do Brasil, mais de cem cidades, começando a expansão internacional agora sob demanda. Já temos clientes pagantes em países como os EUA, Portugal, Moçambique, e conseguimos, nesse período de mais ou menos dez meses, já passar de trezentas empresas clientes nossas só aqui no Brasil, então honestamente vemos um potencial gigante para crescer.

TAYGUARA HELOU - PRESIDENTE DA SETCESP

Como o transportador está saindo desta crise tão longa e que causou tantos danos ao setor?

Há algumas semanas venho conversando com amigos empresários e com associados e o que me dizem é, em resumo, o seguinte: “A crise passou”. Isso, por si só, já é um ótimo sinal. Mas penso que está passando, ainda não passou. Contudo, o País apresenta agora sinais extremamente positivos para uma melhoria sustentável de longo prazo. O Brasil nunca teve uma inflação tão baixa, nem mesmo juros reais tão baixos. Isso abre grandes oportunidades. A indústria, que estava em queda há cerca de sete anos, agora começou a crescer. O consumo também começou a crescer. O PIB igualmente vai crescer neste ano e certamente no ano que vem também. E isso significa, obviamente, que haverá necessidade de mais cargas transportadas.

 
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