Mais produtos e foco nos serviços

 

Luis Gambini, diretor comercial da DAF, adotou a estratégia de fazer um certo mistério quanto ao que virá de novidades em produtos. O certo, e ele admite isso, é que a marca precisa trazer novos modelos, especialmente para atuar no segmento off road. Outra garantia da DAF: “Olhe o que temos lá fora e fiquem certos quanto ao que vamos ter no Brasil também”, diz Gambini.

luis gambini - diretor comercial da DAF

A marca holandesa, que agora pertence à americana PACCAR, mostrou as caras na Fenatran de 2011, fez uma participação importante na edição de 2013 ao apresentar os produtos já “made in Brazil”, esteve na edição de 2015 unicamente com a Volvo (todas as demais montadoras resolveram ficar de fora) e, nesta edição, como bônus dos organizadores por marcar presença no momento mais difícil da feira, teve primazia para escolher um espaço generoso para apresentar suas novidades.

Lá fora a marca já produz seus caminhões com cabinas novas, mas aqui vai levar mais tempo para desenvolver os fornecedores. A aposta, então, é que a marca apresente produtos que fazem falta em sua gama, como os 6x4, e, quiçá, a exemplo de suas concorrentes Scania e Volvo, resolva entrar também no segmento de semipesados. É, sem dúvida, um estande que vale a visita do frotista que busca boas opções de preços sem abrir mão de veículos premium.

O que a DAF também vai apresentar na Fenatran, e muito parecido a concorrência, é que seus serviços estão melhorando dia a dia. Neste ano, a rede de revendas da marca já investiu mais de 200 milhões de reais para a ampliação de sua estrutura. A capilaridade passou de 28 casas para 32. De acordo com Gambini, a ideia é dobrar o número de revendas nos próximos cinco anos.

Na ampliação, a DAF deixa claro que busca empreendedores que entendam do negócio de caminhões e, o que se nota no mercado, são revendedores de outras marcas mudando de bandeira e migrarando para a DAF. Um exemplo é Teodoro Silva, que era concessionário Iveco e agora abriu uma revenda DAF em Guarulhos, SP.

De acordo com Adcley Souza, diretor de desenvolvimento de concessionárias da DAF, o atual tamanho da rede já cobre cerca de 85% do território nacional. “Estamos bem cobertos nas regiões Sul e Sudeste, mas ainda temos que abrir novos pontos nas regiões Centro- Oeste, Norte e Nordeste”, diz Souza, que prevê contar com 45 revendas operando no País até o final de 2022.

Produzindo e vendendo caminhões no Brasil desde 2013, a DAF tem ainda uma frota circulante pequena, cerca de dois mil veículos. Por isso, a marca, desde o início, trouxe a estratégia de vender peças e serviços para os caminhões pesados de outras marcas, como Volvo, Scania, Iveco, Mercedes e Volkswagen Caminhões.

Para tanto, a empresa tem no Brasil uma linha de peças originais que servem para os caminhões da concorrência. “São peças mais baratas, cerca de 30% a 40% abaixo do valor das peças genuínas, mas com garantia de procedência e, sobretudo, nossa garantia de um ano”, diz Carlos Tavares, diretor da PACCAR Parts, que, no Brasil, comercializa as peças com o nome de TRP.

Segundo Tavares, a empresa já investiu 100 milhões de reais no, desenvolvimento de peças TRP e o negócio cresceu, no País, 300% neste ano. “A crise levou muitos transportadores a garantir em que caminhões usados continuassem rodando com confiança. Por isso, muitos frotistas buscaram a qualidade de nossas peças."

Tavares diz que espera crescimento de 200% no ano que vem. “É um negócio em franca expansão, porque os clientes buscam peças que entreguem qualidade, confiabilidade e menores preços”. Como o negócio não é só vender peças, mas também executar os serviços, Tavares garante que a rede DAF está conseguindo pagar até 50% das contas de uma revenda com os serviços. “O ideal é 100%, mas, levando-se em conta que nossa frota circulante ainda é muito pequena, esse índice está muito bom, e a tendência é crescer. Temos revendas que já conseguem, com serviços e TRP, pagar 85% dos custos fixos.”

Em seu estande da Fenatran, além das peças TRP (há novidades como turbinas), a DAF vai apresentar seus contratos de manutenção para os caminhões da marca. Por enquanto são três tipos: um que contempla todas as trocas dos filtros e lubrificantes do motor, transmissão e diferencial (com a mão de obra já inclusa); outro que vai além e inclui também as manutenções preventivas orientadas pela marca; e, como terceira opção, um plano que cobre também manutenções corretivas dos sistemas de freios, suspensão, eixos, chassi, motor, direção, sistemas elétricos e de transmissão.

 
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